CRÍTICA – Michael é visualmente impecável, mas dramaticamente limitado para a grandeza mítica de Michael Jackson

Existem momentos históricos da humanidade dos quais simplesmente nos lembramos do que estávamos fazendo antes de o acontecimento ficar para sempre marcado, e um desses momentos, para mim, foi em 25 de junho de 2009. Eu estava nomeu quarto, acabando de ouvir o álbum Dangerous em meu CD player da Philips, quando liguei a TV e vi no noticiário que o mundo perdia o maior artista que já pisou no planeta: Michael Jackson.

Nesse dia memorável e triste para milhões de fãs, a única certeza que tínhamos era a de que nunca mais teríamos um artista tão icônico como Michael Jackson, que deixou seu legado para toda a eternidade. Faltando 2 meses para completar 17 anos de sua partida tão repentina, o mundo é presenteado com sua cinebiografia, que estreou nos cinemas em 23 de abril.

Em Michael, acompanhamos a ascensão de Michael Jackson desde sua infância, quando integrava os The Jackson 5, até se tornar o maior ícone da música em sua era de ouro, com os aclamados álbuns Off the Wall (1979), Thriller (1982) e Bad (1987). O longa-metragem conta com a direção de Antoine Fuqua e traz Jaafar Jackson (sobrinho do Rei do Pop) em sua fase adulta, enquanto sua infância é interpretada por Juliano Krue Valdi.

A produção tem a difícil tarefa de condensar, em pouco mais de 2 horas, toda a fase inicial da carreira de Michael Jackson em uma cinebiografia que se mostra impecável em sua ambientação, figurinos e o elenco em si, pois transmite de maneira muito eficiente quem foram as pessoas mais importantes para sua trajetória.

No entanto, infelizmente, o roteiro e a edição acabam apresentando tudo de forma muito rasa, sem um desenvolvimento adequado do próprio Michael, e o foco acaba recaindo mais sobre a figura paterna de Joe Jackson, interpretado por Colman Domingo de maneira muito convincente e realmente transmite a imagem nefasta e rigorosa que foi a de seu pai.

Mesmo com a suavização dos maus-tratos físicos e psicológicos que Joe causou ao Michael, o longa ainda consegue transmitir a monstruosidade que ele representou. Sua interpretação acaba causando bastante ranço e incômodo no espectador nas cenas em que essas agressões são retratadas. Ainda bem que essa parte é mostrada de forma relativamente rápida, pois o pouco que foi apresentado já me causou bastante desconforto.

Outro personagem que acaba recebendo mais destaque do que o próprio Michael é o advogado John Branca, vivido por Miles Teller, que também teve suma importância em sua transição para a carreira solo.

Desse modo, o filme falha em desenvolver com a profundidade necessária a figura do próprio Michael Jackson, optando por apenas pequenas pinceladas sobre momentos-chave de sua carreira, apresentados de forma apressada. Com isso, a narrativa infelizmente não faz jus à dimensão icônica e à complexidade que marcaram sua trajetória.

Essa falta de apelo para um desenvolvimento dramático mais profundo é um dos pontos negativos do longa-metragem, que acaba focando mais em refazer momentos de sua carreira como, por exemplo, seus videoclipes. Por alguns momentos, eu me sentia vendo mais remakes dos clipes de Michael Jackson do que sua própria cinebiografia.

Apesar desses pontos citados, a atuação física e a semelhança de Jaafar Jackson e Juliano Krue Valdi são simplesmente incontestáveis, de tão impecáveis que são apresentadas, além de transmitirem de modo genuíno seu lado vulnerável diante das inseguranças em relação à figura paterna e seu “lado Peter Pan“, que nunca o deixou, mesmo em sua fase adulta.

A cinebiografia de Michael Jackson se destaca pela ambientação, pelos figurinos e pela atuação do elenco
Ambientação e figurinhos são grandes destaques de Michael | Créditos: Lionsgate / Divulgação

Sei que não é fácil realizar a cinebiografia de uma figura tão icônica, visto que geralmente esse gênero cinematográfico segue uma fórmula narrativa que prioriza os anos-chave da carreira dos artistas, mas há bons exemplos de filmes que conseguiram se distanciar um pouco desse tipo de narrativa, como Rocketman (2019) e Better Man (2024), pois desenvolveram a carreira de seus respectivos artistas de maneira interessante e fora do convencional.

Veredito

Apesar dos deslizes, a cinebiografia é capaz de prender por conta da poderosa figura de Michael Jackson no mundo da música e, mesmo sendo composto por vários recortes de sua carreira estelar, consegue deixar com os olhos marejados o espectador que teve a oportunidade de presenciar essa figura em vida, pois se tratou de um artista icônico que fazia fãs desmaiarem apenas ao tirar os óculos, antes mesmo de começar o show.

Nossa nota

3 / 5

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Assista ao trailer:

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