Jogos de fantasia em mundo aberto sempre me trouxeram uma imersão única diante de seus ambientes e inúmeras possibilidades de exploração. Dentre tantos já lançados, The Witcher 3: Wild Hunt (2015) me proporcionou uma experiência única e, por algum momento, achei que poderia ter essa mesma experiência em outro jogo, pelo qual criei uma enorme expectativa antes de seu lançamento: Cyberpunk 2077 (2020).
Diante de seu lançamento desastroso e da minha enorme decepção com a CD Projekt Red, achei que nunca mais teria aquela mesma experiência fascinante que tive em The Witcher 3.
No entanto, para minha surpresa, eis que em 2022 surgiu uma nova empresa polonesa chamada Rebel Wolves e que agora, no dia 3 de setembro, lançou seu primeiro projeto para PC, PlayStation 5 (plataforma em que o joguei) e Xbox Series X|S: The Blood of Dawnwalker. O estúdio reúne ex-funcionários da CD Projekt Red e, também para minha surpresa, tem como diretor Konrad Tomaszkiewicz, que foi o diretor de The Witcher 3.
Diante disso, minha expectativa com esse novo projeto foi às alturas, pois sabia que esse jogo teria potencial para me proporcionar a mesma experiência que vivi no mundo de The Witcher 3: Wild Hunt. E, meus amigos, já adianto que The Blood of Dawnwalker cumpre essa expectativa que eu tinha em relação a essa nova franquia de um modo genuinamente alucinante. O jogo conta com uma história fantástica, escolhas e decisões que realmente afetam a narrativa, e uma jogabilidade que definitivamente arrisca criar algo que fuja do padrão de simplesmente apertar um botão ao léu e esperar a ação.
Em The Blood of Dawnwalker assumimos o papel de Coen, um mineiro de prata de Laslea, que vê sua vila ser cercada pelos vampiros liderados por Knyaz Brencis. Em meio a uma peste negra que assola a região, Brencis utiliza seu sangue vampírico para conceder imunidade à doença e, com isso, submete os habitantes de Laslea ao seu domínio, obrigando-os a entregar seu sangue diariamente em troca da sobrevivência.
Coen, porém, não aceita viver sob essa tirania vampiresca. Após Brencis sequestrar sua família e destruir sua vila, o protagonista se vê diante da difícil missão de resgatá-los. Para isso, ele terá apenas 30 dias para encontrar sua família e enfrentar o domínio do Knyaz de Vale Sangora.
Desse modo, assumimos o controle de Coen, que durante o dia possui habilidades humanas e, à noite, habilidades vampirescas. Essa dualidade que o jogo desenvolve é muito boa e traz uma dinâmica interessante tanto para o combate, quanto para as decisões na narrativa.
É diante dessa história envolvente que o jogo acaba se destacando por estimular a urgência do jogador em priorizar o enredo principal de resgatar a família de Coen e ter bastante atenção ao assumir alguma side quest que não envolva o enredo central. Isso porque o jogo apresenta um ciclo de dia e noite que se passa dentro desses 30 dias, e sua passagem de tempo só avança conforme você conclui cada missão, seja ela uma side ou main quest. Há um relógio que realiza essa contagem do ciclo de dia e noite até chegar ao 30º dia, quando acontecerá o grande confronto com Knyaz Brencis.

Esse foi um dos destaques que realmente me ganhou no jogo: sua história e sua mecânica de, a todo instante, colocar o jogador na posição de priorizar o resgate de sua família, mas, ao mesmo tempo, deixá-lo à vontade para seguir outras missões. O jogo deixa claro a todo instante e te pressiona reforçando que seu tempo está passando e que, caso tome uma decisão errada, essa ação terá consequências no desenvolvimento central da narrativa.
A qualidade narrativa é algo realmente impecável, pois, mesmo nas sidequests, os diálogos são muito bons e os personagens secundários realmente me cativaram conforme seu desenvolvimento ia sendo destrinchado. Esse era um dos aspectos que mais me entretinham em The Witcher 3, e que aqui são igualmente bem construídos. As missões secundárias não parecem estar ali apenas para inflar o jogo e oferecer mais conteúdo que não faz diferença para a experiência.
Em nenhum momento em que seguia essas missões secundárias me senti entediado ou as fiz apenas de modo razoável, sem me envolver. Pelo contrário, a todo instante ficava instigado a descobrir qual seria o desfecho dessas side quests.
Com relação ao mundo, o jogo apresenta um mundo imenso, vivo e repleto de segredos, com uma atmosfera medieval fantástica muito bem construída, o que deixa tudo ainda mais interessante para ser explorado e permite que, a todo instante, algo novo e fascinante seja apresentado ao jogador.
