Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition é a versão remasterizada e com conteúdo adicional do jogo originalmente lançado para Wii U em 2015. A nova edição foi desenvolvida pela Monolith Soft e lançada pela Nintendo em 20 de março de 2025.
Agora, toda a franquia Xenoblade Chronicles está disponível para ser jogada no Nintendo Switch, que conta com jogos lançados desde 2010 exclusivamente em consoles da Big N.
O enredo de Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition se passa em 2054. A Terra foi destruída por uma guerra intergaláctica entre duas populações alienígenas, e a humanidade está à beira da extinção.
A bordo da USS White Whale, um pequeno grupo de sobreviventes faz uma aterrissagem forçada no vasto e selvagem planeta Mira. O personagem que controlamos é encontrado sem memórias por Elma, integrante da Builders of the Legacy After the Destruction of Earth (BLADE).
Essa organização é composta por diversos membros da tripulação, que agora se organizam como uma pequena sociedade para sobreviver aos perigos e mistérios de Mira, enquanto também trabalham para evitar a extinção da humanidade.
A edição definitiva de Xenoblade Chronicles X (também chamada de XCX: DE) traz ao Nintendo Switch o conteúdo original do jogo do Wii U com aprimoramentos visuais e de jogabilidade. Também apresenta novos personagens jogáveis, remove o limite de nível (que no game anterior era até 60), e inclui um epílogo com uma história inédita.
Análise de Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition
Se houvesse uma competição entre estúdios internos e parceiros próximos da Nintendo na Era Switch, poderíamos dizer que a Monolith Soft é a grande vencedora. A empresa começou a vida do console com os lançamentos de Xenoblade Chronicles 2 (2017) e Xenoblade Chronicles 2: Torna – The Golden Country (2018).
Em 2020, trouxe ao videogame híbrido Xenoblade Chronicles: Definitive Edition, a versão aprimorada do jogo de estreia lançado para o Wii. Dois anos depois, lançou Xenoblade Chronicles 3, o primeiro título da franquia que eu joguei e considero maravilhoso. Não foi à toa que ele concorreu a Jogo do Ano e outras categorias no The Game Awards 2022.
Nessa trajetória de 15 anos, sendo 8 apenas no Nintendo Switch, a Monolith Soft mostrou uma qualidade técnica impecável. O talento é tanto que a empresa já deu suporte a outros títulos importantíssimos do portfólio nintendista, incluindo The Legend of Zelda: Breath of the Wild (2017) e Tears of the Kingdom (2023).
O gênero mundo aberto poderia ser o foco, mas o estúdio também se mostrou versátil e com amplo repertório. A empresa também atuou junto a games igualmente bem-sucedidos, como Animal Crossing (2020) e Splatoon 3 (2022), que são de estilos completamente distintos.
O repertório variado e a capacidade técnica de aproveitar ao máximo os recursos do Nintendo Switch fizeram com que a Nintendo recentemente comprasse 100% do estúdio. E isso é muito animador e importante para o que veremos a seguir, no Nintendo Switch 2.
Monolith Soft prova que o Nintendo Switch é capaz de feitos incríveis
O Nintendo Switch revolucionou o mercado com a proposta híbrida e pela facilidade com que a transição entre TV e portátil acontecem. Tornou-se mais cômodo jogar videogame, até mesmo para quem não tinha esse hábito.
Isso é tão verdade que o console já vendeu mais de 150 milhões de unidades, figurando no Top 3 de plataformas mais vendidas, com potencial para superar o PlayStation 2 (160 milhões) até efetivamente deixar de ser produzido.
Apesar do sucesso, o Nintendo Switch enfrentou estigmas negativos referentes à capacidade técnica do hardware. Muitos afirmam que ele “já chegou defasado” ao mercado em 2017. No entanto, sempre tivemos ótimos exemplos em sua gigantesca biblioteca de games que provam o contrário.
Vale destacar: desde o começo da jornada do console, com o lançamento do já mencionado Zelda BOTW, passando por diversos títulos da Nintendo e os chamados “ports impossíveis” de publicadoras parceiras (como The Witcher 3 e Nier: Automata), até chegar ao “fim de festa” da plataforma com o excelente Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition.
Digo fim de festa porque em breve o videogame ficará em segundo plano por causa do lançamento do Nintendo Switch 2, que acontecerá em 5 de junho de 2025. Mesmo assim, o primeiro Switch seguirá recebendo games, que também serão jogáveis no sucessor.
E a Monolith Soft estava presente em tantos desses títulos de sucesso, além de ter sido a responsável por tornar a franquia Xenoblade Chronicles querida pelos nintendistas e relevante no cenário gamer em geral.
Em Xenoblade Chronicles 3, o estúdio já havia mostrado que consegue extrair ótimo polimento gráfico e performance consistente dignos do que vemos em jogos das franquias lendárias da Nintendo, como Super Mario e Zelda. A comparação com os games de Zelda é a melhor possível, pois ambos possuem escopos e funcionalidades ambiciosas, levando o console ao limite do que pode entregar com qualidade e consistência.
É curioso afirmar que agora em Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition, parece que a Monolith Soft ainda tinha como extrair mais um pouco do hardware do Nintendo Switch. O conhecimento técnico aplicado ao último jogo de grande escopo antes do Switch 2 mostra que a capacidade do estúdio envelheceu como vinho. E o console também.
Um tesouro que agora pode encontrar a audiência que sempre mereceu
Xenoblade Chronicles X é considerado um dos melhores jogos do Wii U e um exemplo técnico do que o console podia entregar. Porém a plataforma foi um fracasso de vendas, e o game não conseguiu ter acesso a quem realmente poderia gostar dele. Agora suas chances são bem maiores.
Apesar de ser um verdadeiro tesouro, é seguro dizer que o game (e a franquia como um todo) não foi feito para todo mundo, mesmo sendo ótimo. Explicarei melhor ao longo da análise, mas resumidamente se trata de uma jogabilidade complexa e pouco usual no gênero RPG de Ação, com uma curva de aprendizado que constantemente traz novos recursos para um escopo que já é grande no seu início.
Por isso, é seguro dizer que Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition tem potencial de encontrar um público bem maior no Nintendo Switch, mas mesmo assim seguirá um tanto nichado por estar longe de ser um game amigável para quem não busca por aventuras longas e gameplays que exigem atenção e versatilidade a muitos detalhes.
Estranhamento inicial exige atenção para ser superado
Mesmo tendo jogado Xenoblade Chronicles 3 e gostado demais, senti que demorei a realmente entender a proposta de Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition. Primeiro, por causa de uma surpresa positiva: a grande variedade de customização do avatar possibilita até escolher entre diferentes vozes masculinas e femininas, algo raríssimo quando se trata de uma franquia da Nintendo.
Depois de ser surpreendido e passar pelas várias possibilidades de customização, o estranhamento se deu por causa do menu, que se abre discretamente no lado direito da tela e não pausa a gameplay imediatamente. A interface combina bem com a atmosfera do jogo, então é muito fácil esquecer que ele estar aberto e não entender por que seu avatar não está realizando os comandos.
Para navegar nele é preciso usar o analógico, enquanto a personagem e a movimentação da câmera se controlam com os joysticks. Ou seja, você pode seguir andando com o menu aberto e só se dar conta quando quiser atacar algum inimigo, por exemplo.
Creio que jogar as primeiras duas horas exige bastante atenção, de modo que é importante não ter interrupções. Esse momento inicial é fundamental tanto para aprender sobre o enredo, como também para ler diversas instruções e testar várias mecânicas básicas. Talvez para quem nunca jogou algo da franquia seja necessário até mais tempo de gameplay para se familiarizar.
E acredite: esses tutoriais são realmente os primeiros de muitos que você vai ter que ler e se habituar ao longo de uma aventura que tem potencial para durar mais de 200 horas.

Além de se familiarizar com as mecânicas básicas, esse momento é importante para pegar as informações da primeira missão da história, um tour guiado pelo distrito administrativo que explica também sobre a vida como membro da BLADE. Também é prudente já matar uma boa quantidade de inimigos para subir de nível e se acostumar com o começo da jogabilidade em combate.
Todas as instruções e dicas de gameplay vão aparecendo na tela conforme você desbloqueia mecânicas e recursos. Tudo fica armazenado na opção gameplay tips do menu, que é uma verdadeira enciclopédia que provavelmente em algum momento você vai precisar consultar para relembrar algum comando ou saber mais sobre as ações de combate.
Combate automático é estratégico, mas muito complexo
As mecânicas básicas de combate do seu avatar, assim como dos robôs Skells desbloqueáveis ao longo da jornada, envolvem ataques básicos automáticos com dois tipos de armas e uma variedade de ataques carregados, chamados Arts. Ambas maneiras possuem cooldown.
Os ataques têm características próprias que vão desde quais recursos devem ser consumidos para usá-los, passando pelos efeitos que os golpes podem desencadear nos adversários (paralisia, queimadura, etc), e qual posição em relação ao inimigo você deve adotar para causar mais dano.
Com a progressão dos níveis também são desbloqueados diversos elementos para o seu avatar, acrescentando ainda novas dinâmicas à própria jogabilidade. Por exemplo, a possibilidade de usar um ataque especial ainda mais poderoso gastando Tactical Points (TP).
TP são pontos que carregam automaticamente conforme você batalha. Alguns ataques carregados gastam esse recurso valioso. Digo valioso porque para realizar ações importantes, como o ataque especial ou reviver um aliado, é preciso ter pelo menos 3.000 TP.
Essa pontuação pode ser coletada mais rapidamente com base nas armas e nos equipamentos do seu avatar. É importante estar de olho nesse medidor abaixo da vida (HP), pois por vezes é bom derrotar adversários fracos sem usar Arts para carregar bem o TP, especialmente antes de iniciar uma batalha contra um inimigo muito poderoso.
Vale destacar também que o HP se recupera automaticamente após terminar um confronto, mas o TP não, então a dica acima é valiosa.

A gameplay é complexa, com muitos tutoriais ao longo de toda a jornada. Novas mecânicas de combate são inseridas mesmo depois que você já se familiarizou com diversos comandos e superou pelo menos 10 horas de aventura.
Entre elas estão o quick cooldown, que é uma barra extra que permite usar Arts antes que sejam recarregadas; os Soul Challenges, que é uma ação que aparece em tela quando alguma condição de batalha é atingida; e os Battle Commands (comandos de batalha), que é a possibilidade de usar um submenu em meio à batalha para dar diferentes ordens para a sua equipe.
Os comandos de batalha são especialmente importantes se você precisar destruir áreas específicas dos inimigos, ou se estiver enfrentando um grande grupo de adversários.
A curva de aprendizado é sempre constante e funciona muito bem em tudo o que se propõe, mas não deixa de ser algo por vezes maçante. Tudo isso torna Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition bastante estratégico e diferente da maioria dos RPGs de Ação.
Mais de 200 horas de Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition
Os jogos da franquia da Monolith Soft sempre possuem um grande escopo. Aqui em XCX: DE isso não é diferente e entrega um mundo aberto gigantesco, agradável, desafiador e visualmente lindo para explorar.
A exploração é livre desde o começo, mas muitas novidades são acrescentadas capítulo a capítulo. A liberdade ganha novos ares quando passa a ser possível aceitar missões de afinidade, que fortalecem os laços entre personagens.
As missões de afinidade estão presentes de uma maneira que me agrada muito: elas realmente são importantes para a história principal. De certa forma chega até ser incorreto chamá-las de secundárias, pois realmente estão interligadas às missões principais.
Há também as missões básicas (normal missions). Essas até se encaixam melhor na definição de secundárias, porém várias são necessárias para completar missões de afinidade (que por sua vez são essenciais para desbloquear os capítulos principais).
Essas novidades são bem apresentadas após concluir o capítulo 3, momento em que a gestão de equipe ganha mais importância. É também quando se habilita o modo online.
As missões de afinidade são introduzidas a partir da necessidade de realizar uma interligada com a básica The probe-fessional, para que seja habilitado o próximo objetivo, que dará início ao capítulo 4.
Ou seja, tudo está muito bem interligado de uma maneira que faz sentido e capaz de orientar objetivamente para o fato de que é crucial realizar missões de afinidade e básicas para concluir a história principal. Isso também mostra na prática que mesmo as não essenciais para terminar o jogo também podem garantir boas doses de diversão e desafios.
Penso que Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition faz um excelente trabalho interligando missões relevantes. Isso é algo que entendo que Starfield pecou muito. Há diversas missões secundárias que podem ser divertidas ou desafiadoras, mas a exploração do game da Bethesda não soube balancear a exploração e priorizar o que era importante em muitos momentos, fazendo com que o título se perdesse na própria grandiosidade.
