REVIEW – Luna Abyss encanta pela direção de arte e ambientação sombria

Luna Abyss é um jogo de tiro em primeira pessoa (FPS), plataforma 3D e foco narrativo que chama atenção à primeira vista por conta da direção de arte e personagens sombrios. O game iniciou seu desenvolvimento como parte do estúdio Bonsai Collective, que foi comprado pela publisher britânica Kwalee em setembro de 2025, passando a integrar o portfólio da empresa com o nome de Kwalee Labs.

A Kwalee é uma publicadora que tem se destacado bastante no mercado de jogos indie nos últimos anos. A empresa lançou ótimos games como Voidwrought e The Precinct, e após ter conhecido parte da sua equipe e dos seus títulos na gamescom 2024, passei a acompanhar ainda mais de perto e fiquei bem satisfeito por ver essa união entre a publisher e o estúdio Bonsai Collective.

Estou de olho no desenvolvimento de Luna Abyss desde junho de 2023, quando conheci o título durante o Steam Vem Aí e trouxe minhas primeiras impressões aqui, destacando que imediatamente me chamou atenção. A versão completa do jogo foi lançada no dia 21 de maio para PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Game Pass.

O aspecto visual é o grande trunfo do game desde a sua versão demo, que já disponibilizava taxas de quadro (FPS) desbloqueadas e integração com DLSS da NVIDIA, e conseguia entregar visuais e performance sólidos. A direção de arte e o polimento de tudo é ainda melhor trabalhado agora no jogo completo.

A história acompanhada a jornada da personagem Fawkes, prisioneira sentenciada a explorar uma megaestrutura desabitada que se estende por baixo da superfície de Luna, um simulacro de lua. A missão envolve recuperar tecnologias que ficaram esquecidas dentro do Abismo e da antiga colônia que ele consumiu, sempre vigiada pela guarda prisional artificial, Aylin.

Já no preview que escrevi aqui na Emerald Corp em 2023 destaquei que a atmosfera, o enredo e a jogabilidade me lembraram diferentes franquias como Metroid Prime, Quake e Nier Automata – essa última especialmente por conta da aparência de alguns personagens e do indício de que a história tinha potencial para ser algo marcante.

De fato, o jogo completo entrega uma grande mistura dessas franquias, com elementos narrativos capazes de lhe remeter a diversos clássicos não apenas dos videogames, como também do cinema e da literatura. O Pai de Todos e outros personagens próximos a essa figura misteriosa exercem, por exemplo, uma pressão com sua onipresença ao serem mencionados, de modo similar ao que vemos com o Grande Irmão e Goldstein na obra atemporal 1984, de George Orwell.

Tal qual 1984, aqui em Luna Abyss também vemos uma história escrita pensando num futuro aparentemente distópico (transportar a humanidade para viver numa espécie de lua), mas que atualmente já existem acontecimentos na vida real que indicam que talvez essa distopia não seja tão mirabolante. A maneira como os flashbacks são inseridos na aventura também lembram muito o que as distopias mais famosas desenvolveram em clássicos do cinema e da televisão.

Embora o jogo traga esses elementos, é inegável que se trata de uma ficção sombria, pois há diversas criaturas bizarras que um dia foram seres humanos, mas agora são recortes de diferentes espécies com a capacidade de falar. Alguns são humanóides integrados a uma base que simula o corpo de uma aranha, enquanto outros são um quadrúpede (lhama, cavalo, minotauro?) com a cabeça de um machado.

Esses seres ficcionais foram transformados a partir do Flagelo, o trágico destino da cidade de Greymont que um dia foi próspera, fazendo com que praticamente tudo virasse escuridão e desgraça. Aqui também é possível fazer paralelos com literatura e religião, de modo que a experiência tem tudo para ser familiar conforme o seu repertório, mas ao mesmo tempo ter a própria identidade sombria.

Direção de arte, trilha sonora, design de áudio e performance são pontos fortes de Luna Abyss
Uma linda direção de arte e… Estrela da Morte, é você? | Créditos: Emerald Corp

Uma boa mistura entre FPS e desafios plataforma

A ambientação sombria e os visuais extremamente bem polidos podem lhe levar a crer que Luna Abyss é um jogo assustador, mas não é. Não há qualquer tipo de jumpscare na aventura.

O game equilibra bem os gêneros plataforma 3D, FPS e o foco na narrativa, fazendo com que a ação não seja intensa a todo momento, mas brilhe muito em todos os chefes.

A jornada é praticamente linear, pois há pouco incentivo para que você explore os ambientes. Eu considero isso um ponto fraco, pois cada local é tão bem feito que poderia haver alguma motivação a mais além dos registros que aprofundam o enredo e de cristais escondidos que só fazem sentido para quem realmente quer fazer 100% do jogo.

A variedade de inimigos não é muito grande em Luna Abyss. O trunfo da jogabilidade FPS está justamente na mistura com os desafios de plataforma 3D e a mistura entre os poucos tipos de adversários, especialmente contra os chefões.

Eu demorei 15 horas para concluir o jogo na dificuldade bastião (padrão) dentre as quatro disponíveis, que são a narrativa (muito fácil), sentinela (fácil) e flagelo (difícil). Acredito que pela segunda hora do game você já saberá se gosta ou não da jogabilidade FPS, visto que se torna previsível saber quando os inimigos aparecerão. Não considerei um problema porque gostei muito da dinâmica, mas reconheço que a experiência pode parecer repetitiva para quem espera ação a todo momento por se tratar de um jogo shooter.

