REVIEW – Toy Story: Retro Roundup! é uma boa coletânea para conferir a evolução dos jogos de 1990 e começo dos anos 2000

Diversos jogos que marcaram a trajetória de uma das franquias mais amadas da Disney e da Pixar nos videogames agora estão reunidos em Toy Story: Retro Roundup! Desenvolvida pelo estúdio Digital Eclipse e lançada pela Atari no dia 15 de outubro, ambas especialistas em jogos retrô, a coletânea já está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2, plataforma na qual joguei para fazer essa análise.

A coleção de jogos é vendida tanto individualmente nas lojas digitais de cada plataforma, como também em mídia física ou digital com o pacote Toy Story: Retro Roundup! + Toy Story 3 Complete Edition Double Pack. Já publicamos a análise da remasterização de Toy Story 3, e você pode conferir o review aqui.

A nova coletânea inclui 11 versões de jogos para consoles e portáteis, contemplando os seguintes títulos: Toy Story (1995), Toy Story 2: Buzz Lightyear to the Rescue! (1999), Toy Story 2 (1999), Buzz Lightyear of Star Command (2000), Toy Story Racer (2001) e A Bug’s Life (1998). Além dos games, também traz diversos materiais que recuperam o legado do desenvolvimento de cada jogo e da franquia num geral, como caixas, manuais, ilustrações e o principal: entrevistas com quem contribuiu para essa rica jornada, que agora em 2026 completou 31 anos.

Um dos grandes destaques de Toy Story: Retro Roundup! é a evolução da técnica de emulação, que aqui não apenas roda todos os jogos muito bem, mas também traz recursos que tornam mais agradável a experiência mesmo nas modernas Smart TVs. A coletânea oferece filtros CRT na maioria dos títulos, e LCD nos mais modernos em 3D, além de possibilitar mudar as dimensões da tela, emulando bem a sensação de estar jogando na tela original de um portátil, numa TV de tubo dos anos 1990 ou numa dos primórdios das telas LCD.

Já havíamos falado sobre esse ponto positivo em nosso vídeo de primeiras impressões sobre a coletânea, que tivemos acesso durante a nossa cobertura da gamescom 2026, na Alemanha. Confira aqui a partir de 8min45s.

As cores de alguns jogos podem ser cansativas de olhar em seus tons originais, e aí que os filtros se tornam grandes acertos da Digital Eclipse, que conseguiu fazer com que a customização entregue o que for mais agradável para cada estilo de jogador. Outro aspecto positivo é a possibilidade de definir que a renderização seja até 4 vezes maior do que a original. Isso reduz o serrilhado, faz com que os visuais sejam um pouco mais definidos e, por consequência, também mais agradáveis ao olhar numa TV com tela grande e moderna. A sensação positiva também se aplica ao modo portátil no Nintendo Switch 2, melhorando a experiência também nessa tela menor.

Um outro recurso de jogabilidade criativo trazido pela desenvolvedora é o Modo Treino, que permite que você assista à gameplay automática, algo muito útil para uma coletânea de jogos antigos que costumam ser bem desafiadores, especialmente para um público que talvez esteja tendo o primeiro contato apenas agora. O diferencial está na possibilidade de você assumir o controle no momento que quiser durante esse vídeo automático da jogabilidade.

Apesar de gostar muito disso, considero negativo que o seu progresso a partir do Modo Treino não possa ser salvo, sendo necessário ir pelo caminho habitual do jogo para replicar o que foi feito no treinamento. Poderia haver essa integração, mas, por outro lado, não chega a ser completamente prejudicial por conta de outro recurso: os códigos de trapaça do Rex.

Esses cheat codes permitem habilitar uma série de facilidades em cada jogo, como vida infinita e desbloqueio de todas as fases. Então isso evita que você fique preso numa área por seguir tendo dificuldade de realizar determinada ação mesmo após ter visto a gameplay no Modo Treino, possibilitando que você vá para a próxima fase mesmo que não consiga passar de determinado desafio.

