Desenvolvido pela Intelligent Systems, Fire Emblem: Fortune’s Weave foi lançado no dia 17 de setembro exclusivamente para Nintendo Switch, levando a franquia Fire Emblem à marca de 15 jogos da série principal, além contar com remakes e spin-offs que fazem o número chegar a 24 títulos, tornando-a uma robusta propriedade intelectual da Nintendo que está no mercado desde 1990.
Embora exista há tanto tempo, Fortune’s Weave está sendo recém o meu segundo contato com a franquia, e o primeiro com um jogo principal. Anteriormente eu havia jogado apenas o ótimo Fire Emblem Warriors: Three Hopes (2022), que mescla personagens e elementos de interação social típicos da série com a gameplay de Dynasty Warriors, propriedade intelectual da Koei Tecmo, que é codesenvolvedora do referido jogo.
À primeira vista, Fire Emblem: Fortune’s Weave parece ser um jogo robusto e rico a ponto de ser complexo. A proposta de viver uma jornada com 4 personagens paralelamente num RPG tático com potencial de pelo menos 100 horas de gameplay chega a parecer um pouco assustadora para quem pouco ou nada conhece desse universo, mas ao mesmo tempo um banquete primoroso para quem é fã.
A Nintendo parece consciente e segura da decisão de entregar um game super amplo e cheio de possibilidades tendo que balancear o aprofundamento do enredo da saga ao mesmo tempo em que precisa funcionar para novos jogadores e, com sorte, novos fãs da franquia. A empresa inclusive destaca isso no post sobre Fire Emblem: Fortune’s Weave em seu site oficial: “[…] não se preocupe se você for novo nesse tipo de jogo ou se isso tudo parecer muita coisa agora. O jogo vai te ensinando pouco a pouco sobre essas mecânicas, e também há maneiras de fazer com que as coisas fiquem menos desafiadoras”.
São raros os momentos em que aqui na Emerald Corp trazemos uma análise de primeiras impressões após o lançamento na forma de review em andamento, pois não é todo dia que o público recebe um jogo dessa magnitude e cuja gameplay tem a ambiciosa proposta de alternar entre personagens com passados ricos e conexões com tantos outros NPCs que enriquecem ainda mais o enredo. Desse modo, a crítica aqui não traz spoilers e contempla aspectos técnicos e de gameplay tendo experienciado uma parcela relevante do que o jogo oferece, mas sujeita com alguns elementos sujeitos a uma reavaliação quando o texto definitivo for publicado.
Assusta, mas passa. E vale o susto inicial!
Confesso que RPG tático por turnos não é um dos gêneros que eu mais gosto quando o enredo tem parte muito importante para a experiência e, por consequência, existem muitas cutscenes. E, bem, esse é justamente o caso de Fire Emblem: Fortune’s Weave, mas sinto que vivi uma grata surpresa até aqui.
Nas primeiras 5 horas mais ou menos o jogo apresenta o tutorial a conta-gotas, de uma forma em que assusta um pouco, mas sempre te faz praticar a movimentação vista de cima tipo tabuleiro e os ataques dos personagens de uma maneira que seja simples de entender. Por mais que explique várias possibilidades, o game é didático e te faz experimentar contra poucos inimigos e, mesmo quando o caldo começa a engrossar, ainda assim não há pressão.
Um dos motivos pelos quais o início do jogo também pode ser amigável para quem está chegando a esse universo é a possibilidade de escolher entre duas dificuldades (normal e difícil), mas também 2 modos de jogo, sendo um casual em que as tropas perdidas retornam na próxima batalha, e outra clássica em que os mortos são perdidos pra sempre. Eu escolhi jogar no normal + clássico e até aqui nenhum personagem da minha equipe morreu, então ainda não tive o gostinho de ter que lidar com o desafio de recrutar um novo NPC. Como não sou um verdadeiro especialista em RPG tático por turno, penso que isso reforça que o título é convidativo para novatos tanto na franquia, quanto no gênero.
