Um dos principais metroidvanias da atualidade chegou para PC no apagar das luzes de 2025, sem tempo de talvez almejar algo nas premiações do ano passado. Agora no dia 1º de maio de 2026, Constance foi lançado também para Nintendo Switch, PlayStation e Xbox Series X|S, o que pode lhe permitir sonhar com mais reconhecimento, que é bastante merecido.
Desenvolvido pelo estúdio alemão Blue Backpack e publicado em conjunto pelas empresas ByteRockers’ Games e Parco Games, o título não foi lançado oficialmente para Nintendo Switch 2, porém podemos considerar na lista de plataformas disponíveis não apenas por conta da retrocompatibilidade, como também por um recurso destinado exclusivamente às plataformas da Nintendo, que é a possibilidade de escolher a qualidade de renderização.
Eu joguei Constance no Nintendo Switch 2 usando a especificação máxima, e já destaco que tudo funcionou muito bem tanto na TV, quanto no modo portátil. As outras opções de renderização são performance (diminuindo a fidelidade visual para priorizar rodar a 60fps), equilibrado (reduz os visuais apenas o suficiente para tentar rodar sempre a 60fps) e qualidade (travado em 30fps para entregar gráficos melhores).
É interessante e positivo ver a transparência dos responsáveis por Constance em indicar a configuração equilibrada para o Nintendo Switch, reconhecendo que a qualidade máxima pode apresentar inconsistências, mas garantindo que no Nintendo Switch 2 tudo funciona redondinho (e, de fato, comprovei que sim).
Constance me chamou bastante atenção desde que foi anunciado. Na gamescom 2024 na Alemanha, tivemos a oportunidade de conversar com parte da equipe da Blue Backpack, e inclusive temos um vídeo no nosso canal do game designer, Edgar Jesus, em que ele fala um pouco sobre o jogo e convida a comunidade brasileira a conhecer o game, que naquele momento estava com uma demo gratuita no Steam.
Há muitos motivos pelos quais esse título chama atenção: a direção de arte inspirada pela pintura, as mecânicas de tinta com movimentos inspirados em Splatoon, o estilo de gameplay fluido e os visuais marcantes que tornam inevitáveis as comparações com grandes jogos indie como Hollow Knight e Celeste.
Todas as comparações são verdadeiras, mas há diversos outros motivos que fazem Constance ser encantador e viciante, além de desafiador.
Constance: um metroidvania cheio de gêneros
Não é inédito um jogo que trate sobre temas relacionados à saúde mental, mas certamente esse metroidvania Splatoon-like tem algo único a oferecer.
De início, a protagonista que dá nome ao jogo é lançada para uma espécie de submundo colorido que reserva uma jornada de autoconhecimento, busca pela resolução de problemas pessoais e a tentativa de lidar com a Síndrome de Burnout. Por lá, Constance enfrentará diversos inimigos, que não são tão difíceis de derrotar, além de minibosses e chefes que engrossam o caldo.
É muito interessante como o estúdio costurou o enredo com os desafios impostos pela jogabilidade. Mas a cereja do bolo mesmo não é o combate nem os terríveis momentos em que a experiência se torna de plataforma de precisão, e sim as surpreendentes mudanças de gêneros sem relação com metroidvania.
Boa parte da narrativa é construída por meio de situações em que o jogo se transforma num point-and-click para lidar com algo que aprofunda o autoconhecimento da personagem.
A primeira vez que o jogo mudou para esse gênero foi particularmente interessante para mim porque trabalho com comunicação e marketing, e já estive na situação da protagonista de ter que dar conta de várias tarefas no computador ao mesmo tempo em que precisa responder diversas pessoas exigindo coisas “pra ontem” com suas urgências que quase sempre não são urgentes.

Colocar quem joga “na pele” da Constance foi uma ideia genial da equipe, e o point-and-click foi muito efetivo para tornar a experiência mais imersiva. A intenção nesse momento que mencionei não é ser punitivo, mas se eles quisessem poderiam estressar ainda mais para que as pessoas que nunca viveram essa realidade pudessem ter um gostinho para ver o quão doentio é esse tipo de atitude no ambiente de trabalho. Digo doentio literalmente no sentido de que adoece mesmo, desenvolvendo ou agravando casos de Síndrome de Burnout, depressão, entre outras questões psicológicas que merecem atenção e cuidado.
Mas há momentos mais amenos do point-and-click, sempre bem situados como um respiro na gameplay após algum momento intenso no jogo.
Por falar em intensidade, Constance tem momentos extremamente desafiadores quando o foco passa a ser plataforma de precisão. Para quem gosta de passar dificuldade em metroidvania, pode ter certeza que esse jogo é um prato cheio, mas quem prefere mais curtir a jornada para conhecer a história, sinto dizer que isso não é uma opção aqui.
Após conseguir a primeira das 4 lágrimas, que são os itens necessários para concluir os objetivos principais da história, simplesmente entrei num looping que testou os limites da minha agilidade e coordenação motora para dar conta do desafio de plataforma de precisão.
Um monstro surgiu à esquerda da tela para comer tudo o que vê pela frente. É preciso ser muito ágil e certeiro para que a Constance não seja devorada por ele, mas o cenário à frente é incerto, visto que a rolagem vai mostrando pouco a pouco o que te espera logo à frente.
O trabalho de level design é maravilhoso no geral do jogo, mas são nos momentos de plataforma de precisão que realmente brilham e apresentam toda a genialidade da equipe da Blue Backpack.
Outro contexto que simplesmente bugou minha cabeça foi quando percorri uma pequena, porém também desafiadora, área de plataforma de precisão para chegar a um lugar que parecia ter algo muito importante. Eis que chego ao local e não tem nada… Eu pensei: não é possível que eles tenham feito isso só para fazer uma pegadinha com os jogadores!
Nada aparentemente…
Comecei a apertar todos os botões, até que a pincelada de tinta fez brilhar um objeto quase oculto no cenário. Era parte de um puzzle necessário para completar parte de uma missão secundária. Eu não vou te dar spoiler de como resolver esse puzzle, mas saiba que terão alguns quebra-cabeças que exigirão muita atenção aos detalhes dos ambientes de Constance e, quando você percebê-los, vai quebrar a sua cabeça e você só vai conseguir pensar na genialidade dos level designers.

