Orbitals se tornou um fenômeno com grande expectativa assim que foi anunciado em dezembro de 2025. O motivo? Ser um jogo cooperativo com estilo artístico nostálgico que remete ao aconchego de manhãs tranquilas assistindo aos animes clássicos dos anos 1990, criado manualmente pelo Studio Massket.
O game de estreia do estúdio japonês Shapefarm imediatamente entrou no radar de todo mundo que já possuía ou planejava comprar um Nintendo Switch 2, pois é exclusivo dessa plataforma. Outro fator que fortalecia o hype é o fato de que o título é publicado pela Kepler Interactive, a mesma por trás dos lançamentos de joias indie como Tchia, ou “quase indie” (AA, talvez?) como o Jogo do Ano 2025, Clair Obscur: Expedition 33.
Eis que Orbitals foi lançado no dia 3 de setembro por R$ 169,00 na versão digital via Nintendo eShop, podendo ser jogado localmente no mesmo console, via GameShare ou ainda online usando o Passe de Amigo Global (Global Friend’s Pass), que é gratuito para que outra pessoa que não tem o game possa jogar junto.
Além do recurso gratuito, outro elemento que merece destaque logo no começo da análise é a ótima localização para o português do Brasil, que contou não apenas com legendas e traduções dos menus, como também dublagem em PT-BR.
Aqui na Emerald Corp jogamos Orbitals no cooperativo local em tela dividida, e tecnicamente o jogo funcionou muito bem, com tempos de resposta precisos e raros casos de quedas de framerate e, mesmo quando ocorreram, não foram prejudiciais à jogabilidade a dois.
O estilo artístico escolhido é muito interessante por ser autêntico e entregar uma encantadora identidade visual própria, ao mesmo tempo em que consegue ser familiar. A estética anime também foi uma ótima escolha porque ajuda a evitar eventuais problemas de polimento gráfico, especialmente em meio à gameplay que por vezes inverte a posição da câmera ou conta com muitos elementos em tela.
Este review foi possível graças ao apoio da Nuuvem, o maior marketplace de jogos digitais da América Latina, que é nossa parceira e forneceu o código para analisarmos Orbitals. Transparência: se você comprar o jogo por este link, nós receberemos uma comissão.
Com Maki e Omura como protagonistas, Orbitals entrega desafios e puzzles inteligentes e que não se repetem nessa jornada que pode durar entre cerca de 6 a 10 horas, a depender das habilidades da dupla e do quão bem ambas pessoas se comunicam para superar as fases. Embora alguns quebra-cabeças sejam similares, sempre há algum elemento que os diferenciem, evitando que a experiência se torne monótona.
A variedade de puzzles é bem agradável: há desafios rítmicos inspirados em arcade; temos outros essencialmente cooperativos em que uma pessoa precisa realizar determinada ação para que a outra em seguida faça algo, e assim ambos consigam avançar; há momentos em que um jogador deve controlar a nave e atirar um tipo de explosivo enquanto o outro precisa atirar com a metralhadora e um outro ataque de impacto; entre outras situações.
Os desafios que envolvem camadas, com um player num andar acima e outro abaixo, são os meus favoritos e também os que mais exigem comunicação entre a dupla. Num desses ambientes uma pessoa precisa usar a arma de água para apagar o fogo do chão no andar superior, mas o caminho fica livre por poucos segundos, exigindo muita coordenação.

Vale destacar que Orbitals não é nada punitivo. Quem morre volta instantaneamente no mesmo local, ou um pouco antes dependendo da situação. Ou seja, o jogo é uma constante experiência de tentativa e erro, exigindo sempre que ambos players se conversem e observem atentamente os cenários, pois raramente há alguma instrução do que fazer.
Essa falta de instruções é proposital para que as duas pessoas efetivamente conversem, a fim de pensarem em como resolver um puzzle ou sincronizarem seus movimentos para superar um desafio, o que por aqui consideramos algo bem positivo. Há um quebra-cabeça específico que exige que seu personagem morra, o que é curioso e, de fato, demanda um pouco mais de atenção para resolvê-lo.
Outro ponto positivo de Orbitals é que Maki e Omura possuem as mesmas habilidades, embora tenham personalidades diferentes. Nada no jogo está atrelado a um protagonista específico, deixando livre para que você e sua dupla escolham quais armas a cada missão, ou quem vai pilotar a nave enquanto a outra pessoa fica responsável pela metralhadora.
Orbitals é eficiente para ser uma jornada rápida, mas joga no seguro em alguns de seus acertos
A ambientação nostálgica e aconchegante do primeiro jogo da Shapefarm é um convite para explorar cada canto da nave e das fases. Mas assim que você explora dois ou três ambientes percebe que não há colecionáveis ou itens que serão úteis na aventura, apenas pequenas interações fofas (ou zoeiras) com NPCs.
Logo, o brilho da exploração se torna uma pequena frustração, mesmo que os cenários e a trilha sonora sejam encantadores e convidativos. Nesse quesito, Orbitals peca por jogar excessivamente no seguro, não dando praticamente nenhum atrativo para que você e sua dupla saiam por aí explorando os locais que, embora lineares, oferecem algum potencial para que você eventualmente desvie sua rota.
Digo praticamente porque há um único motivo para você direcionar o olhar para além da descoberta de como resolver um puzzle nas fases, que é pontualmente encontrar algum minigame que poderá ser jogado quando você retornar à nave. Mesmo assim isso também não é suficiente, porque quando a dupla finaliza a história, todas as salas com minijogos são abertas, de modo que acaba não fazendo sentido buscar pelos passatempos durante a jornada, tirando o brilho também de rejogar um capítulo para tentar encontrar o que faltou desbloquear.
Os cenários são lindos e bem construídos, portanto havia espaço para oferecer algum tipo de recompensa, mesmo que fosse você coletar moedas para trocar por cosméticos, ou então um sistema de objetivos dentro do próprio jogo, visto que o Nintendo Switch 2 não possui de maneira nativa no console.
Os momentos de transição de dentro para fora da nave, e vice-versa, são curtos e lineares. Estar na nave serve apenas para decidir quem irá pilotar e quem será responsável por atirar. Decidido isso, logo estaremos orbitando pelo espaço rumo ao próximo objetivo, e isso costuma ser uma jornada curta, de menos de 5 minutos.
No entanto, essa lógica acontece diversas vezes na jornada, o que por vezes é maçante, especialmente quando o ritmo é quebrado por uma tela de carregamento e pouco depois mais outra. O loading é relativamente rápido, algo em torno de 5 segundos, mas por acontecer em diferentes momentos da jornada, e por vezes próximos um do outro, acaba sendo cansativo.
Outro aspecto que Orbitals arrisca pouco é a história. O encerramento, que não darei spoiler, é bom e convida a refletir sobre autonomia e liberdade individual, seja num âmbito micro na relação entre pessoas da própria família; como também macro ao pensar sob a ótica de governos tiranos que tentam impor ideologias e restrições com o argumento de que “é o melhor” para a população.
Mas para chegar até o bom encerramento temos um enredo contido que não desenvolve o bom potencial que tinha em mãos. Aqui também podemos dizer que isso acontece por conta das interações com os NPCs, que são limitadas e nada recompensadoras, como mencionei antes.
As cutscenes são belas e o trabalho de dublagem foi muito bem feito, mas as interações são curtas e diversas vezes bem humoradas para tornar a jornada mais leve, tirando o peso que se pensou para o encerramento, ainda que o próprio término também possua sua leveza. O jogo deixa bem claro que haverá uma reviravolta e pode ser devastadora, mas a maneira como tudo acontece reduz o impacto do que parecia ser urgente.
Acredito que a escolha por esse desenvolvimento contido tenha sido para que duas pessoas consigam jogar e relaxar num fim de semana, aproveitando essa jornada de curta duração e podendo pular as cutscenes para focar especificamente na gameplay. No entanto, para quem tem a possibilidade de jogar pausadamente, apreciando todas as cinemáticas e fazendo sessões ao longo de vários dias (como foi o nosso caso), a experiência deixa um gostinho de quero mais.
Espero que essa expectativa criada em relação à exploração e ao enredo, mas não entregue de acordo com todo o potencial demonstrado, signifique que Orbitals terá continuidade e será mais ousado nesses aspectos num possível segundo jogo dessa bela propriedade intelectual que 2026 nos reservou.
Veredito
Orbitals entrega uma experiência cooperativa em plataforma 3D muito competente, com desafios inteligentes e agradáveis de solucionar, fruto também do estímulo para que a dupla de jogadores converse constantemente. No entanto, não aproveita plenamente o potencial de seus ambientes e do enredo, deixando um gosto agridoce ao concluir a jornada, mas também de esperança para que uma eventual sequência se arrisque mais.
4 / 5
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Assista ao trailer:
Ficha técnica de Orbitals
Lançamento: 3 de setembro de 2026
Desenvolvido por: Shapefarm
Publicado por: Kepler Interactive
Plataforma: Nintendo Switch 2
Número de jogadores: 2 (local e online)
Gêneros: Ação, Aventura, Cooperativo, Plataforma 3D, Quebra-cabeça
Idiomas: Português (Brasil), Japonês, Francês, Alemão, Italiano, Espanhol, Coreano, Russo, Chinês Simplificado, Espanhol Latino-americano, Chinês Tradicional, Inglês Americano, Polonês
Preço: R$ 169,00. Global Friend’s Pass gratuito para que outra pessoa possa jogar com você via internet.
