CRÍTICA – O Diabo Veste Prada 2 é uma sequência essencial para os fãs

O Diabo Veste Prada 2 chega 20 anos depois e conta novamente com as estrelas Anne Hathaway, Meryl Streep, Emily Blunt e Stanley Tucci no elenco. David Frankel retorna na direção.

Hollywood sempre dá um jeito de trazer seus grandes astros de volta…

Quando foi anunciado o segundo filme de O Diabo Veste Prada, o pé atrás veio junto com o anúncio, pois era evidente que poderíamos ter caminhos óbvios como o mais e maior ou uma rivalidade entre Miranda (Meryl Streep) e Andy (Anne Hathaway).

Entretanto, com poucos minutos, já vemos que o caminho será bem diferente, o que é um grande acerto por parte dos roteiristas.

Na trama, o caminho de Andy e Miranda se cruzam novamente após uma forte crise no jornalismo e na mídia impressa. As duas devem trabalhar juntas para retomar a grandiosidade da, agora revista digital, Runway.

A sequência traz questões bastante relevantes: a decadência do jornalismo e a substituição do humano pelo digital, no caso as automações (ias) que roubam empregos e enxugam departamentos num piscar de olhos.

A perda de essência da arte, da comunicação e da moda é base do roteiro, que mostra como as fusões e o sucateamento dos empregos num geral destroem os sonhos de diversas pessoas, que tem apenas como sobra tentar se encaixar para não ter sua cabeça cortada.

Dentro desta proposta, temos um grupo de workaholics que abre mão de tudo para estar no topo. Miranda destruiu relacionamentos com maridos, com as filhas e com pessoas próximas para chegar lá. O custo foi alto, mas ela ama o que faz e tudo vale a pena.

Todos que fazem parte da vida de Miranda seguem o mesmo caminho, seja Andy e Emily, que querem chegar ao topo, seja por uma questão de princípios éticos que se distorcem, como é o caso da personagem de Hathaway, ou por meio de inveja ou até mesmo uma certa admiração por querer superar sua mestra, como é o caso Emily.

Já Nigel também busca o lugar mais alto do pódio, mas sua forma de chegar lá é a mais dura possível: com trabalho duro, engolindo seu orgulho e até mesmo sendo invisibilizado, continuando fiel e paciente, esperando sua hora de brilhar chegar, o caminho mais tortuoso e quase impossível no mundo corporativo.

Sobre o que funciona, as atuações e carisma dos personagens são o ponto mais alto do filme. Anne Hathaway e Emily Blunt são incríveis e conseguem ser o coração do projeto, uma vez que são mais emocionais e conseguem dar direção para os acontecimentos da história.

Entretanto, Stanley Tucci e Meryl Streep dão show, eles são monstruosos no nível altíssimo de atuação. Streep é magnética, com sua Miranda cheia de atitude e afiada com suas tiradas e decisões duras, difíceis, mas que são a força motriz da trama. Ela passa por altos e baixos nas mãos de chefes mesquinhos e representa os Boomers em tela, com sua resiliência.

Tucci é uma mistura perfeita do racional com o emocional, sem ser efusivo, tampouco insosso. Nigel é extremamente complexo e o ator entrega tudo no papel. Há um diálogo entre os dois que tem muito o que dito apenas com gestos, em uma cena emocionante.

O design de produção é impecável, uma vez que temos cenários grandiosos, figurinos extravagantes e investimento pesado para que O Diabo Veste Prada 2 seja o mais e maior que funciona, e isso realmente dá certo.

Sobre o que não funciona, várias situações soam bem artificiais, fazendo a obra ficar bem forçada em alguns momentos. Falta naturalidade em vários trechos do roteiro, levando os personagens de A para B com algumas dificuldade. Além disso, Emily é sub aproveitada e ainda tem um arco na virada do segundo para o terceiro ato que poderia ser melhor trabalhado ao longo do filme.

As adições do elenco também não surtiram efeito. Kenneth Branagh, B.J. Novak, Patrick Bammall, Justin Theroux e Simone Ashley acrescentam pouco, ora sendo apenas arquétipos, ora sendo escadas para algumas mudanças no texto.

Veredito

O Diabo Veste Prada 2 é divertido, emocionante e trabalha muito bem sua nostalgia sem ser apelativo demais aos fãs.

Quem já ama o primeiro filme, vai gostar bastante do segundo, pois a essência está aqui e as novas temáticas são importantes para apresentar os difíceis conceitos da tecnologia e a falta alma que vivemos em tudo. Vale demais a assistida!

Nossa nota

3,8/5,0

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Assista ao trailer:

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