Tom the Postgirl era um dos jogos que eu mais aguardava nos últimos anos. Acompanhei o desenvolvimento do título desde a LudoNarraCon 2024 e joguei, basicamente, todas as demos disponibilizadas antes dele finalmente ser lançado no dia 29 de outubro para PC e Nintendo Switch. Para este review, avaliei o game no Nintendo Switch 2, por meio da retrocompatibilidade.
E o motivo do meu interesse era até bem simples: gosto de jogos diferentes, ou “estranhos”, que tragam propostas muito únicas. Aqui você acompanha Tom, uma carteira que precisa entregar encomendas na sua cidade. Você, como o jogador principal, deve fazer essas entregas corretamente e bisbilhotar e a vida alheia.
Basicamente, essa é a premissa do jogo. Não tem puzzles, fases super elaboradas nem nada do tipo. Ele se concentra apenas na arte milenar de fofocar sobre a vida alheia.
Por si só, essa já é uma ótima ideia de jogo, mas obviamente que, para ser considerado um título peculiar, ele precisava ter algo bem diferente do comum. O fato de você invadir a privacidade dos outros abre precedente para as mais diversas bizarrices que se pode imaginar, acompanhando famílias muito estranhas fazendo coisas mais estranhas ainda…
E é esse tom, com o perdão do trocadilho, que me fez criar grande expectativa por Tom the Postgirl: o mistério de não saber o que está acontecendo naquela cidade e o fato de que esses segredos são, em sua maioria, pouco convencionais.
A gameplay completa dura em torno de 4 a 5 horas, isso se você não for complecionista e tentar pegar todos os troféus existentes no jogo (que também estão disponíveis na versão de Nintendo Switch). A história é bem linear, tal qual o mapa, e não há muito para explorar além do que é apresentado em cada fase.
A parte mais legal de Tom the Postgirl é, sem dúvida, a sua beleza gráfica. A proposta é toda diferente, por vezes fofinha, por vezes macabra, o que traz uma identidade visual bem única para o jogo. Depois, vem o humor: são situações tão bizarras que é difícil não se pegar rindo em diversos momentos.
Mas, fora isso, o game é bem simples. Não há muitos comandos para decorar, tampouco segredos escondidos que precise de um tutorial para você conseguir desbravar. É literalmente ir do ponto A ao ponto B seguindo a direção que a própria jogatina condiciona.
E, bom, essa talvez seja uma oportunidade perdida, mas por se tratar de um game com um escopo pequeno, acredito que a forma como ele foi construído funciona perfeitamente na proposta que o estúdio Oopsie Daisies quis apresentar.

A história dentro da história
Se a gameplay não tem muita inventividade, a história certamente vai muito além do que você poderia esperar de um jogo como esse. Tudo começa com esse mistério em torno de Tom e termina em uma reviravolta que eu, particularmente, já esperava, mas que mesmo assim me surpreendeu.
Surpreendeu porque não sei se esse era o melhor caminho. Definitivamente, acredito que pela forma como a história é construída e o suspense que se cria em torno de Tom, seria mais interessante um caminho grotesco e aterrorizante do que o caminho da ficção.
Não que ficção não seja algo interessante, mas, de fato, algo mais macabro e maquiavélico casaria melhor com tudo o que vimos até o fim do jogo. Acredito que o encerramento poderia ser melhor, mas entendo a proposta e acho que ela deixa em aberto possibilidades para o futuro.
Quanto às casas que visitamos, todas têm boas histórias. Sinto que algumas ideias interessantes ficaram pelo caminho, nas demos anteriores, mas que aqui ainda encontramos muitas experiências divertidas e malucas.
Gosto muito também do antagonista que acompanha Tom ao longo da jornada no jogo. É realmente um elemento interessante e que consegue subverter expectativas.
Veredito
Um game curto, mas cheio de personalidade, Tom the Postgirl é uma ótima escolha para quem gosta de fofocar sobre a vida alheia, principalmente quando muitos segredos estranhos acompanham essa jornada. Por mais que eu acredite que poderia ter seguido um outro caminho, a trama ainda consegue cativar e trazer boas surpresas no final.
3,8 / 5,0
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Assista ao trailer:
Ficha técnica de Tom the Postgirl
Lançamento: 29 de outubro de 2026
Desenvolvido por: Oopsie Daisies
Publicado por: ARTE France
Plataformas: PC (via Steam) e Nintendo Switch
Número de jogadores: 1
Gêneros: Aventura, Casual, Indie, Romance Visual
Idiomas: Japonês, Inglês britânico, Francês, Alemão, Italiano, Espanhol, Coreano, Português, Russo, Chinês Simplificado, Espanhol Latino-americano, Francês Canadense, Português Brasileiro, Inglês Americano, Polonês
Preço: R$ 37,49