Outro aspecto acolhedor logo no começo é que o game pergunta sobre o que você acha de insetos, permitindo ativar mudanças na aparência de alguns inimigos, algo bem importante para quem tem algum tipo de fobia. E a opção pode ser mudada a qualquer tempo também.
Quando por volta das 5 horas de gameplay cheguei ao santuário onde realmente acontece o momento de escolher entre os 4 protagonistas, percebi que sabia bastante sobre a jogabilidade e me sentia preparado para as batalhas, até então apenas vistas de cima. No entanto, mal sabia eu que Fire Emblem: Fortune’s Weave iria começar de verdade somente agora, quando Fortuna, a Deusa da Causalidade (God of Causality) explica mais sobre a grande ameaça causada pelo deus demoníaco Balor e por que nosso protagonista deve ir ao passado em Dagsion, a capital do império de Dagda, para evitar a ruína total.
Os 4 protagonistas que deverão lutar nos Heroic Games são Cai, Dietrich, Theodora e Leda. Cada personagem possui seu próprio background e motivações pessoais para irem em busca da vitória contra outros poderosos guerreiros. O protagonista que controlamos inicialmente se mantém conectado a cada uma das histórias sendo um pássaro branco, o Pale Raven Bird, com o qual é fundamental fortalecer os vínculos sociais para garantir benefícios de suporte e melhorar atributos de cada guerreiro, inclusive dos demais membros das equipes.

Em Dagsion podemos transitar com bastante liberdade pela capital, onde é preciso realizar uma série de tarefas de simulação social, treinamentos e missões secundárias essenciais para adquirir experiência, ouro e reputação. Ser uma personagem renomada é obrigatório para realizar ações como recrutar membros para sua equipe e avançar em áreas fechadas no mapa-múndi.
Apesar da liberdade, há algumas ações que exigem que você passe um ou mais turnos. Cada turno equivale a cerca de 6 horas do dia, e o passar do tempo faz com que após dezenas de turnos seja o momento de encarar uma atividade da história principal. Ou seja, a estratégia não está presente apenas nas batalhas, como também ao realizar determinadas atividades em Dagsion e, principalmente, no mapa do mundo.
O mapa-múndi é um prato cheio para quem ama RPG de mesa e jogos de tabuleiro num geral. A lógica de turnos aqui é aplicada de maneira muito mais intensa, pois cada movimento faz passar 1 turno (em alguns casos até mais). A movimentação é vista de cima tal qual um tabuleiro, o que eu achei muito legal e afastou de vez o sentimento de receio em relação à magnitude de Fire Emblem: Fortune’s Weave. Não que a região do jogo seja pequena, muito pelo contrário, mas poder explorar o mapa vendo de cima e podendo mais contexto da grandeza e essa navegação de casa em casa é uma experiência que me surpreendeu positivamente e percebo como um respiro.
A jogabilidade estilo tabuleiro também é cheia de recursos. Você pode encontrar cidades, vilarejos, pontos de pesca e de colheita, restaurantes para desjejuar com a equipe, matilhas de animais ou inimigos para enfrentar no melhor estilo estratégico com visão superior, dungeons que trazem um outro estilo de combate (clashes), entre outras possibilidades. Embora haja pontos vazios do mapa em que você por vezes vai cair perdendo um turno sem ter nada para fazer, no geral seu personagem chegará a algum lugar que terá algum tipo de recompensa. E o fato de às vezes não ter o que fazer também é importante, afinal é um elemento para desafiar o seu pensamento estratégico e exigir que você tenha atenção a cada passo.