XCX: DE também se trata de exploração espacial, embora aqui limitada ao planeta Mira e não interplanetária, como é em Starfield. O ponto é que o jogo da Monolith Soft evidencia que as missões de afinidade e as básicas existem e são fáceis de acessar (pode usar o próprio mapa para encontrar todas sinalizadas).
Isso é algo fundamental para manter a atenção num jogo longo, com potencial para durar mais de 200h, especialmente se tratando de uma gameplay que se renova constantemente.
Importante destacar também que Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition bloqueia o acesso a missões de afinidade quando se ativa uma missão principal. E vice-versa. Isso é um ponto positivo também para que os jogadores evitem ativar toda e qualquer missão de uma maneira que tudo fique perdido num menu já lotado de informações necessárias.
Saber elencar prioridades numa longa jornada. Esse é um grande mérito da Monolith Soft.
A respeito da exploração num rico mundo aberto, outro aspecto que merece destaque é que diversas missões te colocam em lugares com inimigos muito poderosos, mas sempre há uma maneira de explorar as áreas e passar ileso por eles.
É possível se esgueirar por algum lugar, ou pular pelas montanhas, para não ser visto pelos adversários mais fortes, fazendo com que os combates aconteçam apenas contra os que nivelam com a indicação de nível da missão. Nem sempre é fácil ter a destreza necessária, mas é possível…
Como o jogo não é muito punitivo, as desvantagens por morrer em batalha não são muitas. O que acontece é você e sua equipe voltarem com TP zerado e, por vezes, pode ser que o último checkpoint tenha sido longe de onde você gostaria de estar.
A punição é um pouco maior no caso de já ter um Skell, pois daí será necessário repará-lo, podendo por vezes perder algum equipamento importante se não tiver um Skell Insurance.
É preciso desenvolver a BLADE como sociedade
Em tradução livre, BLADE significa Construtores do Legado Após a Destruição da Terra. Por mais que o apelo armamentista e robótico seja forte, na verdade a instituição que administra o lar da humanidade no planeta Mira está gerenciando uma pequena sociedade.
O contexto social é fundamental não apenas para fortalecer os laços por meio das missões de afinidade, mas também investindo em startups que estão presentes na base da USS White Whale. Com o avanço da história, novas empresas se juntam ao local, e cabe a você administrar recursos – como dinheiro e miranium – para que elas desenvolvam novas tecnologias, que serão aplicadas para expandir as armas e os equipamentos disponíveis para compra.
Essa gestão de investimentos pode ser feita num lobby onde também há uma loja para comprar e aperfeiçoar armas e equipamentos, tanto seus, quanto dos membros da sua equipe. A dinâmica é simples e funcional, mas o tutorial vem acompanhado de uma grande leva de informações que exigem atenção, como destaquei antes.
O distrito administrativo também é o local onde há totens para ver quais missões estão disponíveis, seus níveis de dificuldade, exigências para ativá-las e quais são as recompensas por completá-las. É realmente útil verificar isso, bem como os objetivos de afinidade e normais que mencionei anteriormente.
Também é importante por vezes aceitar missões dentro do quartel-general da BLADE, onde são ativadas aquelas relacionadas à história principal. Nesse ambiente é possível entrar em jornadas para atingir objetivos específicos dentro de um limite de tempo. Há boas atividades que rendem uma quantidade importante de recursos e experiência, o que pode otimizar o tempo para progredir seu nível.
Trabalho em equipe e monitoramento de Mira
Os integrantes da BLADE assumem funções em divisões variadas para atingir o objetivo de recuperar a parte da USS White Whale que se separou quando a nave gigante foi atingida e caiu em Mira.
As divisões são: Pathfinders, Interceptors, Harriers, Reclaimers, Curators, Prospectors, Outfitters e Mediators.
O jogo exige que você escolha uma, mas é algo simbólico, pois o mais importante é conhecer as funções de cada uma. Na prática, você vai ter que fazer de tudo um pouco ao longo da jornada. Depois de um tempo é possível também alternar entre divisões.
Isso porque as atividades envolvem desbravar áreas para liberá-las no mapa, instalar probes para coletar informações e recursos, derrotar diversos inimigos… Enfim, tudo o que você faria para conseguir saber como e onde encontrar o restante da sua nave ao cair num planeta com biomas variados e criaturas desconhecidas, sendo muitas delas hostis.
