REVIEW – Pragmata: a ficção científica da Capcom que traz um verdadeiro frescor aos videogames

O ano de 2026 vem tendo grande importância para a exploração espacial, assim como pela bem-sucedida missão Artemis II da NASA, realizada em abril. A cultura pop também vem alinhada a esse momento tão emblemático, seja com o excelente filme Devoradores de Estrelas, seja com outras galáxias tão distantes que ainda teremos Duna: Parte Três no final deste ano.

Nos videogames, finalmente tivemos o lançamento de um jogo que, por um momento, achei que havia entrado em algum buraco negro, por pensar que nunca mais veria a luz do dia. Felizmente, ele foi lançado sem nenhum bug ou outro problema: falo da incrível nova propriedade intelectual da Capcom chamada Pragmata, jogo lançado em 17 de abril para PC, Nintendo Switch 2, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.

Minha experiência com o jogo foi no PlayStation e já destaco logo de início que Pragmata atendeu minhas expectativas cultivadas desde o seu primeiro trailer lançado em junho de 2020, que imediatamente me fisgou pela sua temática de ficção científica.

Em Pragmata, acompanhamos uma equipe de astronautas chegando a uma estação de pesquisa na Lua, mas, logo ao adentrarem essa instalação, eles se tornam alvos da Inteligência Artificial que controla a estação e são atacados por um grupo de androides. Apenas o astronauta Hugh consegue sair vivo desse ataque e passa a contar com a ajuda da androide Diana para fugir da estação, derrotar a IA e retornar à Terra.

É diante desse enredo simples e direto que Pragmata brilha ao entregar uma jornada de fuga repleta de ação e desafios que não tornam a experiência frustrante. O jogo apresenta um excelente design de fases, muito bem desenvolvido e funcional em sua execução durante a exploração, tudo realizado com muita qualidade, visuais impressionantes e uma gameplay excepcional. Soma-se a isso a dinâmica entre Hugh e Diana, que acaba sendo muito cativante e emocionante.

Essa relação entre Hugh e Diana vai muito além de uma parceria para sair dessa situação de perigo e, conforme você avança, esse vínculo vai se desenvolvendo para algo mais paternal, o que acaba tornando a narrativa ainda mais emocionante, assim como ocorre em The Last of Us e Death Stranding.

Pragmata entrega um jogo praticamente perfeito em sua execução, apresentando uma fluidez que, em um cenário ideal, deveria ser o padrão da indústria atual: lançar o produto final sem bugs ou problemas de otimização, especialmente quando se trata de um título AAA. O jogo se destaca justamente por cumprir com excelência aquilo que todo projeto desse porte deveria oferecer ao consumidor final.

Em relação à gameplay, o jogo também se destaca por mesclar uma experiência de tiro em terceira pessoa, no estilo de Resident Evil 4, com a dinâmica de hackeamento conduzida por Diana. Durante a ação, o jogo abre uma tela para a resolução de puzzles direcionados ao inimigo, que devem ser solucionados em tempo hábil antes que a janela se encerre. Comparo esses quebra-cabeças ao clássico Snake, lançado para os celulares Nokia, no qual controlamos uma cobrinha em busca de uma maçã. Aqui, no entanto, em vez da serpente, temos o sistema dos inimigos sendo hackeado por Diana.

Isso porque, conforme você executa esses puzzles, mais dano o inimigo sofre ao finalizá-los. Esse aspecto da gameplay inicialmente confundiu meu cérebro até se acostumar com a dinâmica de atirar e hackear em um curto espaço de tempo, mas, após algumas horas de jogatina, eu já estava praticamente no automático, executando as duas funções paralelamente. Essa curva de aprendizado definida pelo jogo pode parecer confusa num primeiro momento, mas possui um ritmo muito rápido, fazendo com que logo o jogador já esteja plenamente adaptado à mecânica.

Pragmata é a nova propriedade intelectual da Capcom que traz gameplay diferenciada e muito bem refinada. Confira a crítica
Combate exige coordenação para realizar duas ações paralelamente | Créditos: Capcom / Divulgação

Quanto à dificuldade dos inimigos, Pragmata apresenta um balanceamento bastante eficiente, com chefes que oferecem desafios na medida certa, sem recorrer a picos de dificuldade excessivamente punitivos ou frustrantes. Ainda assim, o único confronto que realmente elevou o nível de tensão foi o chefe final. Suas duas primeiras fases possuem padrões de movimentação relativamente fáceis de memorizar. No entanto, a etapa final de sua transformação eleva significativamente o desafio, exigindo algumas horas de tentativa até a conclusão do combate.

E, por falar em ritmo de progressão, o jogo não possui uma longa duração para ser finalizado, ficando em torno de 8 horas, isso sem que você se dedique a coletar todos os colecionáveis e itens. O tempo da jornada principal se mostra ideal para a história proposta, pois em nenhum momento há partes arrastadas, seja em seu enredo principal, seja em seus minigames, que a todo instante não me deixaram cansado pelo excesso de repetições, como já vi em jogos desse porte que perdem tempo com side quests ou minigames que não acrescentam em nada ao enredo central.

Também merece destaque a atmosfera construída pelo jogo, aliada a uma direção artística primorosa. O design da estação lunar e dos personagens é impecável, transmitindo com perfeição a sensação de isolamento e solidão que permeia a experiência. Já o visual dos androides remete diretamente à estética dos robôs concebidos por Tsutomu Nihei em Blame!, evocando aquele aspecto frio, mecânico e ao mesmo tempo fascinante característico da obra.

Outro ponto que se mostra bastante atemporal, mesmo antes de seu surgimento como debate contemporâneo, e que já havia sido muito bem trabalhado em 2001: Uma Odisseia no Espaço, filme de 1968, é a preocupação do ser humano diante de inteligências artificiais que desenvolvem consciência e passam a ameaçar a própria humanidade. Em Pragmata, esse aspecto também é muito bem elaborado, ao apresentar uma IA maligna que basicamente adquire consciência para atingir seus próprios objetivos.

Além disso, outro elemento bastante contemporâneo em relação à nossa realidade são as impressoras 3D, que exercem um papel fundamental no enredo do jogo e são muito bem exploradas no design das fases, seja durante a exploração, seja nos confrontos contra chefes, que utilizam esse recurso para elevar o nível de dificuldade.

Veredito

Pragmata se consolida, até este momento de 2026, como um dos melhores jogos lançados, entregando um nível de qualidade singular em todos os aspectos: história, gameplay, gráficos e performance, sem apresentar qualquer problema de bugs, algo notável para um título desse escopo.

Em diversos momentos, a experiência acabou me remetendo à época em que jogava os títulos da série Mega Man X, reforçando o motivo pelo qual sempre amei essa mídia que são os videogames.

O jogo vai além de ser uma excelente obra de ficção científica, ao resgatar, de maneira simples e cativante, aquilo que torna sua execução tão brilhante e fluida, proporcionando uma experiência revigorante e trazendo um verdadeiro frescor aos videogames.

Nossa nota

5 / 5

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Assista ao trailer:

Ficha técnica de Pragmata

Lançamento: 17 de abril de 2026

Desenvolvido e publicado por: Capcom

Plataforma: PC (via Steam), Nintendo Switch 2, PlayStation 5 e Xbox Series X|S

Número de jogadores: 1

Gêneros: Ação, Aventura, Ficção Científica, Quebra-cabeças, Tiro em Terceira Pessoa,

Idiomas: Português (Brasil), Inglês, Francês, Italiano, Alemão, Espanhol (América Latina e Espanha), Árabe, Polonês, Russo, Chinês (simplificado e tradicional), Japonês, Coreano

Preços: Versões a partir de R$ 299,00 (PC, Nintendo Switch 2 e Xbox Series X|S) e R$ 299,90 (PlayStation 5)

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