Dia D é o mais novo longa-metragem do cineasta Steven Spielberg e conta com Emily Blunt, Colin Firth, Colman Domingo e Josh OˋConnor no elenco principal. O filme estreia dia 11 de junho nos cinemas brasileiros.
Quando uma lenda da indústria volta aos holofotes, todos param para assistir, afinal de contas, não é a todo o momento que um dos melhores diretores da história abraça um projeto com tudo, ainda mais com um diversas estrelas posicionadas no casting.
Dia D é a cara de Spielberg, uma vez que traz tudo que ele mais ama: uma ficção científica com mistérios intrigantes e cenas de tirar o fôlego.
Começando pelos acertos, o longa tem uma direção impressionante, com perseguições de carro, tiroteios, muita correria e invencionices das mais absurdas, com efeitos práticos e especiais invejáveis. A genialidade do diretor aparece em tela em cada frase e tudo tem algum significado.
Outro ponto importante está no elenco escolhido a dedo.
Emily Blunt (Margaret) é o grande destaque em questão de atuação, mostrando uma desenvoltura exemplar, sempre preenchendo a tela com uma personagem que mostra uma doçura ímpar, mas que tem medo do desconhecido e é puxada para uma trama complexa. A atriz consegue ir de uma confiança gigante para a incerteza, da felicidade para o modo de vigilância constante, sendo a figura do “escolhido”, tão comum em filmes de diversos gêneros.
Colin Firth (Scanlon) é um antagonista muito bom, com uma régua moral contestável. Suas ações são questionáveis, apesar do objetivo final ser louvável, pois ele acredita que os segredos que a WARDEX, órgão do governo responsável pelas informações sensíveis sobre contatos de 4º grau, seriam destrutivos para a humanidade. Sua causa é nobre, seus métodos não. O ator consegue dar nuances interessantes para seu personagem que é um homem cheio de mágoas e que é determinado, uma mistura perigosa.
Em menor escala, Colman Domingo é Hugo, um homem que é o completo oposto de Scanlon, visto que ele acredita que as informações guardadas a sete chaves pela ONG são, de direito, dos humanos. Sensível, bondoso e idealista, o personagem encaixa bem com o talentosíssimo ator.
Completando o elenco, Josh OˋConnor (Kellner) e Eve Hewson (Jane) fazem um trabalho eficaz, mas sem muito destaque. A personagem de Hewson tem uma questão importante sobre fé x ciência, mas que não é tão bem trabalhada na trama.
Aliás, sobre o roteiro, a grande fraqueza de Dia D está nele. A obra precisa de várias facilitações para funcionar. A equipe da WARDEX tem menos habilidades do que os soldados do Sargento Pincel ou os Stormtroopers de Star Wars por conta da gigantesca incompetência.
Além disso, o texto estabelece condições favoráveis aos antagonistas, mas que sempre são usadas de maneira equivocada ou esquecidas para dar uma “chance” aos protagonistas. Há momentos que beiram ao constrangimento tamanha preguiça dos roteiristas. Margaret, por exemplo, é uma Deus Ex-Machina ambulante que sempre tem uma solução mágica na cartola, deixando até mesmo a Jean Grey de X-Men no chinelo.
Por conta da trama, Dia D perde uma chance de ser uma unanimidade, se tornando um filme que vai dividir opiniões, ainda mais com sua mensagem brega no final em um mundo cada vez mais crítico.
Veredito
Dia D tem em suas questões técnicas o seu grande trunfo, contando com um diretor espetacular e um elenco estrelado. Entretanto, o roteiro fraco torna o espetáculo vazio e brega, gerando um desconforto no espectador.
3,5/5,0
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