Apesar da repetitividade, quem espera pela ação intensa terá uma boa recompensa em cada enfrentamento contra chefes. É excelente a maneira como o jogo mistura todos os inimigos em meio aos combates contra um grande adversário ao mesmo tempo em que oferece objetos pelos cenários que servem como pontos para você pular de um lugar ao outro, quase como se estivesse jogando Marvel’s Spider-Man.

E aqui vale um outro destaque importantíssimo: a performance de Luna Abyss tanka os momentos mais caóticos contra os chefes mesmo jogando com a qualidade máxima (cinematográfica).

No entanto, um aspecto do shooter que não achei intuitivo é a maneira para trocar as armas.

São 4 armamentos disponíveis no jogo todo que você encontra pouco a pouco na aventura, e quando você passa a ter 3 se torna mais complexo alterar usando o mouse. É possível trocar rolando o scroll (algo que o jogo não ensina, mas é comum no gênero) e também segurando tab e movendo o mouse sem o cursor aparecer sobre o menu de seleção, que fica ladeado e não no centro da tela.

Experimentei jogar com o controle e achei bem mais eficiente a maneira de trocar de arma, bastando apertar os direcionais do analógico para fazer a mudança. Com mouse e teclado, senti falta da possibilidade de associar cada arma a botões específicos do teclado. Faria total sentido colocá-las nos números 1, 2, 3 e 4 para alternar rapidamente, por exemplo.

Apesar disso, aproveitei a maior parte do game usando mouse e teclado.

Fora dos momentos de embate contra os inimigos, Luna Abyss entrega uma jogabilidade afiada com ótimos desafios de plataforma, alguns exigindo muita agilidade nos dedos, outros focando na precisão de seus movimentos.

Fawkes pouco a pouco adquire habilidades que valorizam o gênero, como a possibilidade de possuir estruturas que vão desde esferas (chamadas Vigias) para que você use de fato como uma plataforma, até mesmo se interligar a uma espécie de vagão para deslizar pelos trilhos e pular de um ao outro como se estivesse jogando Sonic.

Luna Abyss é um primor técnico em todos os sentidos

Além dos percalços mencionados em relação à experiência como shooter, Luna Abyss também tem ressalvas em relação à história. O enredo é interessante, mas um tanto complexo, e creio que essa complexidade se deva ao fato de que faltou desenvolver algo melhor.

Talvez se o começo do prólogo apresentasse um pouco de Fawkes ainda na Terra a sensação fosse diferente. Os personagens poderiam ser mais importantes para o público, e enredo poderia ser mais impactante, fortalecendo também a importância das dezenas de registros que podem ser encontrados pelo jogo.

Por outro lado, o final da narrativa também deixa um mistério que poderá ser desenvolvido numa sequência, se essa for a intenção da Kwalee Labs. Há potencial para uma nova jornada promissora, bem como também uma prequel de Fawkes na Terra, apesar de que essa ideia talvez seja mais difícil de construir sem perder a essência da maravilhosa ambientação que somente Luna é capaz de entregar.

As melhores qualidades de Luna Abyss são a direção de arte, a ambientação sombria, o design de áudio e a performance. São pontos tão positivos que fazem valer explorar Luna e seus mistérios mesmo que shooter não seja o seu gênero favorito, ou que você espere ação desenfreada por ser um jogo FPS.

Luna Abyss é o jogo de estreia do estúdio Kwalee Labs, parte da publisher britância Kwalee, e mistura FPS, plataforma 3D e narrativa
Ótimo exemplo de cores e luz em contraste com a escuridão em Luna Abyss | Créditos: Emerald Corp

Há tantos cenários lindos e com detalhes de iluminação muito bem trabalhados em meio à escuridão que fazem com que a experiência seja marcante. Também existem alguns momentos em ambientes claros, igualmente lindos, mas que foram os únicos contextos em que a qualidade cinematográfica apresentou alguma queda de frames. Nada muito brusco, mas que optei por mudar para a segunda melhor qualidade (épica) para ter mais consistência, e que mesmo assim entregou belos visuais.

Veredito

Luna Abyss conta com um dos melhores trabalhos de direção de arte de 2026, entregando uma atmosfera sombria e misteriosa muito bem acompanhada por uma bela trilha sonora e um ótimo trabalho de áudio como um todo. O jogo oferece um equilíbrio entre ação, desafios plataforma e desenvolvimento narrativo que me agradou, mas pode parecer leve e repetitivo para quem prioriza adrenalina a todo momento em jogos de tiro.

Nossa nota

4,2 / 5,0

Receba um resumo das principais notícias do entretenimento e uma curadoria de reviews e listas de filmes, séries e games todas as quartas-feiras no seu e-mail. Assine a Newsletter da Emerald Corp. É grátis!

Assista ao trailer:

Ficha técnica de Luna Abyss

Lançamento: 21 de maio de 2026

Desenvolvido por: Kwalee Labs

Publicado por: Kwalee

Plataformas: PC (via Steam), PlayStation 5, Xbox Series X|S e Game Pass

Número de jogadores: 1

Gêneros: Ação, Bullet Hell, Plataforma 3D, Tiro em Primeira Pessoa (FPS)

Idiomas: Português (Brasil), Inglês, Francês, Alemão, Espanhol (Espanha), Chinês simplificado, Japonês, Coreano, Russo, Chinês tradicional, Polonês

Preços: R$ 88,99 (PC), R$ 145,95 (Xbox), R$ 169,90 (PlayStation). Gratuito para assinantes do Xbox Game Pass.

spot_img

Artigos relacionados