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    REVIEW – Pokopia recupera o brilho de encontrar Pokémon pelo mundo e se consolida como um system seller

    Um jogo peculiar e surpreendente tanto pela proposta de unir os monstrinhos de bolso aos gêneros cozy e simulação, como também pela Game Freak dar lugar ao desenvolvimento para a Koei Tecmo. Esse é Pokémon Pokopia, novo título da famosa franquia que completou 30 anos em fevereiro, lançado exclusivamente para Nintendo Switch 2 no dia 5 de março.

    Quem nunca quis interagir com Pokémon para além das batalhas e das mecânicas de amizade dos jogos da linha principal e de spin-offs como Legends: Z-A? Pokopia faz isso (e muito mais) a partir da perspectiva de um Ditto controlado por você num mundo que passou por uma calamidade e está envolto de mistérios. O principal deles é: onde estão os humanos e os outros monstrinhos?

    Cedo no jogo descobrimos que os Pokémon continuam existindo, pois passamos a interagir com o astuto Professor Tangrowth, que se lembra da existência de outros monstrinhos e que acredita que recuperar o ecossistema pode fazer com que mais criaturas decidam voltar aos seus habitats naturais.

    O terreno em que Pokopia pisa é estranho para o público e para os realizadores, pois a proposta é inédita e a jogabilidade de descobrir novos Pokémon e juntá-los à sua “equipe” precisou ser adaptada para os gêneros aqui explorados. Mesmo assim a Koei Tecmo soube como lidar com essa desafiadora responsabilidade muito bem, o que é curioso, pois o forte da empresa costuma ser intensos jogos de ação, como os excelentes Hyrule Warriors: Age of Imprisonment e Nioh 3.

    Talvez um dos grandes trunfos de Pokémon Pokopia seja sua primeira hora de jogo. Ali provavelmente todo mundo que jogar saberá se gosta ou não da proposta. E, a meu ver, o jogo encanta de imediato!

    Os primeiros minutos conversando com o Professor Tangrowth, me deparando com um Squirtle morrendo de sede e sem seus poderes aquáticos, e dando os primeiros passos com a habilidade Transform do Ditto para reconstruir os habitats foram suficientes para que eu sentisse algo que fazia um tempo que a franquia não me proporcionava: a alegria de encontrar Pokémon pelo mundo.

    Eu gostei muito da exploração de Pokémon Legends: Arceus (2022) e considero um ótimo jogo, mas há uma ressalva importante nesse título que é a qualidade gráfica. Tudo era novo na proposta desse que foi o primeiro título dos spin-offs Legends, o que por si só já era bem animador, mas os gráficos infelizmente tiravam um pouco do brilho a ponto de impedir que o game encantasse plenamente.

    A primeira vez que eu joguei algo da franquia foi Pokémon Yellow (1998) na infância e ali tudo era novo e divertido de descobrir pouco a pouco. O auge desse senso de descoberta para mim foi na 2ª geração, quando eu joguei por muitos anos o fantástico Pokémon Gold, assim como também fez parte de uma boa parcela da minha infância a excelente versão Crystal.

    Depois disso, a franquia ainda apresentou muitos jogos que me encantaram e que também foi prazeroso descobrir novos locais e, claro, novos Pokémon. Mas é público e notório que a marca não está em seu melhor momento quando o assunto é jogos de videogame, especialmente considerando o recorte de lançamentos a partir da geração Nintendo Switch.

    Acredito que isso pode mudar agora com o Nintendo Switch 2 e com Pokémon Ondas & Ventos, pois o pouco que vimos até aqui é empolgante demais, inclusive o título em português (finalmente). E, bem, Pokopia reforçou esse sentimento não apenas por ser um excelente jogo que leva a série a novos horizontes, como também porque as vendas estão sendo impressionantes, com 2,2 milhões de unidades vendidas logo nos primeiros 4 dias e notícias de que estão faltando exemplares em lojas ao redor do mundo devido à alta demanda (mesmo a versão física sendo Game-Key Card, formato que ainda encontra muita resistência por parte do público).