Outro recurso comum em coletâneas é a possibilidade de rebobinar alguns segundos, realmente útil quando se está jogando títulos antigos, o que ajuda bastante a conhecer bem toda a experiência sem precisar voltar consideravelmente, ou até mesmo do zero, caso dê game over.

Além disso, as entrevistas que fazem parte da coletânea também são muito legais, um verdadeiro presente para fãs de Toy Story e também para quem se interessa por desenvolvimento de jogos. As conversas exclusivas foram feitas com Jason Katz, roteirista-chefe da Pixar; Jim Hanks, dublador; Luigi Priore, vice-presidente/diretor-geral da Disney e Pixar Games; e Jon Burton, fundador da TT Games, estúdio que ajudou a dar vida a essas aventuras.

A entrevista que mais me chamou atenção foi a de Jim Hanks, irmão do ator Tom Hanks (dublador do Woody no idioma original), em que ele explica a técnica que aplica para soar como Tom em todos os conteúdos de Toy Story, visto que o irmão dubla o personagem “apenas” nas animações. Jim também conta como foi o processo de gravar os jogos, algo que gostei muito de conhecer.

Mas para além dos recursos técnicos e dos conteúdos pensados especialmente para os fãs, temos também o núcleo dessa história toda: os jogos! Vamos então analisar cada um deles, inclusive a surpresa extra relacionada ao filme Vida de Inseto (A Bug’s Life).

Toy Story (1995)

Baseado no primeiro filme lançado no mesmo ano, o jogo de Toy Story fez parte dos catálogos do Super Nintendo e do SEGA Genesis (o nosso querido Mega Drive). O game conta com versões lançadas nos Estados Unidos (NTSC), na Europa (PAL) e no Japão, e o do SNES ainda tem uma versão definitiva que juntou os recursos de todas. Senti falta de uma explicação didática das diferenças entre as versões, algo que poderia ter sido feito numa maneira similar ao Modo Treino, mostrando vídeo e destacando os aspectos técnicos e as diferenças de conteúdos em cada uma, ou ainda ser um vídeo único que resumisse tudo em poucos minutos.

Em relação ao jogo em si, gostei bastante porque é um típico plataforma 2D raiz realmente desafiador, fazendo com que o recurso de rebobinar seja essencial. Esse game de 1995 impressiona pela qualidade técnica para a época, pois simula um visual 3D para tentar ser mais fiel à notável experiência do CGI da animação levada às telonas dos cinemas naquele ano, mesmo que a experiência seja 2D de rolagem horizontal. O momento dessa simulação 3D num ambiente 2D que talvez seja o mais marcante é a fase de corrida usando o carrinho CR.

Toy Story também contou com um jogo para o Game Boy no mesmo ano, ainda a versão monocromática do console, algo bem comum nos anos 1990 e 2000 para não deixar de fora o público do console portátil, mesmo que isso significasse entregar uma experiência completamente diferente. É interessante conhecer para ver na prática como essas adaptações eram feitas, mesmo que essa versão seja bem menos atrativa que as demais atualmente.

A Bug’s Life (1998)

Faz muito sentido ter os jogos de A Bug's Life na coletânea desenvolvida pela Digital Eclipse e lançada pela Atari
A Bug’s Life de PS1 com filtro CRT e borda simulando TV tubo | Créditos: Atari / Divulgação

Você pode estar se perguntando: por que A Bug’s Life está numa coletânea dedicada a Toy Story? A resposta vem do fato de que o filme Vida de Inseto foi lançado pela Pixar em 1998, entre o primeiro e o segundo longa-metragem de Toy Story. Naquela época era comum que fossem desenvolvidos jogos para contar a mesma história dos cinemas nos videogames, com eventuais “licenças poéticas” para fazer com que a jogabilidade tivesse mais sentido.

Então, a Pixar estava revolucionando o cinema de animação graças aos avanços da computação gráfica, o que também se traduzia nos games. A Bug’s Life foi lançado nesse contexto para PlayStation e Game Boy Color, plataforma na qual a experiência é completamente diferente por ser um plataforma 2D tradicional limitado às capacidades técnicas do hardware portátil.