Outro ponto positivo nesse tipo de exploração é que por vezes mesmo uma ação como pescar é capaz de abrir novos caminhos. Ou seja, nada é em vão no mapa-múndi. O que mais gostei no mapa até aqui são as dungeons que oferecem uma boa variedade de cenários para explorar e batalhas estilo clash. Os clashes são combates por turno em que um personagem da sua equipe ataca um dos adversários, mas a vida dos inimigos é compartilhada. Você também pode escolher fazer um link entre dois membros do seu time para dar um ataque combinado ou fazer uma ação de cura, por exemplo. A visão deixa de ser superior e passar a ser em terceira pessoa por trás dos personagens, o que considero uma alternância bem interessante para tornar a experiência mais dinâmica.
As masmorras também oferecem uma boa quantidade de recompensas, mas os desafios são variados. Algumas são cavernas com soldados e lobos, mas eventualmente o combate trará um adversário mais poderoso para te surpreender. Outras dungeons são cavernas escuras em que somente poucos passos no entorno do seu personagem são iluminados e locais pontuais com tochas, de modo que a qualquer momento você pode dar de cara com um inimigo e iniciar um clash sem querer e sem ter a oportunidade de dar um ataque na exploração, que se traduz num golpe surpresa antes do início do confronto. Há ainda cenários mais abertos e sob a luz do dia, fazendo com que a ida a esses ambientes seja sempre algo que se renova.
Além de ganhar experiência e eventualmente encontrar bons itens, explorar as dungeons por vezes também é uma maneira de abrir caminhos importantes para a jornada.
Socializar é essencial em Fire Emblem: Fortune’s Weave
O primeiro Fire Emblem exclusivo do Nintendo Switch 2 também é um prato cheio para quem gosta de RPGs clássicos de mesa por causa das interações sociais. Esses elementos não apenas desenvolvem o enredo, como também são fundamentais para enriquecer os aspectos estratégicos do jogo de maneiras variadas.
Por exemplo, é preciso prestar serviços a diversos tempos em Dagsion para conseguir bênçãos dos deuses, e cada templo possui um dia específico em que os trabalhos recebem bônus, além de que domingo é o dia sagrado, então todos contam com a mesma bonificação nesse dia. Mas não é prudente colocar qualquer dupla de personagens para realizar as demandas, e sim prestar atenção às suas reações na tela para saber quais estão realmente a fim e quais não gostariam, pois isso é o que te garante mais pontos nessa dinâmica e, se a tarefa for perfeita, você ainda recebe de volta o ponto de devoção que seria gasto.
As interações com os NPCs recrutáveis também são obrigatórias, pois tanto a sua reputação, quanto os vínculos com esses personagens são atributos necessários para que você tente recrutá-los. Há uma grande variedade de guerreiras e guerreiros disponíveis em Dagsion para você tentar adicioná-los ao time, outro aspecto que enriquece a experiência tática.
Até aqui, o que mais me surpreendeu em Fire Emblem: Fortune’s Weave é que nada parece ser em vão e tudo tem um sentido estratégico que precisa ser considerado com atenção. As diferentes maneiras de combate por turnos e a exploração no mapa estilo tabuleiro também são fatores que contribuem para que eu esteja viciado na experiência, que é muito bem acompanhada pela trilha sonora que por vezes lembra o excelente trabalho feito no clássico Nier: Automata (2017). No entanto, com um enredo tão rico e diversos termos rebuscados, não ter a localização para o português do Brasil é um aspecto negativo que não se pode ignorar, a ponto de por vezes me fazer pesquisar o que significa tal palavra para poder tomar a melhor decisão.
Continue acompanhando nosso trabalho para em breve conferir o review completo de Fire Emblem: Fortune’s Weave.
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Assista ao trailer:
Ficha técnica de Fire Emblem: Fortune’s Weave
Lançamento: 17 de setembro de 2026
Desenvolvido por: Intelligent Systems
Publicado por: Nintendo
Plataforma: Nintendo Switch 2
Número de jogadores: 1
Gêneros: Estratégia, RPG Tático por Turnos, Simulação Social
Idiomas: Japonês, Francês, Alemão, Italiano, Espanhol, Coreano, Chinês Simplificado, Chinês Tradicional, Inglês Americano