    Encontrar Pokémon voltou a ser mágico

    Lembra quando Pokémon GO foi lançado em 2016 e se tornou um fenômeno instantâneo que levou milhões de pessoas de todas as idades, até mesmo quem não era fã de Pokémon, às ruas de quase todos os países? O grande trunfo do jogo mobile foi unir o poder da franquia do entretenimento mais lucrativa da história com uma jogabilidade simples e prazerosa que valorizasse a experiência de capturar os monstrinhos e colecioná-los.

    Afinal, temos que pegar todos e ser um Mestre Pokémon, não é mesmo?

    Pois Pokopia consegue a mesma proeza de Pokémon GO e entrega mecânicas de jogo simples e prazerosas, considerando as diferenças de hardware e de gameplay, obviamente. É o equilíbrio perfeito entre ineditismo e o que o monster-catching mais popular do mundo fez de melhor ao longo dos seus 30 anos de legado.

    Um outro fator que gera proximidade é o fato de que já no início da jornada veremos Pokémon lendário. Eu não sei se dei sorte, mas o primeiro que eu vi foi o Ho-oh que eventualmente sobrevoa os biomas e deixa cair uma pena (Rainbow Feather) que precisamos pegar para futuramente usá-las em dinâmicas específicas. E aí a nostalgia falou mais alto, proporcionando uma emoção similar a de que quando assisti ao Ash vê-lo no primeiro episódio do desenho, num momento em que sequer se sabia o nome dessa criatura.

    Lugia também pode aparecer aleatoriamente sobrevoando o mapa para deixar sua Silver Feather cair para coletarmos, o que também é muito legal. E logo nas primeiras horas de jogo um outro Pokémon lendário aparece, tornando a experiência ainda mais especial.

    A escolha pelo Ditto como protagonista abriu um leque gigantesco de possibilidades. Afinal, seu único poder é se transformar e copiar habilidades de qualquer Pokémon. A cadência do progresso do personagem é muito agradável, pois há uma grande quantidade de habitats disponíveis no jogo, mas eles são inseridos pouco a pouco para que outras dinâmicas sejam bem exploradas.

    Por exemplo, logo de início aprendemos Water Gun com Squirtle para poder ajudá-lo e, na sequência, recuperarmos habitats para contar com o famoso trio de Kanto nos auxiliando. Bulbasaur chega para nos ensinar Leafage, e Charmander para usar a sua habilidade especial Burn e acender uma fogueira.

    Aproveitar os três iniciais de Kanto no começo de uma experiência é uma aposta segura e, ao mesmo tempo, genial por parte da Koei Tecmo. Bulbasaur, Charmander e Squirtle são familiares para todo mundo. Trazê-los cedo para um contexto que envolve um monstrinho menos conhecido como o Tangrowth (que aqui emula o Professor Carvalho e tantos outros professores da franquia) gera a proximidade que um jogo aconchegante de simulação precisa proporcionar ao público.

    Essa progressão inicial também já evidencia muito bem que nem tudo será resolvido pelo Ditto. Enquanto Leafage e Water Gun são aprendidos e nos acompanham por toda a jornada, será obrigatório contar com Pokémon com habilidades passivas como o Charmander e seu Burn para realizar determinadas ações. Esse momento também já reforça o fator gerenciamento que Pokopia possui, pois conforme você desbloquear novos biomas será preciso gerenciar sua “equipe” para levar consigo alguns monstrinhos para outras áreas, a fim de utilizar seus ataques específicos.

    Embora essa dinâmica seja divertida e um grande acerto, é também uma das poucas ressalvas do jogo.

    O uso de algumas habilidades não é muito inteligente. Por exemplo, Pokémon elétrico como o Mareep possibilita usar um ataque para acender lâmpadas e outros equipamentos elétricos. No entanto, é preciso realmente chegar perto do objeto a ponto de aparecer como se estivesse selecionado para que o monstrinho use seu poder. Outras habilidades, como Grow que faz as plantações crescerem imediatamente, funcionam com mais facilidade, bastando o Pokémon estar perto do local para ele identificar o que tem que ser feito.

