O jogo Realm of Ink surgiu do trabalho conjunto entre as desenvolvedoras Leap Studios e Maple Leaf Studio com publicação feita pela 4Divinity. O game foi lançado inicialmente em acesso antecipado em 2024 para PC (via Steam), e agora teve o lançamento da versão 1.0 no dia 26 de maio para a mesma plataforma (e também via Epic Games Store) e consoles PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch.
Inspirado na arte tradicional chinesa, sua história é sobre a espadachim Red que, enquanto caça uma Raposa Demoníaca, descobre que seus caminhos são ditados pelo Espírito do Livro. Buscando romper as correntes que prendem seu destino essa guerreira irá lutar contra esse espírito e se libertar do Reino de Tinta para reescrever a sua história.
Esta análise diz respeito à minha experiência jogando a versão para PlayStation 5 e não tem spoilers da história.
Considero esse jogo um dos indies mais divertidos deste ano e alguns fãs podem encontrar semelhanças com títulos como Hades. Entretanto, Realm of Ink tem uma identidade própria e explora através de seus elementos visuais um repertório cultural que torna essa experiência belíssima.
Sobre a gameplay, o primeiro ponto que impressiona está relacionado aos comandos de combate serem muito responsivos, nos permitindo explorar a combinação entre ataques físicos e mágicos. Isso significa que não vamos durante o combate ficar preso na animação de um ataque enquanto existe a urgência de nos defender, e isso funcionando bem.
Neste jogo temos duas formas de enfrentar os inimigos, sendo elas as armas para o corpo a corpo e os tesouros de tinta que são os artefatos mágicos. As armas estão atreladas às formas de combate, isso se conecta ao estilo da protagonista e os personagens desbloqueáveis ao vencer os chefes das fases.
Para evitar revelações da narrativa, um bom exemplo do funcionamento da mecânica é a protagonista Red. Suas armas são uma espada e as lâminas gêmeas resultando em uma personagem cujo ponto mais forte é ser ágil criando ataques que podem servir para atingir um único adversário ou realizar o controle de grupos.
O combate físico é brilhante, porém o que realmente me encantou foi realizar essa conexão ofensiva com os tesouros de tinta que possuem as raridades comum, raro, épico e lendário. Os elementos são fogo, água, terra e metal sendo que quanto mais raro for o tesouro, mais bônus a personagem recebe.
Ao equipar um tesouro, o Momo (nosso mascote de tinta) assume uma forma diferente que pode ser aperfeiçoada com relíquias durante a run. Melhorar o seu Pet de Tinta reforça o dano dos combos, mas é interessante que mesmo o tornando muito forte não ficamos tão dependentes dele, sendo necessário dar atenção à sinergia entre Red e o companion.

Realm of Ink é um roguelite, então a sua progressão na história e a melhoria de personagem estão diretamente relacionadas a avançar por um bioma escolhendo entre caminhos até encontrar o chefe. Portanto, o objetivo durante essa tentativa é acumular melhorias passivas, Inkir, para desbloquear transformações e nesse processo criar uma build para encarar o inimigo final.
Esse componente de buildcraft é crucial para que a jogabilidade não entre na monotonia ou a repetição acabar refletindo diretamente na experiência do jogador. Mesmo que seja temporariamente, é um processo divertido criar combinações e explorar o máximo que pode ser oferecido entre tantas opções muito interessantes.
A dificuldade dos inimigos é satisfatória, oferecendo um desafio tanto nos adversários de run que podem ser derrotados, como nos chefões. O comportamento deles não é altamente imprevisível, porém é perceptível que ele funciona para nos colocar nas situações mais desconfortáveis, e isso é muito divertido.
O desempenho no PlayStation 5 é excelente sem queda de frames, bugs ou algum comportamento não natural de inimigos. Pontos mais técnicos como o level design são excelentes, tendo sua própria ambientação, cores e iluminação além da fluidez dos movimentos conectadas com a proposta de um pincel sobre tela.
A história é um brinde ao folclore chinês tendo um dos seus pilares referência a obra Liaozhai Zhiyi, cuja primeira publicação ocorreu em 1740. Ao se inspirar nisso, eles criam a base narrativa ideal para que a grande motivação de Red seja não ser apenas parte de uma história, mas ter o livre arbítrio de controlar os rumos da sua própria jornada.
Veredito
Realm of Ink é uma experiência de jogo que me agradou imensamente pela sua mecânica de jogo criativa, por ser visualmente impressionante e explorar lindamente os elementos culturais do seu folclore, enquanto desenvolve uma narrativa de muita qualidade, resultando em uma diversão completa.
5 / 5
Assista ao trailer:
Ficha técnica de Realm of Ink
Lançamento: 26 de maio de 2026 (versão 1.0) / 27 de setembro de 2024 (acesso antecipado no Steam)
Desenvolvido por: Leap Studios e Maple Leaf Studio
Publicado por: 4Divinity
Plataformas: PC (via Epic Games Store e Steam), Nintendo Switch, PlayStation 5 e Xbox Series X|S
Número de jogadores: 1
Gêneros: Roguelite de Ação
Idiomas: Português (Brasil), Inglês, Chinês simplificado, Chinês tradicional, Francês, Alemão, Espanhol (Espanha), Japonês, Russo
Preços: R$ 73,99 (PC e Nintendo Switch), R$ 121,95 (Xbox), R$ 142,50 (PlayStation)