Gameplay eficiente, fluida e viciante
Constance inicia a jornada com golpe de pincel e, pouco a pouco, desbloqueia diversas mecânicas baseadas na fluidez e na tinta. A personagem possui uma barra de vida e uma de tintura que, se chegar a zero, faz você perder vida a cada uso de tinta até que ela se recarregue.
O combate é fluido assim como a proposta da tinta exige. Funciona muito bem a mecânica de esquiva em que a protagonista se transforma na tintura rapidamente para avançar por áreas em que no estado sólido não pode passar, e também para desviar de ataques dos inimigos. Não há defesa ou parry, de modo que o foco é a esquiva e o uso de ataques especiais pouco a pouco é desbloqueado.
A árvore de habilidades de Constance é bem interessante: funciona como se fossem carimbos encontrados em telas de pintura escondidas pelas diferentes áreas do game. Essas habilidades passivas são chamadas de inspirações e podem ser equipadas nos totens de salvamento.
Não vejo como um ponto negativo, mas talvez a única ressalva que tenho com o jogo é o ritmo demorado para expandir slots que permitem equipar mais inspirações. A cadência não acompanha a das inspirações que provavelmente você vai encontrar pelos mapas.
Falando em mapa, existe um geral que mostra todas as áreas, mas também os referentes de cada região. Esses internos são desbloqueados conforme você entra em uma nova área, não existindo um item que você possa encontrar para desbloquear instantaneamente todo o mapa local.
Os checkpoints não funcionam como teletransporte. No entanto, há um recurso interessante e que eu particularmente gosto bastante: ao morrer, é possível seguir no mesmo local que você está ou voltar ao último totem visitado.
A escolha por persistir, no entanto, vem com um preço: os inimigos serão mais fortes por causa da Maldição da Marionete até que você morra e decida voltar a um checkpoint. Eu considero necessário eventualmente escolher passar mais dificuldade do que ser jogado para muito longe.
Há momentos em que, se você prestar bem atenção no ambiente, verá que vale a pena escolher tornar os inimigos mais fortes porque você pode estar perto de um chefe e, em áreas próximas, conseguir encher sua reserva de poção, que permite recuperar um pouco de vida apertando L somente quando esse pequeno reservatório estiver todo cheio.
Os chefes de Constance são muito criativos. Sem dúvidas aqui temos excelentes exemplares de bosses desafiadores no gênero metroidvania. Um chefe que eu gostei bastante é o do parque de diversões que é uma carta Joker que se torna 4 cartas e você precisa ficar escolhendo ao longo da batalha.
Cada carta se comporta de uma maneira conforme o seu naipe, e você precisa acertar a grande variedade que tenta te atacar para tentar encontrar o Coringa e, assim, causar mais dano.

Um outro aspecto da jogabilidade que é útil para pessoas que nem sempre conseguem maratonar um jogo é a possibilidade de tirar fotos dos ambientes. O recurso ajuda a lembrar de locais que tenham algum bloqueio ou alguma informação que somente pelo mapa geral você pode não se recordar. Além disso, a câmera tem uma funcionalidade específica para resolver mistérios em alguns momentos do jogo, tornando o uso do recurso essencial para a progressão.
Por fim, mas não menos importante, toda a fluidez da gameplay e a beleza artística é muito bem embalada por uma trilha sonora maravilhosa. Constance é artisticamente perfeito e precisa ser conferido por todos os fãs de metroidvania e de jogos indie no geral, visto que costumam entregar experiências altamente criativas e marcantes, o que é o caso aqui.
Veredito
Constance é uma obra de arte maravilhosa e um jogo obrigatório para fãs de metroidvania. Com uma gameplay fluida que mescla elementos de diferentes gêneros, o game se destaca pelo combate e, principalmente, pelos desafiadores momentos de plataforma de precisão. É ótimo que um dos melhores jogos de 2025 agora esteja disponível também para consoles!
5 / 5
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Ficha técnica de Constance
Lançamento: 1º de maio de 2026 (consoles), 24 de novembro de 2025 (PC)
Desenvolvido por: Blue Backpack
Publicado por: ByteRockers’ Games e Parco Games
Plataformas: PC (via Steam), Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
Número de jogadores: 1
Gêneros: 2D, Ação, Metroidvania, Plataforma, Puzzles
Idiomas: Japonês, Francês, Alemão, Italiano, Espanhol, Coreano, Russo, Chinês Simplificado, Português Brasileiro, Chinês Tradicional, Inglês Americano
Preços: R$ 58,95 (Xbox), R$ 59,90 (PlayStation), R$ 59,99 (PC e Nintendo Switch)