    O novo jogo cozy de Pokémon está cheio de situações bem humoradas
    Momento em que Machoke ensina Strenght pro Ditto | Créditos: Emerald Corp

    O jogo introduz novas habilidades ao Ditto num ritmo agradável, mas não frequente. Isso não significa falta de novidades, pois há muitos Pokémon para descobrir e com eles passar a contar com novas habilidades. Há também monstrinhos que apresentam novas dinâmicas para essa evolução de poderes como o Greedent cozinheiro, aqui chamado de Chef Dente, mostrando que humor e criatividade são pontos fortes de Pokopia.

    O querido Chef Dente nos ensina a cozinhar alimentos que funcionam como power ups para tornar as habilidades do Ditto mais fortes e efetivas. O Leafage fortalecido, por exemplo, faz com que mais plantas surjam no solo, enquanto o Cut possibilita cortar objetos mais resistentes, como portões que bloqueiam áreas em diferentes biomas.

    Por falar em bom humor, a possibilidade de pular com seu personagem Ditto é ensinada sabe por quem? Por uma Magikarp! Detalhes como esses tornam o jogo mais divertido e irreverente, dando um brilho a mais a Pokopia.

    Eventos sazonais e Dream Islands em Pokopia

    Outra dinâmica bem interessante de Pokémon Pokopia envolve as Dream Islands, locais que oferecem itens diferenciados e importantes para a jornada. É possível visitar uma ilha dos sonhos por dia e, para isso, é preciso apresentar uma PokéDoll para o Drifloon, podendo voltar a ela a qualquer momento do dia em que for ativada. Bonecas diferentes modificam o destino da viagem, o que agrega mais importância a essa dinâmica.

    No momento em que escrevo essa análise está acontecendo o primeiro evento de Pokémon Pokopia, More Spores for Hoppip. Como o próprio nome destaca, Hoppip é a estrela dessa primeira ação especial dentro do game, bem como sua linha evolutiva, Skiploom e Jumpluff.

    More Spores for Hoppip envolve usar as Dream Islands para pegar cotton spores que funcionam como moedas de troca para comprar itens exclusivos que o Hoppip vende no Centro Pokémon. Esses itens são fundamentais para conseguir Skiploom e Jumpluff.

    O evento também mostra a intenção da Koei Tecmo e da Nintendo de darem suporte contínuo ao jogo, lançando Pokémon de maneiras que engajem a comunidade e os tornem mais especiais. Eu estou gostando bastante dessa primeira ação e valorizo bastante esse enfoque de manter o game super ativo e em constante renovação.

    Já pensou em 2027 vermos a chegada de vários monstrinhos da 10ª geração, entre eles o trio de iniciais Browt, Pombon e Gecqua?

    Outro aspecto positivo de Pokopia é o item Star Piece. Dar Star Pieces como presente a um Pokémon que visita seu jogo vindo da ilha de outra pessoa é uma maneira de fazer com que o monstrinho visitante apareça no seu jogo. Se você ainda não o tiver no seu ecossistema, poderá abrir o presente que ele te der em troca num habitat vago (local onde surgem e vivem os Pokémon) e ali aparecerá uma criaturinha da mesma espécie.

    Mais detalhes que tornam Pokopia especial

    O estilo artístico escolhido para Pokémon Pokopia é lindo e cativante. O aspecto gelecoso do Ditto como parte da identidade é bem trabalhado, e as cores do game são vivas. É realmente uma experiência aconchegante que te mantém preso ao videogame por horas, seja na TV, seja no portátil.

    Ao mesmo tempo, também é um título capaz de satisfazer mesmo se jogado por 10 minutos, pois até numa sessão curta haverá alguma missão para finalizar ou um novo monstrinho para encontrar, fazendo com que a experiência também seja agradável.

    Pokémon Pokopia está cheio de detalhes muito encantadores e nostálgicos. Se você ler bem os documentos encontrados ao longo da jornada perceberá o que foi no passado a região onde você está agora, quem eram os protagonistas do local e muito mais. Uma pena, de verdade, que esse jogo não tenha sido o primeiro a receber legendas em português do Brasil, pois isso valorizaria demais para o público brasileiro essas informações cuidadosamente distribuídas pelo game.

    Há também itens que você encontra que carregam elementos nostálgicos sem necessitar de uma leitura tão atenta. É o caso dos trajes inspirados nas roupas de treinadores como Koga e Lt. Surge.

    Ainda, alguns Pokémon te procuram para brincar, e isso é bem legal. Com Bulbasaur é possível pular corda, que no caso é o chicote de vinha dele. A Combee te oferece para jogar um quiz. Vencer esses pequenos desafios garantem itens que, no geral, não são grande coisa, mas a experiência proporciona uma pausa interessante e não acontece com frequência, evitando ser algo que atrapalhe.

    Outro ponto divertido é o aviso de oportunidade de foto, que eventualmente surge na tela para avisar que você está perto de um ou mais Pokémon que estão fazendo alguma ação diferente. Capturar esses momentos fazem com que você cumpra missões menos importantes, mas por vezes o prêmio é a foto em si que sai legal ou capta um momento engraçado, e não a necessidade de receber um item em troca.

    Pokémon Pokopia apresenta uma proposta diferenciada de gerenciamento e simulação inspirada em clássicos como Animal Crossing. Leia a análise
    Flagrei uma “briga” entre Hitmonlee e Hitmonchan! | Créditos: Emerald Corp

    Pokémon Pokopia nitidamente pega referências de outros jogos da Nintendo. O mais óbvio deles é Animal Crossing: New Horizons, que inspira desde maneira macro nos gêneros escolhidos para esse jogo, até mesmo detalhes como efeitos e trilha sonora em alguns biomas. Kirby também serviu como base para a habilidade de sugar do Ditto, que pode aspirar itens do cenário para agilizar o processo de juntar as coisas. O som inclusive é o mesmo da habilidade típica do Kirby.

    O Modo Mouse do Nintendo Switch 2 é um ótimo recurso para facilitar a customização dos ambientes e também o uso dos ataques do Ditto, permitindo que o alcance seja maior para realizar as ações.

    E apesar de ainda não ser a hora das criaturinhas da 10ª geração brilharem em Pokopia, o jogo não deixou de fora algumas novidades, como os amplamente divulgados Peakychu (variante do Pikachu), Mosslax (Snorlax), e os já mencionados Professor Tangrowth e Chef Dente, mas também há outros bem interessantes de conhecer durante a aventura!

    Por fim, outro aspecto interessante do jogo é a Cloud Island, uma ilha diferente da sua ou dos seus amigos para que jogadores se encontrem no multiplayer online e construam seu próprio ambiente coletivamente, sem interferir nos ecossistemas verdadeiros de cada pessoa.

    Veredito

    Pokémon Pokopia recupera o prazer de encontrar os monstrinhos pelo mundo, algo que não sentia desde Legends: Arceus, mas ao contrário do jogo de 2022, aqui não há ressalvas por conta de visuais mal polidos. Me surpreender com os Pokémon que surgem nos habitats criados me deixou feliz de modo similar ao que vivi nos primórdios da franquia, especialmente nos títulos da geração Gold, Silver e Crystal.

    Mesmo a Koei Tecmo sendo uma empresa focada em jogos de ação, a entrega aqui é ótima e tudo o que se espera de um cozy game, alinhando elementos inéditos com a experiência que fez com que Pokémon se tornasse uma das melhores franquias de todos os tempos.

    Nossa nota

    4,8 / 5,0

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    Assista ao trailer:

    Ficha técnica de Pokémon Pokopia

    Lançamento: 5 de março de 2026

    Desenvolvido por: Koei Tecmo Games

    Publicado por: Nintendo

    Plataforma: Nintendo Switch 2

    Número de jogadores: 1 a 4 (local via GameShare e online)

    Gêneros: Cozy, Gerenciamento, Simulação

    Idiomas: Japonês, Francês, Alemão, Italiano, Espanhol, Coreano, Chinês Simplificado, Chinês Tradicional, Inglês Americano

    Preço: R$ 439,90

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