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    “É o sonho de milhares de pessoas”, diz Bág sobre o jogo BágDex

    Desenhos inspirados por Pokémon e Digimon compartilhados pelo ilustrador Wagner Janelli Tamborin, o Bág, em suas redes sociais conquistaram a comunidade gamer brasileira. Logo, os fãs começaram a pedir por mais desenhos e, claro, um jogo dos Pokémon brasileiros.

    Rapidamente a ideia ganhou força não apenas entre os seguidores do Bág, como também entre empresas do ramo. Assim, os Bágmons encontraram sua casa junto à Dumativa, à Nuuvem e aos Castro Brothers.

    Tudo aconteceu de maneira despretensiosa, mas bem de acordo com as experiências profissionais que o Wagner já tinha vivido. Bág sempre gostou de desenhar e é formado em Engenharia de Software. Durante a faculdade, ele teve seu primeiro contato com desenvolvimento de jogos.

    “Eu meio que uni as duas coisas: o meu hobby, que era desenhar, e a parte da criação mais técnica, que é a parte dos jogos”, relata.

    Durante e após a faculdade, Bág mantinha suas redes sociais atualizadas com as ilustrações que desenhava. Muitas delas eram fanarts de franquias que ele ama, entre elas Pokémon e Digimon. Era uma forma como ele, que também atuava com freelancer, usava para conseguir clientes: “Eu percebi que a galera gostava muito de ver os processos de desenhos nas redes. E dava bastante view, bacana e tal, consegui bastante trabalho”.

    Bág continuou publicando sem pretensão de que suas ilustrações se tornassem um jogo, mas em 2021 a história começou a mudar.

    “Foi em 2021 que estourou aquele meme do bem-te-vi que eu tive a ideia de desenhar ele como um Pokémon. Aí eu gravei esse processo, postei e do nada bateu um milhão de views em poucos dias. E nos comentários a galera pedindo mais, pedindo mais… E foi virando uma bola de neve. Assim foi nascendo um esboço do que seria a BágDex alguns meses depois, porque depois de oito meses eu tinha os 151 Bágmons desenhados”, detalha.

    Após desenhar centenas de monstrinhos, Bág compartilhou cada um no Twitter e viu seu alcance ganhar proporções ainda maiores, chegando inclusive a grandes produtores de conteúdo que ele acompanhava.

    Com a galera gamer e os content creators falando sem parar sobre os Pokémon brasileiros, ele decidiu então criar um servidor no Discord para destacar que não teria como criar um jogo por conta própria, mas que gostaria de criar uma comunidade forte para ver o que mais poderia ser feito.

    Bág e seus amigos da recém-criada Caramelo Games desenvolveram o aplicativo da BágDex, para que os membros da comunidade tivessem em mãos uma “Pokédex brasileira” com detalhes sobre os 151 Bágmons. Os feedbacks recebidos novamente foram positivos e, claro, vieram mais pedidos para que um jogo fosse desenvolvido.

    Nessas interações no Discord e do Bág em sua conta no Twitter, no meio de 2022 a Nuuvem viu o ilustrador falando sobre a ideia de criar um jogo e entrou em contato para ver se ele tinha interesse em fazer por financiamento coletivo. Nisso, a empresa agregou a Dumativa, estúdio independente do Rio de Janeiro, que à época trabalhava na campanha para financiar A Lenda do Herói 2: A Marcha de Malaquias.

    “Essa foi a virada de chave do projeto. Deixou de ser uma brincadeira que eu fazia no meu tempo livre e passou a ser uma parada completamente diferente, passou a ser um produto, uma franquia que tá nascendo. E desde então a gente tá trabalhando dia e noite para tentar fazer ele da forma mais perfeita possível, da forma como a gente quer”, afirma.

    Bág destaca que, no Brasil, um jogo do porte que está sendo pensado para BágDex ainda depende de financiamento coletivo para sair do papel: “Se você ainda não apoiou, apoie porque não é só um projeto, não é só um jogo. É um sonho que está sendo realizado, não só meu, mas de todas as dezenas de pessoas envolvidas no projeto, e de todos os milhares de apoiadores. É o sonho de toda essa galera de ter uma coisa nossa. Então a gente tá fazendo esse projeto com muito amor, com muito carinho, com muita dedicação”.

    “É só R$ 35, mais barato que um lanche, então apoie porque o Brasil precisa ter projetos. A gente precisa ter voz nessa indústria, mostrar que a gente tem poder de criar coisas, e esse poder aqui no Brasil vem da comunidade. Então muito obrigado a todo mundo que apoiou, porque sem vocês nada disso estaria acontecendo!”, finaliza.

    O que é o BágDex?

    BágDex é um jogo inspirado em Pokémon e Digimon que se passa na região de Brasilis e tem o Brasil como pano de fundo. O game promete ir além das principais fontes de inspiração, agregando também recursos como minigames, farming e construção de laços de amizade com os monstrinhos em uma história focada em valorizar a diversidade, a fauna e a flora do país.

    BágDex é um jogo de RPG 2D com visão top down inspirado em Pokémon, mas com uma arte gráfica autêntica
    BágDex é um RPG top down inspirado em Pokémon e Digimon | Créditos: Dumativa

    O jogo BágDex é a estreia da Dumativa como publicadora de jogos e o primeiro grande projeto da Caramelo Games. O game conta com a colaboração criativa dos Castro Brothers, além da participação de importantes nomes do entretenimento brasileiro, como Rafael Lange (Cellbit), Guilherme (Damiani), Maurício Cid (Cid Cidoso) e Lucas Rossi (Luba TV).

    Com o modo PVP já confirmado, os jogadores poderão batalhar contra amigos, utilizando inúmeras opções de ataque distribuídas entre os Bágmons, além de explorar uma área bastante diversa.

    O projeto está sendo viabilizado por financiamento coletivo (detalhes no fim do texto) e promete proporcionar uma experiência única e envolvente, que explora as raízes e a diversidade cultural do Brasil, apresentando easter eggs, locais e ícones do país.

    Entrevista com Wagner Tamborin (Bág), criador do BágDex

    O que você pode compartilhar sobre a questão dos direitos autorais? Como está sendo o processo de mudanças dos Bágmons?

    Tem essa cultura de que a Nintendo derruba projeto a rodo por aí. Fangame cai a toda hora e tudo mais, então se criou essa cultura de que se você tá fazendo isso, a Nintendo vai processar. E realmente, se a gente tivesse pegado os Bágmons do começo e transportado para dentro de um jogo e vendesse isso, com certeza daria problema.

    Então por isso que desde o ano passado no nosso Discord, quando a gente começou a falar com a galera, a gente falou que se fosse ter jogo, a dex que eles conheciam teria que mudar.

    E a gente começou a fazer uma revisão completa da dex, do primeiro ao último Bágmon. Alguns não vão mudar porque são completamente originais, a maioria na verdade, mas todos eles vão ter que ser redesenhados porque o estilo de desenho que eu fiz na primeira vez é diferente de um estilo de arte que vai para um jogo.

    Então a gente tá tendo que fazer essa adaptação já. E alguns Bágmons realmente vão ter que fazer um redesign, vão ter que sofrer alterações, justamente para garantir que a gente tenha um projeto completamente autoral e não tenha esse problema.

    O que a galera se confunde um pouco é que a Nintendo não tem direitos sobre um estilo de jogo, tanto que tem vários outros “pokéclones” por aí, até na loja do Switch, como Coromon, Temtem, Nexomon que são claramente inspirados em Pokémon, só que a Nintendo só tem direitos sobre personagens, nomes, músicas… Ela não pode ter direitos sobre um estilo de jogo que é o monster catcher.

    Como vai ser o sistema de captura e quantos Bágmons vão poder fazer parte da equipe?

    No nosso projeto a gente não vai ter uma captura em si. É uma coisa que a gente quis fazer diferente e quis tirar, porque a gente acha meio esquisito um monstrinho ficar dentro de um negocinho minúsculo.

    De acordo com o ilustrador Bág, o sistema de captura de Pokémon é esquisito, então optou por inovar nessa mecânica em BágDex
    Sistema de capturas do BágDex é por coleta de dados do Bágmon | Créditos: Dumativa

    Vamos fazer a captura ser só dos dados daquele Bágmon, e isso vai fazer parte da lore do jogo, coletar todos os dados para ajudar na pesquisa da professora, e o Bágmon vai ser do seu time pela amizade. Você vai poder alimentar, cuidar dele e esse laço de amizade vai se fortalecendo. É isso que faz ele ficar no seu time.

    E também tem muito do Centro de Treinamento que a gente tá criando, onde você vai poder deixar os seus Bágmons, então você vai poder ter uma penca de Bágmons ali dentro trabalhando com você, ajudando a cuidar das coisas e tudo mais.

