CRÍTICA – Bons personagens, mas pouco desenvolvimento marcam o 2º ano de O Gerente da Noite

Uma série de excelente qualidade, e que terminou há 10 anos, pode ter uma segunda temporada convincente? Esse é o desafio de O Gerente da Noite, produção que retorna com um novo capítulo para a história de Jonathan Pine

O novo ano também marca a volta de Tom Hiddleston, Olivia Colman e do showrunner David Farr, dessa vez tendo como casa o Prime Video. Ao contrário da primeira temporada, que era inspirada no romance homônimo de John le Carré, aqui o argumento é inédito e criado por Farr.

Na história, 9 anos após os acontecimentos que levaram à captura de Roper (Hugh Laurie), Pine (Tom Hiddleston) vive agora com o nome de Alex Goodwin e trabalha para o MI6. Entretanto, ele não consegue deixar o passado de lado e, após certos acontecimentos, começa uma investigação que o coloca no caminho de Teddy (Diego Calva).

Em busca de entender um grande plano que envolve desde armamentos até o governo, Jonathan vê em Roxana (Camila Morrone) a possibilidade de uma aliança. Esse relacionamento coloca ambos em uma disputa que envolve poder e também muita desconfiança.

Em um apanhado geral, a nova temporada repete um pouco da estrutura de seu ano anterior e busca criar uma trama que convida o espectador a querer se surpreender. 

Digo querer porque, em inúmeros momentos, é muito provável que você consiga deduzir o que vai acontecer a seguir. Até mesmo uma das grandes reviravoltas é apresentada de maneira um tanto simples.

É possível dividir essa temporada em 2 pontos: os 3 primeiros e os 3 últimos episódios. Os últimos concentram boa parte das cenas de ação e suspense. Entretanto, os primeiros constroem bem mais os personagens e suas motivações, mesmo que muito do que é construído não seja desenvolvido mais pra frente…

Desta forma, o encerramento é um dos poucos momentos em que o roteiro se permite abraçar, em partes, o inesperado. E tudo isso só funciona graças ao excelente trabalho de Tom Hiddleston e Diego Calva.

Ator veterano, Hiddleston conhece o personagem como ninguém e consegue transitar muito bem pelos vários papéis que precisa desempenhar ao longo da temporada. Seja a proposta de espião charmoso que troca olhares com Teddy e Roxana, seja nas cenas de ação, Hiddleston é o showman aqui e não deixa a desejar em nenhum momento.

Ajuda muito o fato de que ele e Calva possuem uma ótima química em tela, mesmo que algumas decisões do roteiro sejam um pouco equivocadas. O trio com Roxana é outra ótima escolha, e as cenas dos três juntos são as mais divertidas da temporada.

Calva é um dos destaques, certamente uma ótima adição ao elenco. Seu personagem possui muitas camadas e traumas, e seu sofrimento muito lembra o que nos atraiu em Pine na primeira temporada. E talvez essa falta de profundidade em Pine seja um dos grandes problemas desse retorno.

Isso porque, por mais que as cenas sejam belíssimas e o elenco também, falta algo que consiga alcançar um certo impacto. Para além do suspense, séries de espionagem costumam despertar o nosso interesse, fazer com que a gente fique na ponta do sofá e torça para que o mocinho se dê bem no final.

E por mais que o roteiro aqui tente revisitar o que deu certo na franquia, ele erra em não encontrar algo real e atrativo o suficiente para que o público relembre por que se apaixonou por Pine.

E essa falta de profundidade se estende também no contexto da série, que deixa de explorar um tema importante e super atual, que é a interferência de outros países na política, economia e estabilidade local. Tudo fica apenas na superfície, sendo uma oportunidade perdida.

Já renovada para uma terceira temporada, o novo ano pavimenta o caminho para o que parece ser uma boa ideia de encerramento. Entretanto, talvez seja necessária uma revisão mais apurada da história, encontrando um argumento que reaproxime o espião de seu público. 

Veredito

10 anos após a sua primeira temporada, O Gerente da Noite retorna para um segundo ano um tanto morno e com poucas surpresas. O grande destaque acaba ficando para o elenco, que além de excelente, possui uma ótima química em tela.

3,5 / 5,0

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Assista ao trailer:

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