Eu comecei estranhando um pouco o jogo para PlayStation, pois o visual cheio de serrilhados e pixels pontiagudos (além da jogabilidade um tanto truncada) evidenciam que o primeiro jogo 3D da Vida de Inseto era um experimento que pavimentaria o caminho para outros jogos de franquias da Disney/Pixar que seriam lançados nos anos seguintes e estão nessa coletânea.

A Bug’s Life do PlayStation começa bem linear, exigindo que você chegue de um ponto ao outro, mas sem deixar claro seus atrativos para além desse trajeto. Aos poucos o game se mostra bem interessante para a época, com puzzles envolvendo levar sementes para diferentes partes da fase e alternar seus tipos para resolver os desafios. Por vezes o protagonista Flik consegue uma colheitadeira para usar como arma para matar os insetos inimigos, que ressurgem após alguns segundos.

O jogo também se arrisca mais ao fazer com que você precise ir e voltar pelas fases, embora em alguns momentos entregue uma experiência confusa. No geral, é um game que vale bastante ser conhecido para entender a evolução dos jogos 3D e das adaptações de filmes para os videogames.

Há também a versão de A Bug’s Life para Game Boy Color. Também se mostra interessante e criativo pra época, mas hoje em dia é bem limitado de jogar. Vale conhecer porque não é só um plataforma 2D de rolagem horizontal, oferecendo momentos que exigem também a combinação com puzzles para passar determinadas partes, mas longe de ser um game marcante para aquela geração.

Toy Story 2: Buzz Lightyear to the Rescue! (1999)

A versão de PlayStation desse jogo foi o que me fez querer muito conferir essa coletânea, pois na infância foi o único título aqui presente que tive a oportunidade de jogar algumas vezes na casa de amigos, pois não tinha PS1 à época. Foi muito bom experienciar esse ambicioso game para aquele período, e fica bem evidente a evolução de A Bug’s Life para esse, mesmo com apenas 1 ano de diferença entre os dois lançamentos.

Toy Story 2: Buzz Lightyear to the Rescue! é um plataforma 3D marcante que te permite explorar bem os cenários mais importantes do segundo filme da franquia enquanto controla Buzz Lightyear. É possível atirar laser, correr contra o CR, enfrentar robôs e muito mais. A qualidade gráfica é surpreendente, lembro até hoje como foi marcante ver esse jogo rodando no PS1 quando criança, e acredito que visualmente se sustente bem até hoje.

Apesar dos méritos no visual, ainda há alguns aspectos datados, especialmente as duas opções de câmera. Mesmo a visualização passiva, que te permite girar em torno do Buzz, é meio limitada e às vezes movimenta o personagem junto, fazendo ele cair se estiver em alguma plataforma, por exemplo. Outro problema é o eixo invertido que te obriga a mover para baixo para a câmera ir para cima, algo ruim nos momentos em que precisamos atirar com o laser e que infelizmente não pode ser alterado.

Toy Story 2: Buzz Lightyear to the Rescue! é o grande destaque da coletânea Retro Roundup!
Toy Story 2: Buzz Lightyear to the Rescue! é o grande destaque da coletânea | Créditos: Atari / Divulgação

Toy Story 2 (1999)

Toy Story 2 também conta com uma versão para Game Boy Color, que aqui não tem o subtítulo presente no PlayStation e é um plataforma de rolagem 2D com puzzles e tiro, mas com mecânicas um tanto confusas. Jogá-lo hoje em dia infelizmente mostra todas as limitações impostas pelo hardware. Vale conhecer mais pela curiosidade de ver a evolução dos jogos.

