He-Man é um personagem que dispensa apresentações para os fãs dos anos 1980 e 1990. De maneira unânime, todos sabem que foi uma febre que surgiu como uma linha de brinquedos da Mattel e, como consequência do sucesso, ganhou uma animação memorável que foi reprisada inúmeras vezes na TV aberta brasileira nesse período.
Com isso, a franquia já havia ganhado uma adaptação em 1987 que eu lembro de, quando criança, ficar muito frustrado diante do quão ruim o filme foi, não tendo nada daquilo que vi no desenho animado. Sem falar da caracterização dos personagens, que ficou aquém do produto original.
Corta para 2026 e temos Mestres do Universo (Masters of the Universe) como uma nova adaptação da obra, que se expandiu para outras mídias, mas que até 4 de junho deste ano não havia tentado ser novamente adaptado ao cinema. Confesso que, diante das primeiras imagens divulgadas da produção e, consequentemente, dos trailers, nenhum material atraiu minha atenção, pois achava que a produção dirigida por Travis Knight não seria no mínimo digna, e acabei não indo ao cinema vê-la.
No entanto, após chegar ao streaming Prime Video em 22 de julho, decidi assistir ao novo longa sem muita expectativa e acabei sendo surpreendido com um filme extremamente divertido, que me deixou contente do início ao fim.
Dito isso, em Mestres do Universo temos um longa que traz toda a essência da clássica animação do universo de He-Man de maneira leve, divertida e em uma produção muito bem realizada, seja no elenco, no design dos personagens ou até mesmo nas cenas com CGI, que são muito bem feitas e, em comparação com as últimas produções da Marvel, mostram que os filmes da Casa das Ideias andam muito aquém do que já vimos.
Em Mestres do Universo, o príncipe Adam (Nicholas Galitzine) deve salvar o reino de Eternia de uma ameaça mortal: as artimanhas do vilão Esqueleto (Jared Leto) e seu exército malévolo. Para conseguir proteger todos aqueles que ama, o jovem herdeiro do trono precisa recuperar uma espada mítica e finalmente se tornar o guerreiro conhecido como He-Man.
Desse modo, a premissa é desenvolvida de maneira muito sucinta e não perde tempo em contar a lore do universo de He-Man, o que acaba sendo ótimo. Inicialmente, por um momento, eu achei que o enredo não fosse se passar no mundo de Eternia, mas a parte em que o longa acontece na Terra é bem rápida e aproveita para desenvolver o príncipe Adam de maneira genuinamente engraçada.
Aqui, no mundo real, Adam é retratado como um nerd aficionado por uma espada que o levará de volta a Eternia. Com isso, ele acaba sendo desacreditado a todo instante por seus colegas de trabalho ou até mesmo em um encontro amoroso.
Eu gostei muito dessa desconstrução feita com o personagem e da escolha por desenvolvê-lo primeiro como um mero nerd desengonçado para, depois de alguns acontecimentos, seu real potencial ser trabalhado aos poucos com mais vigor quando retorna ao seu mundo. Mas, como disse inicialmente, tudo é desenvolvido de maneira muito leve e divertida e captura a aura da animação oitentista.

Outro ponto interessante é como o mundo de Eternia é retratado de maneira muito fiel e com cores vibrantes, mesclando de forma única o gênero de espada e feitiçaria que o universo de He-Man possui. Com relação ao núcleo de personagens secundários, todos são muito bem desenvolvidos, tendo cada um o seu devido tempo de tela para contribuir de forma mais contundente com a trama do filme. Sem falar do carisma que os atores carregam em suas interpretações.
Além disso, um dos grandes destaques do filme é o antagonista Esqueleto, que é genuinamente bem representado e acaba roubando a cena toda vez que aparece com seus trejeitos e sua risada icônica. O vilão aqui é simplesmente a pura representação do mal e não apresenta nenhuma justificativa para sua maldade.
Assim como na animação, ele é mau por ser genuinamente a personificação da maldade, e isso acaba sendo retratado no longa de maneira sombria e, ao mesmo tempo, engraçada, o que acabou me cativando. Além de seus momentos de pura vilania, suas cenas cômicas são muito bem dosadas e realmente muito engraçadas. Esse aspecto de não humanizar o vilão acabou sendo mais um dos tantos destaques do filme.
Em relação às cenas de ação, temos sequências muito bem coreografadas e empolgantes, que parecem ter saído de algum anime de ação. Aqui não temos aquelas cenas em que não conseguimos ver nada por conta dos enquadramentos fechados. Pelo contrário, as lutas são muito bem elaboradas e utilizam o slow motion de maneira bastante dosada.
Outro fator que contribui para essas cenas empolgantes é a trilha sonora eletrizante de Daniel Pemberton, que entrega uma composição épica com riffs de guitarra irados tanto nas cenas de ação, quanto nos momentos mais contemplativos. Assim como fez um excelente trabalho em Devoradores de Estrelas, suas faixas aqui também são memoráveis.
Veredito
De modo geral, Mestres do Universo é um longa que não tem vergonha do seu material original e o adapta de maneira genuinamente divertida, com ótimas cenas de ação e um enredo sem enrolação. É uma adaptação que me deixou contente do início ao fim e me arrancou boas gargalhadas. Além disso, todo o elenco convence na forma como dá vida a esses personagens tão icônicos e memoráveis da cultura pop.
5 / 5
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Assista ao trailer:
