Dark Scrolls é o mais novo jogo desenvolvido pelo estúdio doinksoft, responsável por títulos que se destacam pela pixel art e são irreverentes, como Gato Roboto (em que você controla um gato e precisa salvar seu humano) e Gunbrella (um game de ação frenético em que é preciso usar um guarda-chuva como arma). O lançamento foi feito pela não menos irreverente Devolver Digital no dia 22 de junho para PC e Nintendo Switch.
Este review diz respeito à minha experiência jogando a versão de Dark Scrolls para PC.
À primeira vista, o novo trabalho da doinksoft chama atenção não apenas pela pixel art, mas também pelos personagens. Entre os protagonistas que podemos controlar, destaque para o mago que lembra o Mago Negro da franquia Final Fantasy, e um ser humano loiro com uma túnica verde que lembra o Link de The Legend of Zelda, obviamente.
As referências aos games clássicos, em especial da década de 1990 em consoles como Super Nintendo e Mega Drive, não se limitam a esses personagens, pois vários inimigos e até mesmo itens presentes nas fases são claramente inspirados em algo que você já viu em jogos como Super Mario e Sonic.
Dark Scrolls também reserva irreverência para a maneira como se divulga. A começar pelo nome, um trocadilho agradável de se fazer com Dark Souls e o fato de que aqui a experiência é de rolagem lateral (side scroll). Os elementos roguelite e shoot ‘em up trazem um certo desafio à jogabilidade, embora não seja nada difícil como os jogos da franquia que deu origem ao gênero soulslike.
A descrição oficial nas lojas também já deixa na cara que Dark Scrolls não se leva a sério: “Aventure-se numa missão com um dos nossos heróis corajosos e peculiares em busca de [INSIRA O OBJETIVO QUE VOCÊ QUISER]. Seja sozinho ou em modo cooperativo, local ou online, o negócio é golpear, dilacerar e desviar de múltiplos inimigos e armadilhas mortais em partidas geradas proceduralmente. Use os ataques e habilidades exclusivas de cada herói e vença os desafios de todas as fases”.
A frase “insira o objetivo que você quiser” é também uma maneira de honrar o legado de tantos jogos marcantes do passado que simplesmente não tinham história, pois focavam exclusivamente na diversão por meio da gameplay. E, de fato, ao finalizar o jogo você vai ver que o prazer está nos amigos que fazemos no caminho…
… na verdade, o prazer está nos inimigos que destruímos das maneiras mais inusitadas no caminho. Acho que essa segunda frase combina melhor, embora existam alguns personagens desbloqueáveis que poderíamos dizer que também é uma forma de fazer amigos na jornada, entre eles um cachorro cujo ataque é o latido!
O chefe final é um caso à parte, eu não vou dar spoiler para que você possa rir ao ver por conta própria, mas só queria dizer que gostei muito da referência a um meme clássico envolvendo dragão.
Pois bem, mas vamos falar sobre o caminho até chegar a esse inimigo.
Jogabilidade simples e sem enrolação
Eu particularmente gosto muito de jogos roguelite com duração não muito longa (algo até 5 horas), mas que tenha um ou mais fatores que estimulem rejogar. Há alguns meses avaliei aqui o jogo brasileiro Hellbrella (não por acaso inspirado no Gunbrella da doinksoft) que oferecia exatamente isso: gráficos e gameplay simples somados à curta duração, mas com um “sabor” viciante que te motiva a seguir jogando.
Os comandos de todos os personagens de Dark Scrolls são pular e atacar, sendo que o ataque varia entre o dado apertando o próprio botão de atacar e o combinado com o pulo, além de um especial quando as estrelas de habilidade chegam ao nível máximo (5). Cada personagem possui ataques próprios, uns com foco em proximidade, outros à distância, sendo esse um dos motivos que estimulam a rejogabilidade, além do fato de ter que desbloquear alguns avatares jogáveis.
O game pode ser jogado sozinho ou com mais uma pessoa localmente ou pela internet. Ambos players atuam de modo cooperativo na mesma tela, que se movimenta lateralmente tal qual na experiência solo. O caso é ainda mais intenso quando jogado entre duas pessoas, o que torna a experiência mais divertida e uma boa pedida por permitir que o co-op seja tanto local, quanto online.

A progressão roguelite acontece por meio do dinheiro que você obtém pegando moedinhas a cada run. Durante o progresso você encontra pontos específicos para comprar melhorias válidas até seu personagem morrer, ou terminar o game. É preciso designar esses upgrades para um nível de estrelas de 0 a 5, para que sejam ativados automaticamente por um tempo quando você elevar o seu level de habilidade à medida que derrota inimigos.
Dependendo do personagem que você usar pode nem ser preciso contar com isso, pois são um tanto apelões, como é o caso do Bárbaro já liberado de início. Apesar disso, eu gostei dessa maneira de ativar as habilidades adquiridas e de ter um tempo curto (cerca de 10 segundos) para que fiquem ativas.
Ao final da run as moedas são transformadas uma a uma em pontos que, quando chegam a 100, lhe garantem um cristal. Com esse item, você pode trocar na loja do lobby por algum poder novo, emote aleatório para se comunicar com a outra pessoa, ou desbloquear um personagem especial.
Se você é do time que adora descobrir segredos daqueles que muitas vezes só se conhecia lendo o manual dos jogos antigos, ou então platinar sabendo que conquistou todos os objetivos no Steam, com certeza Dark Scrolls vai lhe proporcionar uma boa jornada. Digo isso não apenas pelos personagens que podem ser liberados, como também pelos diferentes caminhos que exigem rejogar para que você consiga experienciar os desafios de todas as 8 fases.
E embora sejam apenas 8 fases, cada run apresenta cenários e desafios diferentes gerados proceduralmente. Isso ajuda a manter o jogo sempre interessante. Além disso, em momentos específicos das fases você precisa enfrentar uma sequência de inimigos e, se derrotá-los em até 30 segundos, poderá usar um canhão para acelerar um pouco a sua chegada ao fim da área, tendo a chance também de acertar alguns inimigos e coletar moedas no caminho.
Por fim, vale destacar também a trilha sonora old school 8 bits, outro fator que contribui para a agradável experiência que é jogar Dark Scrolls.
Veredito
Dark Scrolls entrega uma jogabilidade simples e objetiva agradável de ser jogado tanto sozinho, como no modo cooperativo. Com uma pixel art bem tradicional e uma progressão roguelite que reserva boas surpresas tal qual os jogos da década de 1990, o game é um divertimento fácil para qualquer momento do dia e com um alto fator de rejogabilidade que pode te manter vidrado por muitas horas.
4 / 5
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Assista ao trailer:
Ficha técnica de Dark Scrolls
Lançamento: 22 de junho de 2026
Desenvolvido por: doinksoft
Publicado por: Devolver Digital
Plataformas: PC (via Steam) e Nintendo Switch
Número de jogadores: 1 a 2 (cooperativo local e online)
Gêneros: Plataforma 2D, Retrô, Roguelite, Shoot ‘em Up
Idiomas: Inglês, Francês, Alemão, Espanhol (Espanha), Japonês, Coreano, Português (Brasil), Russo, Chinês simplificado, Chinês tradicional
Preço: R$ 37,49 (PC e Nintendo Switch)
