História atemporal e que é revisitada de tempos em tempos, Carrie é um dos grandes títulos criados por Stephen King. Em uma nova adaptação, desta vez em formato de série, Mike Flanagan reimagina o mundo em torno dessa personagem icônica da cultura pop.
Tivemos a oportunidade de conversar com o diretor sobre essa nova abordagem para a história clássica, a crueldade nas redes sociais e o que podemos esperar para o futuro da série. Confira a entrevista!
Você mudou algumas coisas na série, tanto em termos das relações entre as personagens femininas, quanto na maneira como a própria crueldade é retratada. A Margaret, por exemplo, ainda é cruel, mas de uma maneira muito diferente do que vemos no livro. Então, como foi o processo de olhar para essas personagens e encontrar uma nova maneira de retratá-las, especialmente quando levamos em consideração um contexto mais contemporâneo?
Mike Flanagan: Essa é uma ótima pergunta. Sabe, acho que tínhamos muita consciência de que essas personagens haviam sido retratadas de forma icônica assim como foram escritas. E Margaret, em relação ao que você disse, a atuação de Piper Laurie é feroz, icônica e meio que se impõe sobre a personagem.
Mas estávamos realmente interessados em entrar nisso não como um remake de Carrie, mas como uma reinvenção. E isso começou com as nossas personagens, começou com “como fazemos o oposto?”. Como pegamos a Carrie White, que sempre esteve tremendo, aterrorizada e traumatizada desde o minuto em que a conhecemos, e fazemos dela o oposto? Deixá-la ser ansiosa, curiosa, aberta, gentil e confiante.
A Margaret White é um monstro abusivo que odeia e teme a filha em todas as outras versões, então vamos fazer o oposto: ela é uma mãe que ama a filha ferozmente, mas não sabe como fazer isso da maneira certa. E isso abre toda a história para nós, e acho que isso está realmente no coração da adaptação.
Também acho que, quando se trata da natureza da crueldade, a própria crueldade se tornou mais complicada 50 anos depois do que era quando Stephen King escreveu o livro. Ela se esconde de maneiras diferentes, se manifesta de maneiras diferentes, e as ferramentas da crueldade mudaram.
Sabe, a internet e as redes sociais incentivam e normalizam comportamentos muito mais cruéis do que jamais nos permitiríamos cara a cara na maioria das circunstâncias. Mas isso também a torna mais insidiosa, a torna mais complicada, e sabemos mais sobre os ciclos dela. Sabemos mais sobre como pessoas que sofrem crueldade podem, às vezes, se virar e infligí-la como parte de seu próprio trauma. Então todas essas coisas pareciam a maneira mais relevante de abordar essa história para o público de hoje.
No primeiro episódio, é mencionado que havia outras pessoas no baile de formatura naquela noite, e achei muito interessante como você expandiu esse elemento da história. De onde veio a ideia de explorar essa parte da narrativa e o que você tem em mente para o futuro?
Mike Flanagan: Bem, a ideia em si veio diretamente das páginas do livro. Stephen King dá algumas pistas sobre isso. Ele ainda não estava naquela fase da carreira em que escrevia esses grandes universos interconectados, mas ele fala sobre o fato de que a própria Carrie faz parte de um longo legado dessas mulheres poderosas. Ela simplesmente nunca vive o suficiente para saber que não está sozinha nisso, tanto no livro, quanto em todas as outras adaptações.
Então essa foi uma das primeiras oportunidades em que pensei: “Nossa, que oportunidade incrível nós temos, podemos mostrar isso, podemos trazer essas outras mulheres para impactar a história”. Porque é claro que elas vão estar cientes da Carrie e vão ficar curiosas sobre ela, o que significa que é lógico pensar que talvez a Carrie não seja a única pessoa naquele baile que tem essas habilidades. E isso abre uma direção completamente nova para as personagens e para a narrativa.
Agora, não temos planos específicos além disso, sabe? Minha missão era apenas terminar esta temporada da melhor maneira possível e honrar a personagem da maneira como tínhamos imaginado, mas deixamos a porta aberta para várias possibilidades que seriam muito empolgantes de explorar, e espero que tenhamos essa oportunidade.
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