Iron Lung é uma adaptação do jogo homônimo e é dirigida, escrita e estrelada por Markiplier, streamer norte americano de games. O longa estará disponível nos cinemas brasileiros a partir do dia 12 de março de 2026.
Os games vieram com tudo para o cinema, ganhando diversas adaptações que vem dando o que falar, seja para o bem ou para o mal. Só em 2026, teremos quase uma dezena de produções e Iron Lung é uma delas.
É inegável a paixão do streamer Markiplier pelo jogo, afinal, ele acompanhou e fez materiais extremamente ricos e é nítido o quanto o diretor/ator conhece a lore e respeita tudo do projeto. O amor foi tanto que Iron Lung veio para expandir a história, trazendo uma hora a mais de conteúdo, uma vez que o game possui 01h de duração e o filme tem 02h7min.
Entretanto, acredito que este tempo de longa-metragem seja um grande exagero, visto que, de fato, não há muito o que contar e isso fica evidente no roteiro, pois as escolhas do criador do filme foram equivocadas, já que há pontos interessantes que não foram abordados da maneira correta.
Na trama, a Via Láctea sumiu de forma misteriosa, sobrando apenas alguns humanos que estavam em satélites e estações espaciais. Entre os sobreviventes, um prisioneiro (Markiplier) é enviado à uma lua que tem um mar de sangue para coletar provas e ver se é possível encontrar esperança para o que restou da humanidade.
Iron Lung é um projeto indie que conta com uma estrutura minimalista. De cenário, temos apenas um submarino com tecnologia analógica, um protagonista e vozes num rádio que tornam a experiência claustrofóbica por conta de uma ambientação insalubre e um ótimo trabalho de design de produção.
O local em que o filme se passa é escuro, enferrujado, com tecnologia arcaica que sufoca até quem está do outro lado da tela. Para piorar esta atmosfera sombria, a sensação de solidão e de que o perigo é constante, por causa de uma criatura mortal que persegue o submarino.
Existem claras homenagens a Alien: O Oitavo Passageiro, que também contava com um ambiente hostil e inóspito, contudo, Ridley Scott tinha um material muito mais robusto para trabalhar, contando com uma criatura mortal e visualmente assustadora.
Iron Lung, por outro lado, precisa muito de Markiplier para funcionar, e este é seu principal erro. Não há como termos a mesma experiência de um jogador na grande tela. O que sobra é um texto repetitivo que usa como base flashbacks, alucinações e diálogos expositivos para que o espectador entenda o que está acontecendo, já que pelo baixo orçamento, em torno de 3 milhões de dólares, não seria possível mostrar tudo que a lua de sangue tem, nem sua criatura monstruosa.
Markplier é competente em demonstrar as emoções do Prisioneiro, pois consegue ter medo, raiva, frustração e, no fim, negação, já que mesmo em uma situação impossível, a esperança continua existindo. Todavia, por mais que as cenas práticas sejam impressionantes, há um desgaste visual também, uma vez que o cenário é bastante limitado. A sensação que fica é que se Iron Lung tivesse 40 minutos a menos, não faria diferença.
Outro ponto relevante que aqui necessitava de profissionais mais qualificados é a questão de mixagem de som, algo muito positivo no jogo, deixando uma sensação de que a qualquer momento o submarino vai implodir, na tela, não traz esta sensação. Há esforço, contudo, a técnica não alcançou o objetivo, emulando apenas uma parte do que Iron Lung tem de melhor.
Veredito

Ousado, mas raso, Iron Lung é um projeto que tem excelente material base para um longa, mas que foi mal aproveitado e não justifica suas duas horas de duração. Por mais que a história seja interessante, é inegável que a tentativa de Markiplier de ampliar a lore foi equivocada e isso fica evidente na tela.
3.0/5.0
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