Splatoon Raiders é o primeiro spin-off da franquia Splatoon baseada em tinta e criaturas marinhas. O novo jogo focado na experiência solo, mas também com jogabilidade cooperativa, foi lançado exclusivamente para Nintendo Switch 2 no dia 23 de julho.
A aventura traz novamente o trio musical Deep Cut formado por Shiver, Frye e Big Man, e você deve controlar o novo personagem Mecânico. O grupo sobrevoava uma região nebulosa atrás de um possível tesouro quando, de repente, seu helicóptero cai no arquipélago das Spirhalite Islands.
Além de tentar confirmar que existe um tesouro no local, a equipe também deve fazer raids pelas ilhas locais para obter recursos que os possibilitem voltar para Splatsville, a cidade apresentada em Splatoon 3, lançado em 2022 para Nintendo Switch.
As fases oferecem diferentes tipos de incursões. Existem as raids normais em busca de um tesouro que só aparece após você extrair diversos cristais que surgem pelas ilhas e coletar um número específico de ovos. Há também os Den, que são partidas rápidas contra o relógio numa única camada subterrânea.
Splatoon Raiders também oferece raids de chefes em três camadas subterrâneas, cada uma com um tempo limite para derrotar grandes hordas de inimigos e, na camada final, vir também um chefão gigante que é uma mutação de algum dos vários adversários presentes no jogo. Esse tipo de fase desbloqueia a próxima área do mapa e permite que você jogue com cada um dos tanks, itens sobre os quais falarei mais adiante, o que agrega um bom fator replay.
Há ainda 3 templos, fases finais em cada grande área das Spirhalite Islands, onde é preciso contar com a ajuda de uma personagem específica por vez (Shiver, Frye ou Big Man) para vencer e encontrar um artefato misterioso.
Paralelamente a essas fases principais para farmar experiência, obter cristais e outros itens essenciais para evoluir o Mecânico e toda a infraestrutura do barco que o grupo usa como esconderijo, existem também as dungeons que somente são liberadas se você encontrar bússolas nas fases de extração de cristais e busca por tesouro.
Ao obtê-las, você deve usar o mapa para ver como as bússolas reagem aos movimentos para então encontrar o ponto específico onde está escondida a masmorra.
Esses desafios nas dungeons se diferenciam bastante das demais experiências, pois são focados numa mecânica ou arma específica (ou até mesmo sem arma alguma), para no fim você obter um livro que é o skill point, ou ponto de habilidade, item usado para melhorar atributos como vida, dano da arma, dano dos gadgets ou espaços nos gadgets para equipar melhorias.
Algumas masmorras têm como objetivo derrotar inimigos. Outras, resolver puzzles. Há dungeons em que é preciso superar desafios plataforma e de velocidade. E tem também situações em que você não pode usar nenhuma arma ou gadget para vencer, devendo apenas ser mais rápido e se esquivar dos adversários.
Grande variedade de builds e inimigos
As raids são adaptações parecidas com a experiência criada nas Salmon Run, com a diferença de que aqui a jogabilidade é pensada para ser solo, embora haja possibilidade de contar com a ajuda de outros players reais.
Eu adoro o terceiro jogo principal da franquia, foi com ele que conheci Splatoon, e por mais que a essência da série não seja a gameplay de Salmon Run, esse foi o modo que mais me agradou na época. Nele era possível jogar somente online com mais 3 pessoas para enfrentar sequências de hordas de inimigos com a dificuldade aumentando progressivamente.
Aqui em Splatoon Raiders isso foi adaptado para a lógica solo e por camadas abaixo da terra. Ao carregar o medidor de ovos completamente no tempo limite, o Mecânico e o personagem que você escolheu para ser o ajudante dentro de um robô (bot buddy) descem para o andar seguinte.
Importante destacar que são oferecidos três níveis de dificuldade: Tourist (fácil), Raider (normal) e Survivalis (difícil), e isso pode ser alternado livremente durante a gameplay.

A experiência é bem desafiadora mesmo no nível normal, o que eu considero um grande trunfo, e isso é possível graças à variedade de inimigos, os Salmonids. Cada espécie possui variantes que dificultam o enfrentamento e surgem gradualmente conforme você avança pelas Spirhalite Islands, mas o ponto principal é que existem muitos Salmonids diferentes de diversos tamanhos e com ataques de perto, de longe, explosivos, voadores e muito mais.
Igualmente variado é o arsenal de armas e gadgets. As armas são encontradas aleatoriamente pelas fases e cada modelo possui tiers diferentes de raridade. Os itens são muito criativos! Por exemplo, temos uma arma que é um balde de tinta, outra que é uma metralhadora que utiliza uma garrafa como parte da sua estrutura para armazenar a tinta, outra é um grande rolo de tinta…
Ao todo são 11 classes de armas, cada um com muitas variações e níveis de raridade. O terceiro jogo da série principal já havia me cativado também pela grande variedade de armamentos, mas aqui em Splatoon Raiders a customização foi levada para um nível ainda maior por tudo ser customizável e melhorável. Há também novos tipos especiais de armas desbloqueáveis após terminar o jogo, além da introdução de um novo tipo de raridade, outros pontos positivos que contribuem para aumentar a quantidade de horas jogáveis.
Mas calma que tem mais customizações e atributos que ajudam a tornar o game mais estratégico. O spin-off permite que seja equipada uma das três variações de tanque: Speed Tank (velocidade), Power Tank (ofensividade) e Tactical Tank (estratégico).
De início eu curti usar mais ao Power Tank, pois costumo prezar pela gameplay ofensiva. É como dizem por aí: o ataque é a melhor defesa. Cada tanque pode ter até 5 power ups e 3 gadgets responsáveis pelos ataques carregados, que são inicialmente distribuídos nos botões L e R, mas que mais na metade do jogo também é possível adicionar o terceiro no botão A.
Conforme avançam as construções no navio esconderijo do grupo, você também desbloqueia novas áreas para aperfeiçoar todos os seus itens. Isso faz com que farmar cristais para usar como moeda seja algo relevante do início ao fim da aventura, estimulando você a jogar ou rejogar fases com foco na extração desse item.
Cada tanque tem níveis próprios para adicionar novos gadgets e, no último nível, ainda permite adicionar um gadget de outro tank, tornando a montagem da build ainda mais estratégica. Então, apesar de ter gostado de usar o Power Tank, acabei me apegando a todas as variações porque Splatoon Raiders tem um grande mérito, que é conseguir integrar muito bem todos os tanks para que você alterne o uso.
Outro estímulo para essa troca durante a aventura é que as fases são diferentes conforme o objetivo, como mencionei no começo do texto. Então nas fases de três camadas subterrâneas o estilo de jogo costuma ser de um jeito, pois normalmente são ambientes pequenos com muitos adversários, enquanto que as ilhas são locais amplos e com hordas que surgem em pontos específicos, o que te permite respirar entre um embate e outro.
Há ainda mais um fator que te convida a testar builds diferentes: o ataque especial dos ajudantes da Deep Cut. Chamada de Showstopper, essa habilidade pode ser usada quando você carrega o medidor do personagem por completo pegando ovos e Mega Ovos ao derrotar adversários.
Assim como os tanques possuem objetivos diferentes, os ataques Showstopper também variam. A Shiver lança um tubarão gigante para derrotar os adversários que estão em linha reta. A Frye lança peixes e tinta vindos do céu para derrotar Salmonids numa grande área. E com o Big Man, o Mecânico monta em cima dele e sai deslizando para derrotar os inimigos com ataques rápidos e poderosos de curto alcance.
Você pode até ter um ataque especial favorito, mas a cadência dos desafios é bem desenvolvida, de modo que não existe uma ult meta.