Buzz Lightyear of Star Command (2000)

Outro exemplo de jogo com duas versões bem diferentes é Buzz Lightyear of Star Command, que foi lançado para PlayStation e Game Boy Color. O para PS é em 3D, enquanto que o de GBC é 2D visto de cima, mas apesar da abordagem diferente, ambos se assemelham pela essência de ser um misto de ação, corrida e plataforma com o objetivo de derrotar diversos inimigos, pegar diversos itens (como moedas, escudos, aceleradores, diferentes tipos de munição, colecionáveis, entre outros) e chegar em até 15 segundos após o chefão da fase cruzar a linha de chegada.

Após finalizar a corrida à frente do adversário ou dentro desse tempo limite, chega o momento de enfrentá-lo em ambos os jogos. Esse jogo é muito interessante em ambas plataformas porque foi uma grande experimentação misturando gêneros e conseguindo adaptar bem a essência tanto em 3D, como em 2D. Além disso, a lógica do progresso exige que você volte nas fases para rejogá-las, a fim de conquistar objetivos necessários para liberar novas fases, algo muito difícil de fazer sem que precise jogar novamente pelo menos uma vez.

Toy Story Racer (2001)

Também um exemplo de jogo com experiências muito diferentes entre a versão de PlayStation e de Game Boy Color.

O jogo para PS é ótimo e possui vários modos que, para aquela época, chega a ser surpreendente, em especial um tipo Battle Royale que a cada volta você não pode ficar em último, desclassificando 1 dos 6 corredores. O game oferece inicialmente 4 personagens (Woody, Buzz, CR e Betty) e diversos outros desbloqueáveis conforme você vai subindo nos blocos com fases e obtendo os 2000 bonecos de Soldados do Exército, garantindo muitas horas de diversão.

Toy Story Racer foi construído de uma maneira que você precise usar todos os personagens, pois chega um momento em que não haverá nenhum desafio liberado para determinado brinquedo, sendo necessário escolher outro para seguir vencendo as fases e conquistando os Soldados. A física do jogo também é um ponto forte, embora apresente algumas dificuldades atualmente, para a época foi realmente ousada e muito bem feita.

Por sua vez, a versão de Game Boy Color é datada, mas não deixa de ser interessante porque foi um jogo realmente complexo de ser feito. Esse é um exemplar notável de corrida 2D por conta da qualidade técnica para fazer a movimentação fluir bem e de maneira responsiva desafiadora para aquela época, também sem ter quedas de performance.

Veredito

Toy Story: Retro Roundup! reúne diferentes versões de 5 jogos de Toy Story e 1 de Vida de Inseto numa coletânea que também inclui bons materiais de acervo e entrevistas, fazendo com que seja um presente para fãs de ambas franquias. Entrega ainda uma ótima experiência para quem gosta de jogos retrô e para quem tem curiosidade de conferir na prática a evolução gráfica e técnica dos games lançados entre 1995 e 2001, em especial o caminho pavimentado por A Bug’s Life para que o lendário Toy Story 2: Buzz Lightyear to the Rescue! fosse possível.

Nossa nota

3,8 / 5,0

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Assista ao trailer:

Ficha técnica de Toy Story: Retro Roundup!

Lançamento: 15 de outubro de 2026

Desenvolvido por: Digital Eclipse

Publicado por: Atari

Plataformas: PC (via Steam), Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X|S

Número de jogadores: 1 a 2 (local)

Gêneros: Coletânea, Ação, Corrida, Plataforma 2D, Plataforma 3D, Puzzle

Idiomas: Japonês, Francês, Alemão, Italiano, Espanhol, Coreano, Holandês, Russo, Chinês Simplificado, Espanhol Latino-americano, Português Brasileiro, Chinês Tradicional, Inglês Americano, Polonês

Preços (jogo individual): R$ 75,95 (PC, Xbox One e Xbox Series X|S), R$ 76,95 (Nintendo Switch e Nintendo Switch 2) e R$ 79,90 (PlayStation 4 e PlayStation 5)

Preços (Double Pack com Toy Story 3 Complete Edition): R$ 102,95 (Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, Xbox One e Xbox Series X|S), R$ 104,32 (PC) e R$ 105,50 (PlayStation 4 e PlayStation 5)

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