Trabalhar em equipe é uma constante. Isso é fundamental em cada combate, pois como mencionei, até a posição do seu avatar é importante para a estratégia de um enfrentamento, e coordenar suas ações com os ataques de seus colegas é também algo essencial para maximizar dano e recuperação de vida e TP.
Essa sinergia em batalha agrava o ponto negativo que é não ter Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition em português do Brasil.
Isso porque os personagens da equipe falam constantemente, e é útil prestar atenção no que eles estão dizendo para executar o melhor combo de ataques, especialmente para causar efeitos especiais nos inimigos.
Certas condições de batalha são sinalizadas nos botões das Arts para que você escolha o melhor momento para potencializar seu ataque carregado. Nesses casos não é plenamente necessário saber o que os colegas estão dizendo, mas em outras situações alguém pode falar algo que só vai gerar a sinalização da ação mais efetiva se você fizer algo antes, naquele momento específico.
Então, sendo um game cheio de tutoriais e em que é importante até mesmo entender o que os personagens falam durante intensas batalhas, realmente fez falta não termos o jogo com legendas e dublagem em português brasileiro.
Rica progressão de habilidades e armas, mas também complexa
Eu realmente gostei da grande variedade de aprimoramentos de armas, equipamentos, Arts, habilidades, Skells e por aí vai. Há uma grande riqueza de detalhes que podem ser melhorados, fazendo com que seja um jogo de ação com muita estratégia envolvida.
E tudo isso se aplica também para os personagens que compõem a sua equipe, o que torna a experiência ainda mais detalhada, exigindo uma boa gestão do time e dos recursos.
No entanto, reconheço que o excesso de tutoriais ao longo da jornada e de informações nas interfaces são complexas e nada amigáveis para quem não está acostumado com a franquia, ou para quem não dispõe do tempo necessário para se aventurar com atenção.
Os menus são muito bonitos e funcionais. Inclusive o estilo artístico moderno e em tons de azul me lembrou também o modelo adotado em Pikmin 4, um jogo bem mais amigável, que também usa visuais um tanto futuristas por igualmente se tratar de um game com exploração num planeta desconhecido.
Apesar de bonitos e funcionais, há alguns casos que tem tanta informação em tela que pode acontecer de você deixar algo passar. Eu por exemplo demorei a entender como aperfeiçoar uma arma.
Desenvolvi o item necessário para melhorar os atributos, mas não sabia o que fazer com ele. Até que uma hora me dei conta que algumas armas possuem um espaço com um ícone de círculo pontilhado. Isso é o que indica que aquele armamento pode receber upgrade, e para acessar o respectivo slot é preciso apertar ZL.
Os personagens também podem ter diferentes classes, cada uma com habilidades específicas e níveis próprios. É possível alternar a qualquer tempo, mas o desbloqueio de novas classes somente acontece conforme a progressão do nível do seu avatar.

Subir nos rankings de cada classe permite acrescentar novas habilidades passivas, além de aumentar os espaços para inclusão de novas Arts. As classes também possuem armas específicas. Por exemplo, a Enforcer somente permite que você use facas e armas de raio.
Então essa definição de quais armamentos e equipamentos de proteção podem ser usados é algo bem interessante e estimula que você os troque, à medida que chega no rank máximo de cada classe. Também é útil voltar a alguma que já esteja no nível máximo quando for o caso de enfrentar um inimigo muito poderoso.
Excelência gráfica e de performance em Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition
Xenoblade Chronicles 3 é um jogo muito lindo e que roda super bem no Nintendo Switch. Quase três anos após seu lançamento, a Monolith Soft conseguiu mostrar que havia possibilidade de fazer um trabalho ainda mais polido visualmente, mesmo se tratando de um game mais complexo e com um escopo mais amplo (sem considerar a DLC Xenoblade Chronicles 3: Future Redeemed, que ampliou ainda mais uma jornada já bem extensa no título de 2022).
A USS White Whale e seu entorno são os primeiros grandes aspectos visuais que chamam atenção pela beleza das cores vivas, especialmente do azul claro dos cristais que a circundam. E o game não para de surpreender com cenários belíssimos para contemplar tanto de dia, quanto de noite.
A Monolith Soft fez escolhas competentes para que a beleza gráfica não acontecesse em detrimento da performance. Por exemplo, não há interação física quando você corre pelos gramados. Os carros presentes na USS White Whale são “de mentira”, seu avatar simplesmente atravessa eles como se não existissem.