    Cada tipagem de Bágmon vai ter uma coisa específica para ser feita, então a gente quer trabalhar muito esse sistema de comunidade e de melhoramento do ambiente em volta, de preservação. É uma mecânica e uma narrativa que a gente quer trabalhar muito bem.

    Isso tem a ver com os minigames?

    Tem. A gente tá pensando em vários minigames para que o jogador tenha a opção de fazer a lore principal, e também tenha a opção de se divertir despretensiosamente no jogo, justamente para ter essa rejogabilidade.

    Às vezes a pessoa não gosta muito de fazer uma lore linear, e quer estar ali para plantar as coisinhas, melhorar o Centro de Treinamento e sua cidade. Então se é uma pessoa que quer jogar mais casual, vai ter diversão também para ela; se a pessoa quer jogar mais hard, batalhar, ir na Liga, também vai ter.

    BágDex vai se diferenciar de Pokémon trazendo minigames, sistema de farming e pela necessidade de fortalecer laços com os Bágmons
    Minigames e farming são diferenciais do BágDex | Créditos: Dumativa
    Na tua opinião, qual é a principal diferença que o BágDex vai oferecer em comparação aos jogos de Pokémon em 2D?

    Eu acho que a principal diferença é realmente essa parte de você poder interagir mais com os monstrinhos e eles terem uma utilidade a mais do que só batalhar.

    Se me perguntassem se o BágDex fosse uma formulinha, quais outros jogos estariam nessa fórmula para resultar no BágDex? Eu colocaria Pokémon, Digimon, Stardew Valley e outros joguinhos que têm essa temática de construção, de comunidade mesmo. A gente quer misturar o melhor desses mundos e criar uma coisa única.

    O que são os Bágmons Cintilantes e Fulgentes?

    A versão cintilante é como se fosse a versão shiny (de Pokémon), e a versão fulgente é um outro nível mais raro de versão shiny, só que além da diferença de cor, vai ter uma diferença nos status dele e também alguma diferença no formato. Então ele vai ser um Bágmon muito mais raro de encontrar e muito melhor, digamos assim, nos seus afazeres, nas batalhas e tudo mais.

    A customização dos personagens parece que vai ser algo bem importante. O que a comunidade pode esperar em relação aos itens cosméticos? Vão ter roupas e acessórios relacionados a cada uma das regiões do Brasilis para criar os personagens?

    O jeito que a Dumativa faz campanhas é de uma forma em que a gente quer ganhar o coração da galera no primeiro trailer. Então esse primeiro trailer foi muito trabalhoso porque a gente precisou decidir muita coisa em um curto período de tempo, sabe? E uma das coisas que a gente decidiu foi o estilo da arte.

    A gente fez vários testes, vários esboços, vários rabiscos, vários artistas trabalharam em conceitos diferentes, e a gente chegou nesse consenso que foi uma arte um pouco mais Chibizinha, não ser pixel art, mas ser uma arte mais acolhedora, digamos assim, mais polida, que é o estilo de arte que eu trabalho – é a minha especialidade -, mas que também seja uma coisa mais autêntica, diferente do que a gente vê em jogos que tem essa mesma temática.

    A parte de customização a gente quer realmente fazer uma coisa bem completa mesmo. A gente quer que a pessoa consiga se sentir representada, porque um dos pilares do projeto é a representatividade. A gente quer trazer muita coisa real para dentro do jogo, a gente tá falando sobre regiões do Brasil, culturas diferentes. Então se a gente vai falar sobre isso, precisa fazer com que a galera se sinta representada por completo.

    Por conta da temática, o vínculo a um console da Nintendo acaba sendo inevitável. Vocês têm pretensão de lançar o Bágdex para consoles, seja só o Switch ou todos os outros?

    No primeiro momento a gente vai lançar para PC, mas se a gente conseguir bater todas as metas, a gente tem vontade de fazer o port para todos os consoles que a gente conseguir. E o Switch é o “mais fácil” de conseguir porque a Dumativa já tem esse port de jogos deles pra Switch, então se a gente conseguir lançar pra consoles, pro Switch com certeza sai.

    Veja aqui todas as perguntas e respostas na entrevista completa em nosso canal no YouTube

    Ficha técnica do BágDex

    Direção Criativa: Bág (Wagner Janelli)

    Desenvolvido por Caramelo Games e Dumativa

    Plataforma: PC

    Classificação: Livre

    É possível apoiar o projeto pelo financiamento coletivo realizado na Nuuvem até 12 de maio de 2023. Apoios a partir de R$ 35,00.

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