Supergirl é o mais novo filme do DCU e conta com Milly Alcock, Jason Momoa e David Corenswet no elenco. A direção é de Craig Gillespie e o roteiro é de Ana Nogueira.
Cada vez que temos um novo filme de super-heróis sendo lançado, há sempre espaço para a seguinte pergunta: já nos cansamos do gênero ou apenas não queremos o mais do mesmo sendo entregue?
A resposta é simples, mesmo que exija certo grau de complexidade sobre o que buscamos e o que é entregue. Para dar um exemplo mais concreto, tivemos as excelentes séries de Watchmen e Spider-Noir que trabalharam suas histórias de um jeito diferente, com criatividade, usando um texto e técnicas de filmagem que são inventivas.
Ao mesmo tempo, no que se refere ao cinema, parece que as boas ideias andam um pouco em falta, fazendo com que as produções tenham identidades parecidas e é o caso de Supergirl.
O projeto é bastante formulaico em vários momentos com a jornada do herói completa, apesar de termos algumas diferenças aqui que jogam o longa-metragem para cima.
Sobre a trama, Kara Zor-El (Milly Alcock) está curtindo a vida como se não houvesse amanhã após o seu aniversário de 23 anos. No meio do caminho, ela encontra Ruthye (Eve Ridley), uma jovem que teve seus pais assassinados por Krem (Matthias Schoenaerts), um saqueador sem escrúpulos. As duas partem em uma jornada de vingança e autoconhecimento para derrotar o vilão.
Sobre o que não funciona, os personagens secundários não conseguem nos fazer engajar em suas histórias. Ruthye é aquele tipo de ajudante que não conta com repertório e suas entradas são forçadas na trama. Por mais que Eve Ridley faça um trabalho competente, é difícil não achá-la um pouco chata, principalmente quando queremos ver mais de Kara em cena.
O mesmo vale para Krem, visto que vilão do filme é mais um exemplo das pilhas de oponentes sem carisma da Marvel e da DC, servindo apenas como saco de pancadas ambulante. Ele é mau e apenas isso. Não tem um pingo de profundidade e o roteiro pesa bastante a sua jornada para mostrar o quão asqueroso ele é, já que na questão de desafio para a Garota de Aço, Krem esteja bastante abaixo por conta da Supergirl ser poderosa demais,
A história do filme também não empolga. Por mais que a protagonista seja excelente, temos a mesma fórmula de sempre: a heroína que está desiludida e que acha alguém que compartilha da sua mesma dor. Para que Ruthye não se transforme nela, Kara trilha a jornada do herói para poder, finalmente, aceitar seu destino, se transformando em um símbolo de justiça.
Mas o que funciona então? Bom, temos vários pontos positivos.
A direção de Craig Gillespie é precisa e consegue criar cenas de ação de tirar o fôlego. Não tem porrada fofa em Supergirl, pois Kara não se segura para dar socos e chutes em seus adversários, sendo mais ágil e letal que o nosso glorioso Superman. Além disso, ela não se importa de destruir um prédio em cima de um inimigo e o impacto disso é visto em tela.
O CGI é excelente, sem aquele aspecto borrachudo que vemos em diversos outros projetos, algo que é raro hoje em dia.
Os diálogos que envolvem a Supergirl também são excelentes, uma vez que a dor dela é pesada. Diferententemente de Clark (David Corenswet), a jovem viu seu planeta e pessoas que ama morrerem, sem ter uma perspectiva de futuro. Ao chegar na Terra, se tornou uma pessoa com habilidades especiais, sem amigos ou pessoas para se identificar, não conseguindo se conectar com seu primo. Ele era um bebê quando saiu de Krypton e agora é bem mais velho e com uma vida construída cheia de amor e afeto, algo que ela perdeu.
Milly Alcock consegue trazer toda essa dor e vai além em sua atuação. A atriz é divertida, com o nível de canastrice necessário para uma boa anti-heroína, mas também com imponência nas cenas de ação. Quando veste o traje, ela se transforma na Supergirl, e isso é algo que devemos enaltecer, uma vez que as escolhas de elenco do DCU estão sendo perfeitas.
A cereja do bolo está em Jason Momoa, que dá vida ao Lobo, um dos anti-heróis mais aguardados pelos fãs. Parece que Momoa nasceu para este papel, encarando com muito humor e presença cênica. O Aquaman do ator já era bem próximo do Maioral da DC e agora vemos que ele está no lugar certo.
Veredito
Supergirl é um filme divertido, com ótimas cenas de ação e ainda conta com o brilho gigantesco de Milly Alcock e Jason Momoa. Mesmo que o vilão seja genérico e a história não seja nada inovadora, o projeto é cheio de carisma e mostra que o DCU está no caminho certo.
3,8/5,0
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Assista ao trailer:
