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    CRÍTICA – Casamento Sangrento: A Viúva é um banho de sangue catártico

    Casamento Sangrento: A Viúva é a sequência do filme de 2019 e conta com Samara Weaving, Kathryn Newton e Elijah Wood no elenco principal. A direção é de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett.

    O primeiro filme de Casamento Sangrento veio e se mostrou um “terrir” dos bons, com um texto bastante ácido e com uma mitologia única, cheia de peculiaridades e com membros cínicos, poderosos e extremamente excêntricos, o que despertou um interesse genuíno para uma sequência.

    Eis que sete anos depois, chegamos com uma sequência que amplificam esta história e traz novos vilões mais implacáveis e perigosos, fazendo algo que a franquia John Wick realizou quando expandiu seu clã de assassinos.

    O segundo capítulo desta narrativa traz informações inéditas sobre a seita satânica, que tem um poder imensurável, parando ou começando guerras, dominando a economia global e tudo mais, fora que o Sete Peles é o grão mestre destes seres peculiares que querem fazer da vida de Grace (Sarama Weaving) e Faith (Kathryn Newton) um inferno na Terra.

    Dos vilões, podemos destacar dois nomes: Ursula e Titus Danforth (Sarah Michelle Gellar e Shawn Hatosy), os irmãos gêmeos que fazem parte da família mais influente da seita.

    Sarah Michelle Gellar tem uma atuação excelente, pois consegue ter uma ambiguidade curiosa. Por uma lado, Ursula parece ser uma pessoa que não queria fazer parte do grupo, entretanto, ela também se mostra sedenta por poder, sendo bastante perigosa.

    Já Shawn Hatosy vai do capanga bobão ao assassino violento que quer destruir tudo com sua fúria. Titus, seu personagem, se sente subestimado por sua família e sua raiva vai o consumindo, o transformando em um homem brutal. O ator consegue ser imponente fisicamente, convencendo com um trabalho que vai crescendo aos poucos, com o antagonista sendo extremamente instável psicológicamente.

    Já as protagonistas Grace e Faith são sarcásticas, com um instinto de sobrevivência apurado e lutam bem juntas, mesmo que tenham suas diferenças bem nítidas. Grace é cheia de culpa por ter abandonado a irmã e Faith é envolvida em puro remorso. Seus embates emocionais são um dos pontos baixos do filme, já que Casamento Sangrento: A Viúva se sustenta bem na comédia e violência e a relação das irmãs leva o longa-metragem para um melodrama desnecessário que acaba arrastando o projeto. Muitas vezes quando as duas ficavam sozinhas, era difícil de não revirar os olhos com os diálogos repetitivos sobre o que elas sentiam uma peça outra.

    No aspecto de roteiro, a obra consegue expandir muito bem sua mitologia, apresentando regras novas, a importância das famílias e uma burocracia gigantesca. O diabo parece gostar de complicar as coisas nos contratos, principalmente nas letras miúdas. Por mais haja muita criatividade, o longa tem suas saídas fáceis para problemas complexos, o que tira um pouco de crédito do texto. O sarcasmo é a grande sacada, uma vez que mostra que os ricaços são pessoas mesquinhas que sempre tem tanta ambição que acabam inventando jogos mortais e indo ao extremo perigo ou excitação para satisfazer seus anseios. Com os recentes acontecimentos do mundo atual, com as pastas de Epstein, Casamento Sangrento: A Viúva chega no momento certo, sendo assustadoramente atual.

    Por fim, a direção de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett é inventiva, criando cenas engraçadas e ácidas, com a violência gráfica como um recurso narrativo bem encaixado. AS lutas são ótimas, o timing cômico está perfeito e os personagens funcionam por conta de decisões precisas da dupla mostrando o quão rídículos são os antagonistas.

    Como destaque, temos uma rima visual de duas brigas corporais, uma envolvendo spray de pimenta e outra no corredor. De um lado, temos uma cena engraçada e tosca do jeito certo, do outro, temos uma pancadaria torturante e impactante visualmente, mostrando os dois lados da moeda de Casamento Sangrento: A Viúva, que tem muitas qualidades a serem apresentadas em tela.

    Veredito

    Divertido e excêntrico, Casamento Sangrento: A Viúva é um grande acerto, deixando possibilidades excelentes para uma franquia, uma vez que sua mitologia é extremamente rica e curiosa. Com atuações funcionais e com um texto e direção bons, o filme vai agradar bastante quem curte uma sanguinolência e um humor sádico, elementos necessários para um bom “terrir”.

    Nossa nota

    3.8/5.0

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