Yoshi and the Mysterious Book é o primeiro jogo solo do Yoshi no Nintendo Switch 2 e foi lançado no dia 21 de maio deste ano. O game dos gêneros plataforma 2D e puzzle chegou com menus e legendadas traduzidos para o português do Brasil.
Gosto muito do Yoshi, é o meu personagem preferido da franquia Super Mario, e desde que esse jogo foi anunciado fiquei apaixonado por conta da direção de arte, como se fossem desenhos coloridos com lápis de cor e giz de cera dentro de um livro infantil interativo, daqueles vivos e com dobraduras que tornam a leitura mais lúdica e imersiva.
Tive a oportunidade de jogar o primeiro capítulo antecipadamente durante a gamescom latam 2026 a convite da Nintendo, e produzi aqui a minha análise de primeiras impressões. Joguei apenas o capítulo 1 naquela ocasião, mas ali já tive certeza do quão interessante esse título é para crianças e como tinha potencial para agradar também aos adultos de todas as idades.
E, bem, agora com a experiência completa posso garantir que isso se confirmou.
Como já havia destacado no preview, reforço que o óbvio precisa ser dito: o público-alvo de Yoshi and the Mysterious Book é o infantil. A experiência é lúdica e guiada a partir de uma roda de contação de histórias, como se os pequenos Yoshis coloridos estivessem no jardim de infância.
O enredo se passa dentro das páginas de um livro enigmático, o Professor N. Igma, uma criativa localização do nome original Mr. E, que em inglês tem a sonoridade de mystery (mistério).
Apesar desses elementos voltados para crianças, Yoshi and the Mysterious Book entrega uma gameplay super agradável e com puzzles criativos que são cativantes para todos os públicos. É verdade que o jogo não é punitivo, mas há alguns momentos em que alguns desafios e quebra-cabeças podem surpreender quem achar que a aventura é apenas um passeio no campo.
O Professor N. Igma reserva páginas com diferentes biomas divididos em 10 capítulos desbloqueados gradualmente utilizando as estrelas ganhas completando dezenas de pequenas missões disponíveis em cada fase. Essas tarefas envolvem ações que naturalmente você vai fazer, como por exemplo dar uma fruta a um bichinho ou a uma florzinha, mas também pode necessitar resolver tarefas um pouco mais complexas, como rolar um inseto tipo tatu-bola para ninhos espalhados pela fase.
Cada bioma conta com 6 fases, o que significa 60 fases e milhares de estrelas para coletar ao todo. O ritmo é sempre recompensador, pois centenas delas são obtidas com muita naturalidade. É provável que ainda no primeiro capítulo você já consiga obter estrelas suficientes para desbloquear até o capítulo 3, por exemplo.
Esse é um ponto bem positivo de Yoshi and the Mysterious Book para todos os públicos na minha opinião, pois completar uma pequena missão com frequência gera uma satisfação capaz de alegrar a criançada e servir como um descanso para a mente de um adulto.
Confesso que minha experiência jogando esse novo game do Yoshi foi um tanto truncada e mais demorada do que eu gostaria justamente pelo excesso de trabalho, então toda vez que eu parava para jogar, mesmo que por apenas 20 minutos, sempre sentia esse agradável prazer de saber que com pouco esforço conquistei o objetivo principal da fase e ainda completei 20 pequenas missões, ou mais.
Acredito que não seja a intenção original da Nintendo fazer Yoshi and the Mysterious Book um cozy game, mas para mim o game serviu como uma experiência aconchegante, tanto pela gameplay recompensadora, como também pela direção de arte fofa e pela agradável trilha sonora.
Você possivelmente vai ver por aí que o jogo pode ser vencido em cerca de 8 horas, mas sinceramente não faz sentido correr dessa maneira, pois a experiência agradável e que se renova constantemente sempre vai dar bons motivos para jogar com calma, explorando bem os biomas e experimentando diversas interações com a fauna e a flora das fases.
Novo jogo do Yoshi é sobre experimentação
Yoshi and the Mysterious Book é um plataforma 2D diferente do que estamos acostumados a ver no mercado. O foco vai além da tradicional gameplay de rolagem horizontal para pular em objetos e derrotar adversários por aí. Isso também está presente, mas o principal objetivo do jogo é te fazer experimentar interações com as criaturas da rica natureza presente nas páginas do Professor N. Igma.
É um constante convite à brincadeira. É algo lúdico. Imagine uma criança brincando com um conjunto de formas geométricas, pegando um objeto quadrado e tendo que levar a um espaço reservado a essa respectiva forma. É mais ou menos essa a experiência que o jogo proporciona, mas aqui com uma grande variedade de personagens interativos presentes na fauna e na flora de cada bioma dos capítulos.
Mas ao contrário da criança que coloca um círculo numa área destinada a um círculo, Yoshi and the Mysterious Book entrega as recompesas que já mencionei ou também gera um novo tipo de interação a partir do que você realizar. Ou seja, é um jogo que renova a interatividade constantemente.
Além das estrelinhas conquistadas nas missões principais e nas dezenas de secundárias presentes em cada fase, outra recompensa que pode ser obtida são as Flores Sorridentes. Elas são usadas somente mais para frente, após ganhar o capítulo 6, quando são desbloqueadas as ferramentas do Yoshi.
Essas ferramentas são desbloqueadas dando 5 Flores Sorridentes por vez ao Professor N. Igma. Ele as usa para liberar recursos que podem ser adicionados à tela de jogo.
A bem da verdade, diversas ferramentas não acrescentam nada à gameplay. Por exemplo, uma oferecida é para verificar os batimentos cardíacos do Yoshi. Outra adiciona uma barra de vida visual à tela, mas fato é que o Yoshi não morre, no máximo volta para um ponto anterior da fase. Numa única fase a experiência é levemente punitiva, em que se você for acertado pela criatura que é uma espécie de aranha-caranguejo já tendo pego alguma chave necessária para avançar, acabará voltando do início e perderá as chaves.
Mas há algumas ferramentas que são úteis. Por exemplo, pequenas bússolas que indicam onde há Flores Sorridentes ou outras pequenas flores que podem ser necessárias para acessar alguma parte da fase ou realizar ação específica para resolver uma missão secundária.
Além disso, há ainda as moedas disponíveis aos montes em cada fase. Elas podem ser usadas para desbloquear dicas sobre as missões ainda não realizadas, bem útil para quem desejar completar 100% do jogo, um objetivo bem agradável de perseguir nesse game.

Criatividade é um ponto forte de Yoshi and the Mysterious Book
Os mistérios a serem descobertos são sempre interessantes porque os puzzles e as interações com a fauna e a flora são muito criativos. A experiência nunca fica monótona nem repetitiva, pois cada personagem a ser investigado traz uma dinâmica específica às fases.
Uma das dinâmicas com a fauna e a flora que eu mais gostei acontece logo cedo no primeiro capítulo, envolvendo patos com folha na cabeça onde você deve pular. Eles funcionam como um instrumento musical e há situações em que é preciso pular em vários na sequência para desbloquear uma Flor Sorridente.
Há outras atividades musicais no jogo, algumas envolvendo essa criatura, como também outras (inclusive o Shy Guy), mas mesmo que a música e a formação de grupos sinfônicos sejam aspectos em comum, cada dinâmica é única e tem seu próprio apelo.
Outro personagem com uma mecânica muito divertida é o bichinho que arrota bolhas de sabão. Você pode colocá-los na garupa do Yoshi para que eles façam bolhas conforme o movimento, e essas bolhas podem ser usadas como plataformas. Como muitas fases reservam surpresas até mesmo no céu, essa dinâmica é realmente útil e estimula a exploração dos cenários.
Uma das fases que fez com que Yoshi and the Mysterious Book ganhasse mais uns pontinhos comigo foi a que envolve descobrir mais detalhes sobre uma noz que funciona como um peão. Lembra da Beyblade? Então, o personagem é exatamente uma, e você pode controlá-lo com o Yoshi em cima, ou então usar o nosso querido dinossaurinho para rebatê-lo, fazendo com que ele ganhe mais força.

Essa é uma das poucas fases que talvez não seja simples de vencer, o que torna as coisas mais interessantes para quem busca algum desafio mesmo em jogos que não têm esse objetivo. Não chega a ser difícil, mas controlar “a Beyblade” usando a força adequada exige um certo capricho para fazer com que o personagem passe pelos locais necessários. É legal também porque há 2 adversários que você precisa derrotar rebatendo o personagem peão com força, sendo uma das poucas experiências de combate no jogo fora dos momentos de interação com Bowser Jr. e Kamek.
Conforme os capítulos avançam, as fases se tornam ainda mais ricas graças à presença de personagens que apareceram anteriormente. Isso mistura diversas habilidades já experimentadas, entregando uma experiência renovada de uma maneira que também valoriza a exploração de cada fase.
Por falar no Bowser Jr. e no Kamek, eles são os “vilões” do jogo, embora não sejam realmente malvados, e sim um tanto atrapalhados e travessos. A batalha contra eles no capítulo 6 é bem interessante e diferente de quase tudo que o jogo apresentou até então. Vencê-los desbloqueia o pós-jogo que acrescenta mais 4 capítulos, que misturam ainda mais os personagens já vistos. É nessa parte que temos a fase da Beyblade que mencionei antes.
Outro ponto positivo que merece destaque é a jogabilidade com o Yoshi. Tudo é bem responsivo, e o pulo do personagem é algo que me agradou muito. Você pode ficar pressionando o botão de pulo para que ele fique como se estivesse planando, perdendo altura gradualmente.
Diferente de outros jogos em que ele pega um pequeno impulso e logo cai, aqui em Yoshi and the Mysterious Book a jogabilidade te possibilita atravessar uma área inteira somente voando. Eu gostei bastante dessa proposta, pois ajuda a encontrar boas surpresas por toda a extensão dos mapas.
Um detalhe que também merece destaque é a localização do jogo para português brasileiro. Embora a Nintendo venha fazendo isso de modo consistente desde o fim da geração Nintendo Switch, para muitos esse fator ainda pode ser uma novidade.
A localização para o nosso idioma é igualmente criativa. Sempre que você termina uma fase concluindo o objetivo principal, o Professor N. Igma te convida a dar um nome para a criatura descoberta, ou você pode aceitar a sugestão dele. As sugestões são divertidas e valorizam bem os personagens, como por exemplo as abelhas que lembram um cacho de uvas quando posicionadas como um enxame. O professor sugere então que essa espécie se chame Abelhuva. Legal, né?
Veredito
Yoshi and the Mysterious Book renova o gênero plataforma 2D com uma abordagem focada na experimentação. A jornada está cheia de momentos agradáveis usando Yoshi para interagir criativamente com a fauna e a flora de cada fase, gerando uma constante sensação de aconchego e satisfação para os adultos ao concluir pequenas missões e encontrar Flores Sorridentes.
Para as crianças, acredito que o sentimento será de alegria a cada pequena descoberta nesse mundo colorido, lúdico e visualmente belo.
4,6 / 5,0
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Assista ao trailer:
Ficha técnica de Yoshi and the Mysterious Book
Lançamento: 21 de maio de 2026
Desenvolvido e publicado por: Nintendo
Plataforma: Nintendo Switch 2
Número de jogadores: 1
Gêneros: Plataforma 2D, Puzzle
Idiomas: Japonês, Inglês britânico, Francês, Alemão, Italiano, Espanhol, Coreano, Holandês, Chinês Simplificado, Espanhol Latino-americano, Francês Canadense, Português Brasileiro, Chinês Tradicional, Inglês Americano
Preço: R$ 329,90
