CRÍTICA – Maldição da Múmia é uma versão soft de Evil Dead Rise sem o mesmo glamour

Maldição da Múmia é o mais novo longa-metragem do cineasta Lee Cronin, responsável pelo incrível A Morte do Demônio: A Ascensão e conta com Jack Reynor (Midsommar) como seu protagonista no projeto. A estreia nos cinemas brasileiros está marcada para 16 de abril de 2026.

Quando Lee Cronin foi escalado para fazer A Morte do Demônio, ou Evil Dead para os mais chegados, houve muitas críticas e receio de que o filme seria um fracasso, uma vez que estava cercado de nomes desconhecidos e poucas informações.

A obra veio e apresentou um homem decidido, que sabia gerar horror com a câmera na mão e que mostrava a violência de forma crua, brutal, misturando um humor sórdido com o sentimento de que o banho de sangue viria da melhor forma possível e veio, trazendo a franquia de volta para seu devido lugar de pertígio.

Em Maldição da Múmia, o diretor chegou com moral, mas os bastidores davam conta de que até James Wan retorceu os olhos e saiu embravecido da sessão teste por conta da baixa qualidade do longa. De minha parte, nem tanto ao céu, muito menos ao inferno.

Na trama, acompanhamos uma família que tem sua filha sequestrada no Egito por um grupo de pessoas misteriosas que carregam uma terrível maldição consigo. Oito anos depois, a menina volta mutilada e bastante diferente de como eles lembravam, com habilidades sobrenaturais mortais.

De positivo, o trabalho de direção é elogiável, com muitos efeitos práticos que deixam tudo mais próximo da realidade, com cenas genuínas de terror que vão revirar o estômago dos desavisados.

O gore é praxe, com vísceras expostas, mutilações e mortes que fazem o sangue escorrer pela tela. A mixagem de som também ajuda na experiência de Maldição da Múmia, com sons demoníacos, madeiras rangendo e barulhos de ossos quebrando e pele sendo arrancada. É um filme que precisa ser assistido no cinema.

A atuação de Laia Costa é um dos pontos altos de Maldição da Múmia, uma vez que ela consegue mostrar a dor e revolta de Larissa ao perder sua filha. Mesmo depois de encontrá-la, vendo sua prole daquela forma, a personagem hesita, tem medo e não consegue aceitar os fatos, agindo de forma impulsiva e descuidada, colocando sua família em perigo.

Já Jack Reynor abre os pontos negativos com uma atuação apática e completamente desprovida de emoção. Charlie, seu personagem, deveria estar cheio de culpa e raiva, e o ator não consegue transparecer isso em tela. Reynor está tão abaixo da intensidade do filme que nem parece estar presente em várias cenas de Maldição da Múmia. Parece que o ator não entendeu ou simplesmente não consegue executar seu trabalho, puxando o elenco para baixo. O mesmo vale para Hayat Kamille, que é uma vilã de quadrinhos ou de novelinhas de TikTok, entregando uma atuação estereotipada.

Maldição da Múmia tenta emular os mesmos caminhos de Evil Dead, o que tira sua individualidade, sem chocar com algo inédito. Além disso, a ameaça em si não é tão imponente, gerando um projeto mais do mesmo, criando um filme genérico de possessão demoníaca. Por mais a antagonista sobrenatural tenha alguma sacadas inteligentes, a falta de imprevisibilidade do enredo e as várias conveniências do texto, principalmente do ápice final, nos tiram da experiência, trazendo uma obra irregular que é bem truncada em seu primeiro ato, monótona no segundo e corrida no terceiro.

Veredito

Por mais que tenha uma direção muito competente, Maldição da Múmia decepciona por ter um roteiro meia-boca e pouca inventividade, mesmo que sua premissa seja interessante e que traga elementos que são poucos usados em questão de cultura pelo cinema estadunidense.

Lee Cronin se consolida como cineasta, mas precisa de um roteiro mais sólido para contar uma boa história. Aqui, não foi desta vez…

Nossa nota

2,7/5

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Assista ao trailer:

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