CRÍTICA – Exit 8 é uma boa surpresa em adaptações de games para as telonas

Exit 8 é a adaptação do jogo homônimo para os cinemas e conta Genki Kawamura na direção e com Kazunari Ninomiya no elenco.

Em um ano com tantas adaptações de jogos eletrônicos importantes para indústria como Resident Evil, Mortal Kombat, Silent Hill e Street Fighter, os títulos menores precisam se destacar de algum jeito, seja com uma boa história ou pelo menos algo incomum. Exit 8 tem uma mistura dos dois elementos ao trazer uma trama peculiar de uma forma bem contada.

Usando elementos de Um Feitiço do Tempo com uma pitada de horror psicológico, o projeto imprime camadas importantes para uma imersão do espectador que praticamente “joga junto” com os personagens.

Um homem preso em um corredor de metrô procura a saída número oito. Para encontrá-la, ele deve rastrear as anomalias. Se vir uma, volta. Se não vir nenhuma, continua. Se ele se enganar, é enviado de volta ao seu ponto de partida.

O terror de Exit 8 não reside em criaturas malignas que saem dos becos escuros, e sim, de uma angústia profunda em tentativa e erro de um homem que já está sofrendo por conta de uma mudança drástica em sua vida. Ao vermos ele nesta jornada de dor contínua, ficamos com pena, apesar de, em um primeiro momento, torcermos o nariz pela apatia dele. O protagonista passa por diversos estágios: confusão, medo, raiva, frustração e esperança e vamos aprendendo com ele até ficarmos praticamente craques na narrativa e regras, tornando-o simpático ao nosso olhar.

Ao dar outras perspectivas, mostrando o mesmo drama por parte dos coadjuvantes, Exit 8 amplia sua história, trazendo outros pontos de vista e novas conexões para fazermos. O Homem Que Caminha é um grande exemplo, uma vez que ele é usado para o terror, mas ganha camadas no que se refere à trama ao sermos apresentados aos seus problemas, deixando-o humanizado. Entendemos tudo que ele passa até ficar completamente louco.

As atuações do filme são bem funcionais e entregam o que é necessário para nos mantermos de olho na tela. Os detalhes são muito importantes para Exit 8, que testa nossa paciência, uma vez que consegue emular o que o jogo representa, mesmo que seja de forma diferente, um mérito da direção que cria diversas formas de entreter e manter o público atento.

Mesmo com um cenário monótono, as anomalias deixam o filme tenso, com bastante ação e um formato interativo que funciona. Nos pegamos tentando desvendar os puzzles o tempo inteiro e cada vez mais intrigados, com vontade de jogar o game.

De negativo, quem não estiver muito a fim de entrar de cabeça na trama, com certeza vai se entediar rapidamente. A obra demora um pouco para acontecer e os mais ansiosos vão ficar inquietos até que tudo se ajeite e fiquemos mais intrigados do que entediados. Nada que atrapalhe, de fato, a experiência cinematográfica.

Veredito

Exit 8 é uma grata surpresa ao apresentar uma trama misteriosa e envolvente com um protagonista cheio de camadas. Com pouco orçamento, mas muita criatividade, o longa-metragem faz parte da prateleira das boas adaptações de jogos para as telonas.

Nossa nota

4,0/5,0

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Assista ao trailer:

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