Splatoon Raiders é um spin-off com cara de jogo principal
Com um ótimo trabalho gráfico e performance sólida tanto na TV, quanto no modo portátil, Splatoon Raiders é um experimento da Nintendo que deu muito certo. Ampliar a proposta do Salmon Run para fases com objetivos variados, e ainda adaptá-la para ser jogada por apenas uma pessoa offline, mostra que esse caminho é seguro e muito rico para que seja integrado a um próximo título principal como um grande modo história.
Não é a primeira análise de um jogo de Nintendo Switch 2 que eu falo o seguinte: a Nintendo tem mostrado que aprendeu com os erros de alguns títulos do console anterior e está entregando jogos “menores” com conteúdos relevantes e muitas horas de diversão sem ser maçante.
Splatoon Raiders me surpreendeu demais com a quantidade de conteúdo e horas de jogo. À medida que eu dissipava a grande névoa do mapa das Spirhalite Islands pensava que logo chegaria ao fim do game. Que nada: quando usei o Big Man para enfrentar o terceiro grande boss já tinha passado cerca de 15 horas jogando e ainda teria muito mais pela frente.
Soma-se a isso a possibilidade de jogar cooperativamente. Você pode pedir uma ajuda por dia para que pessoas aleatórias venham fazer uma raid específica contigo, ou então acessar a opção do menu para ser conectado a alguém que esteja pedindo ajuda. Ajudar uma pessoa garante um prêmio especial, mas esse prêmio só pode ser recebido uma vez por dia também, de modo que se jogar mais receberá apenas os loots da própria fase.
No modo cooperativo, a gameplay se adapta e conta com 5 vidas no geral distribuídas entre todos os players na fase, enquanto no solo são 3. Essa mudança facilita, mas por serem vidas compartilhadas também exige que todos os membros da incursão estejam atentos para não perderem a raid.
Um dos pontos de certa forma negativos de Splatoon Raiders é que não há um filtro para você indicar que tipo de fase quer jogar quando oferece ajuda a uma pessoa aleatória. Não é algo prejudicial, mas poderia ter esse recurso para que você pudesse direcionar sua ajuda às fases mais difíceis, por exemplo. O outro aspecto que deixa a desejar é a falta de legendas e menus em português do Brasil – com a grande quantidade de itens, a tradução seria mais do que bem-vinda.
Quem sabe em grande estilo no Splatoon 4 né, Nintendo?
Mencionei antes o fator estratégia e a integração dos tanques que estimulam alternar builds, mas há também outro ponto que amplia as horas de gameplay, que são o aumento de dificuldade de várias fases que você venceu. Não é obrigatório jogá-las, mas você pode voltar para enfrentar as raids spicy para farmar XP e loots ainda melhores em diversos mapas do jogo.

Tudo isso faz com que Splatoon Raiders seja muito dinâmico e não entregue uma experiência repetitiva. E se você ainda quiser dar um tempo nas incursões, pode também jogar alguns mini games muito divertidos no arcade do esconderijo. A Nintendo adaptou muito bem clássicos do fliperama para a lógica dos personagens da franquia e entregou pequenos passatempos muito viciantes.
Veredito
Splatoon Raiders é um raro caso de spin-off que poderia ser um jogo principal. O experimento da Nintendo deu muito certo, entregando dezenas de horas de diversão. O quadro para o game definitivo está pintado: modo história baseado em incursões e dungeons, PvP consolidado pela série clássica e a adição do multiplayer local em tela dividida para se divertir com algo mais casual. Capricha, Splatoon 4!
4,7 / 5,0
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Assista ao trailer:
Ficha técnica de Splatoon Raiders
Lançamento: 23 de julho de 2026
Desenvolvido e publicado por: Nintendo
Plataforma: Nintendo Switch 2
Número de jogadores: 1 a 4 (local e online)
Gêneros: Ação, Cooperativo, Tiro em Terceira Pessoa
Idiomas: Japonês, Inglês britânico, Francês, Alemão, Italiano, Espanhol, Coreano, Holandês, Chinês Simplificado, Espanhol Latino-americano, Francês Canadense, Chinês Tradicional, Inglês Americano
Preço: R$ 279,90