São pequenas concessões que não prejudicam em nada a experiência, especialmente por se tratar de um jogo cartunizado.
Outra escolha técnica acertada do estúdio é fazer com que cutscenes sirvam para carregar dados do mundo aberto que irão aparecer a seguir. Há breves momentos que a câmera fixa por dois ou três segundos num personagem após ele finalizar sua fala, o que evidencia que o carregamento está ocorrendo em segundo plano sem necessitar de uma tela de loading.
O uso da tela preta de carregamento acontece em alguns momentos, mas é a exceção em Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition.

As batalhas em XCX: DE são muito intensas e, como mencionei algumas vezes, repletas de opções de comandos na interface para realizar as ações individuais e coordenar a equipe. Tudo isso acontece perfeitamente com 30fps consistentes.
É realmente primoroso o trabalho técnico da Monolith Soft para garantir uma performance sólida em todo o game. Isso é ainda mais notável nas batalhas que acontecem no mundo aberto, com diversos monstros e o clima realizando ações enquanto os confrontos ocorrem em tempo real, especialmente considerando que seus aliados interagem constantemente conosco.
Modo online de XCX: DE
Jogar Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition conectado à internet é algo opcional e, sinceramente, não me atraiu muito. Os tutoriais são simples e fáceis de entender, tirando um pouco o peso da complexidade de outras instruções recebidas ao longo do jogo.
Apesar disso, o menu online de certa forma não é convidativo se você não for entrar para um esquadrão específico. O quick assignment teoricamente faz um pareamento com jogadores do níveis próximos ao seu, mas nos poucos momentos que usei me vi junto de pessoas muito acima ou abaixo do que eu me encontrava.
O game apresenta objetivos para realizar online. Após se conectar a um esquadrão, você meio que fica sem saber o que fazer e tem que ir por conta própria atrás das pessoas, que costumam estar em locais bem diferentes jogando sua própria gameplay solo ou, de fato, buscando conquistar os objetivos.
Como não há comunicação dentro do jogo, fica difícil coordenar algo legal se não for num esquadrão fechado com pessoas que você conhece e se comunica por algum aplicativo de terceiros.
Apesar de não ser tão atrativo no geral, há eventos periódicos online que envolvem enfrentar inimigos gigantes e muito poderosos, o que acaba sendo pontualmente interessante.
Outros pontos positivos de Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition
Um aspecto realmente útil de XCX: DE é a possibilidade de sinalizar itens necessários para desenvolver armas e equipamentos. Isso faz com que sejam mostrados no mapa. A marcação também aparece nos monstros que podem dropá-los, o que é uma grande ajuda para conseguir tudo o que você estiver buscando no momento.
Outro recurso que merece destaque é a movimentação automática. Você pode apertar R+B para seu personagem andar, correr ou nadar por conta própria, o que é muito útil na hora de percorrer longas distâncias em linha reta.
Por fim, vale destacar também o Follow Ball, que é o indicativo visual que te ajuda a chegar no objetivo rastreado. Simples, funcional e de grande utilidade.
Veredito
Com uma jogabilidade estratégica, mas complexa, Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition é mais um excelente trabalho técnico da Monolith Soft, que se consolida como um dos melhores estúdios da Nintendo por ser capaz de aproveitar ao máximo o hardware de cada console.
O RPG de Ação honra o legado da franquia Xenoblade Chronicles e do próprio Nintendo Switch, oferecendo centenas de horas de diversão e exploração agradável em meio a um vasto mundo aberto com ótimos gráficos e performance consistente, mesmo em situações com muitas informações em tela e intensos combates.
XCX: DE proporciona um encerramento de alto nível para o Nintendo Switch antes da chegada de seu sucessor. Um verdadeiro presente para os fãs do console e também da franquia, que agora podem curtir todos os títulos na mesma plataforma.
4,8 / 5,0
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Assista ao trailer:
Ficha técnica de Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition
Lançamento: 20 de março de 2025
Desenvolvido por: Monolith Soft
Publicado por: Nintendo
Plataforma: Nintendo Switch
Número de jogadores: 1 (offline), 1 a 32 (online)
Gêneros: RPG de Ação
Idiomas: Alemão, Chinês Simplificado, Chinês Tradicional, Coreano, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Japonês
Preço: R$ 349,90