Por exemplo, em determinado momento estava seguindo para uma side quest, mas me deparei com um grupo de ladrões assaltando dois idosos. Isso acabou me tirando completamente da missão que estava seguindo, pois decidi parar e salvar aqueles idosos. Esse mundo vivo, que a todo instante apresenta situações acontecendo ao seu redor, me lembrou bastante a minha jornada em Red Dead Redemption 2 (2018), que possuía uma proposta semelhante.
Jogabilidade desafiadora, mas vale se dedicar para aprender
Em relação à jogabilidade, temos um sistema que não segue o aspecto tradicional de simplesmente apertar um botão a esmo e ver o personagem realizando uma ação em loop. Pelo contrário, aqui o combate segue algo similar ao de Kingdom Come: Deliverance II (2025), no qual cada ataque realmente transmite a sensação de impacto, assim como acontece durante a defesa.
Por exemplo, toda vez que você realiza um ataque, é necessário direcionar a espada ou as garras, quando estiver no modo vampiro, para a direita ou para a esquerda utilizando o R1 e, ao mesmo tempo, direcionar o analógico para o lado em que deseja realizar o ataque. Do mesmo modo, quando for realizar uma defesa, é necessário pressionar L1 e direcionar o analógico para a esquerda, direita, cima ou baixo, dependendo da direção em que o ataque do inimigo estiver vindo.
Inicialmente, tive muita dificuldade para aprender o ritmo dessa jogabilidade, pois ela é um pouco complicada até que você se familiarize com seus comandos. Apesar de ter levado um certo tempo para pegar o jeito, gostei bastante depois que consegui entender suas mecânicas e pegar as manhas do combate.
Acredito que essa jogabilidade irá dividir a opinião dos jogadores que não gostam desse estilo de combate. Mesmo tendo dificuldade para aprendê-la no começo, gosto de jogos que exploram novas possibilidades no controle para desenvolver um novo tipo de combate e, aqui, essa proposta acabou funcionando muito bem para mim.
Ainda falando do combate, um aspecto que acabou me deixando muito decepcionado foram os bugs durante as lutas. Em diversos momentos, acabei morrendo simplesmente porque o personagem travou em alguma parede invisível. Mesmo executando o comando de esquiva com precisão, o personagem simplesmente não saía daquele lugar. Isso acabou sendo algo que também acontecia em The Witcher 3 e que, aqui, segue do mesmo modo.
Assim como algumas das coisas boas que tínhamos em The Witcher 3 foram aprimoradas aqui, os aspectos negativos relacionados aos bugs também parecem ter sido replicados. Em certos momentos, parecia que eu estava jogando um jogo de 2015 por conta dos problemas, seja durante a jogabilidade ou nas animações dos diálogos dos personagens, quando suas vozes não estavam sincronizadas com os movimentos dos lábios.
Em outras situações, durante a exploração, simplesmente me deparei com uma vaca voando, lembrando aquele famoso meme do cavalo voando em The Witcher 3. Sinceramente, acredito muito que esse bug não tenha sido proposital por causa do meme de 2015, mas, ainda assim, isso acabou me arrancando uma gargalhada por me fazer lembrar daquela época.
Veredito
Apesar da minha comparação excessiva com The Witcher 3, The Blood of Dawnwalker é um jogo que, mesmo contando com profissionais que trabalharam na CD Projekt Red, conseguiu fazer algo completamente novo e apresentar uma história memorável. Isso me proporcionou uma das melhores experiências que tive até agora em 2026 e, com toda a certeza, estará entre os meus candidatos aos melhores jogos do ano.
Estou muito ansioso pelos próximos trabalhos que a Rebel Wolves irá nos entregar, pois em sua estreia o estúdio conseguiu desenvolver uma experiência excelente, que me deixou imerso nesse mundo de vampiros de uma maneira muito empolgante. Desse modo, The Blood of Dawnwalker não é apenas um The Witcher com vampiros, mas sim uma nova franquia que estreia de forma genuinamente muito boa.
5 / 5
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Assista ao trailer:
Ficha técnica de The Blood of Dawnwalker
Lançamento: 3 de setembro de 2026
Desenvolvido por: Rebel Wolves
Publicado por: Bandai Namco
Plataformas: PC (via GOG e Steam), PlayStation 5 e Xbox Series X|S
Número de jogadores: 1
Gêneros: Aventura, Fantasia, Mundo Aberto, RPG de Ação
Preços: Edições a partir de R$ 303,50 (PC) e R$ 399,90 (PlayStation e Xbox)
