Em novembro, tivemos a oportunidade de participar de uma coletiva de imprensa sobre o filme Frankenstein, novo longa da Netflix dirigido por Guillermo Del Toro. A produção é uma releitura moderna do clássico de Mary Shelley, e conta com Oscar Isaac, Jacob Elordi e Mia Goth no elenco.
Confira abaixo as perguntas que fizemos para Del Toro e Isaac!
O filme tem uma estética visual deslumbrante, mas algumas cenas parecem bastante complexas de se realizar. Qual foi a parte mais desafiadora do processo de filmagem e houve alguma cena que você gostava muito, mas que acabou ficando de fora da versão final?
Guillermo Del Toro: Sim. Você sempre destrói coisas que quer preservar ou criar no primeiro impulso, porque você está moldando o filme. Você não está julgando as partes individuais, sem trocadilho com Victor Frankenstein, sabe? [risos]. E você molda isso pelo ritmo, pelo fluxo, pela pertinência, sabe?
É extremamente difícil projetar um filme como este. Mas, uma vez que você se prepara por, bem, nove meses, que é o tempo que leva para fazer um filme assim, teoricamente você sabe todas as respostas. Você não deveria estar passando por dificuldades enquanto filma, sabe? Se você é cuidadoso. E eu sou um cineasta muito cuidadoso, sabe? Você deve conseguir enxergar facilmente como vai executar tudo.
A parte difícil, ou eu acho que é a parte mais elaborada, é garantir que tudo pareça ótimo, mas que também esteja contando uma história. Você não está fazendo “eye candy” (algo bonito de ver). Você está fazendo “eye protein” (algo que vai além da beleza).
Você está contando uma história. Não se trata de ficar bonito, mas deve ficar bonito e dizer algo eloquente sobre a cena ou o personagem, sobre onde está acontecendo e por que está acontecendo. Então, acho que o grande desafio é torná-lo emocional, no fim das contas.

Emerald Corp: A relação de Victor e Elizabeth traz ao filme tanto uma emoção profunda, quanto um choque de egos. Como foi para você filmar essas cenas com a Mia Goth e encontrar esse equilíbrio entre afeto e tensão?
Oscar Isaac: A Mia é uma artista incrível. Ela persegue a verdade como uma mariposa em busca da chama. Ela está sempre caçando o que é mais verdadeiro, a qualquer custo. Foi muito inspirador ver alguém que não tem medo de ir atrás disso. Mas o lance é que o Victor é uma ilha.
Quero dizer, eles são todos pequenas ilhas, né? E ele não a vê. Ele vê, muito literalmente, a mãe dele. Esse é o motivo pelo qual ela foi escolhida para interpretar as duas. Se é verdade ou não que elas se pareciam provavelmente não é verdade. É a imaginação do Victor, mas é isso que ele vê.
Ele só vê algo que ele quer, algo que ele deseja. E ele quer a validação dela mais do que qualquer coisa. Se ela dissesse “Eu te amo”, acho que ele nem saberia o que fazer com isso. Acho que ele provavelmente correria.

Mas o que ele quer é a validação, é só desejo, desejo e desejo. Ele é tipo o espírito de A Viagem de Chihiro, sabe, o Sem-Rosto. Ele só quer comer, comer e comer.
Então, sim, foi muito interessante encontrar esse balanço. E o Guillermo foi muito aberto para a gente experimentar. A gente fez muitas versões diferentes (das cenas).
Tem aquela cena do confronto, quando eu estou de robe esperando por ela quando ela sai. E aquela cena antes era tipo, na escada. E a gente tentou fazer na escada, e virou meio que uma coisa maluca tipo Cassavetes [risos], e o Guillermo falou “Esse não é o filme certo”. E então a gente descobriu a forma certa, mas ele nos permitiu ser bem experimentais para encontrar essa tensão.
Assista ao trailer do filme:
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