A euforia toma conta da franquia de tênis liderada por Mario e sua turma em Mario Tennis Fever, novo jogo desenvolvido pela Camelot e lançado exclusivamente para Nintendo Switch 2 no dia 12 de fevereiro. O título conta com 38 personagens, a maior variedade em toda a série Mario Tennis, e ainda com a adição de 30 raquetes eufóricas que transformam o esporte em algo ainda mais intenso e imprevisível.
O game conta com diversos modos, inclusive um focado em história chamado aventura, além de torneio, missões, gincanas, online e realista. Tudo isso envolvendo uma boa variedade de quadras que vão desde os pisos presentes no tênis tradicional (saibro, quadra dura, grama e modular) e outros com elementos da franquia, como o piso cogumelo em que a bola quica mais alto.
Confesso para você que sou muito fã de jogos esportivos com modo história e sempre que destaco isso preciso citar Diddy Kong Racing, jogo do Nintendo 64 que é um dos melhores títulos de corrida da história, que possuía uma ótima aventura para além das corridas e dos minigames.
Mesmo tendo pouca experiência com a série Mario Tennis, fiquei muito feliz quando a Nintendo anunciou Mario Tennis Fever, em 12 de setembro de 2025, por conta do modo aventura.
Entendo que construir uma história, por mais simplória que seja, mas que aproveite a progressão típica de uma aventura é algo bem importante para um jogo esportivo. Isso é algo que senti falta em Mario Kart World e que fiquei satisfeito por poder jogar em Kirby Air Riders.
Eis que o modo história de Mario Tennis Fever entrega muito bem o que eu esperava. Boa parte da turma do Mario se torna bebê ao tentar pegar a fruta dourada para curar a Princesa Daisy, que adoeceu de maneira misteriosa. A aventura conta uma história simples e infantil, mas que adapta com maestria o esporte ao contexto de fases e pequenos minijogos contra outros personagens desse universo, entre eles Wario e Waluigi (que também viram bebês) e – claro – Bowser.
A aventura exige que Mario e Luigi, agora bebês, reaprendam as habilidades de quando eram adultos. Para isso, o modo se divide em 2 momentos: primeiro focado em ser um tutorial com uma cara de não ser tutorial, pois envolve aprender as técnicas básicas e avançadas enquanto também responde algumas perguntas teóricas, sendo relativamente mais longo e dinâmico do que um tutorial habitual; e depois a aventura em si com um grupo maior de personagens.
Ao invés de simplesmente enfrentar adversários em quadras de tênis tradicional, o modo história reserva confrontos em biomas diferentes (como selva e geleiras) que envolvem atingir os adversários rebatendo projéteis que eles atiram. No caso de uma fase contra o Bowser, por exemplo, o desafio em determinado momento envolve rebater diversos Bob-omb e Bill Bala disparados pelo navio voador do Rei dos Koopas.

O modo aventura inclui 4 raquetes eufóricas de maneira gradual e não é possível escolher qual usar depois de já ter desbloqueado todas. O foco é usar os recursos que o jogo te dá para superar os desafios que, no geral, não são difíceis. Existem ainda momentos em que uma pequena exploração no cenário é possível, como no bioma de gelo, onde os adversários estão integrados a esse contexto em que se pode explorar o ambiente, como se fosse um minigame.
O bioma de floresta é um dos pontos altos, e mais desafiadores, de Mario Tennis Fever. Isso porque nessa parte há partidas de tênis mesmo, mas claro, com aquele toque diferenciado que somente um universo tão criativo como o do Super Mario e seus amigos é capaz de entregar. Nesse momento da jornada o campo é de grama, mas nele há Plantas Piranha que surgem aleatoriamente e, se elas comerem a bola, farão crescer grama no lado de quem não jogou a bola na direção das plantas.
Ou seja, o campo se expande cada vez mais para as laterais, tornando muito mais fácil vencer se a área do seu adversário for maior do que o habitual, ou muito mais difícil se a sua área for aumentada. Esse ambiente é o único que permite jogar uma partida opcional justamente para se habituar a essa dinâmica das Plantas Piranha.
Eu terminei o modo aventura em cerca de 6 horas e sinto que a jornada foi muito prazerosa, mas acredito que seriam bem-vindas mais algumas partidas opcionais ao longo da jornada, nem que fosse uma por bioma, e houvesse alguma recompensa legal por terminar a história com 100% das atividades realizadas.
Dinamismo caótico e estratégico com as raquetes eufóricas
Outra grande novidade de Mario Tennis Fever são as fever rackets, traduzidas para português do Brasil como raquetes eufóricas. Esses itens são raquetes especiais que podem ser usadas ao encher a barra específica conforme suas ações em quadra.
É possível portar uma ou duas duas 30 raquetes eufóricas dependendo do modo de jogo. A variedade disponível é ótima e com poderes que tornam a jogabilidade muito mais estratégica, e também caótica.
Há raquetes eufóricas com poderes bem conhecidos da franquia Super Mario, como a de estrela que te deixa invencível por um tempo e a de planta de fogo que solta bolas de fogo contra o campo adversário. Mas existem também algumas menos óbvias, como a de sombra que faz surgir um NPC para jogar temporariamente ao seu lado (mesmo nas partidas individuais) e a de lua que possibilita dar mais efeito às suas jogadas.
A variedade de 38 personagens e 30 raquetes eufóricas é um convite para a experimentação nos diversos modos de Mario Tennis Fever. Seja para jogar casualmente em cada um, ou focar em melhorar o seu ranking do modo online, fato é que a diversidade de combinações é algo muito positivo e interessante a ponto de agregar ainda mais horas de jogo.
Cada personagem possui um atributo:
- Versatilidade: desempenho consistente e jogabilidade equilibrada
- Defesa: mais capacidade de alcançar bolas difíceis
- Potência: executa golpes fortes que podem derrubar o adversário
- Velocidade: movimenta-se rápido para alcançar as bolas com mais facilidade
- Técnica: tem habilidade para mandar bolas nos limites da quadra
- Astúcia: excelente em aplicar efeito extra de curva nos golpes
Esses atributos também são essenciais para valorizar a experimentação de personagens, tornando a gameplay ainda mais estratégica.
Agradável sensação de progresso por todos os modos
Além da aventura, há também diversos modos muito divertidos em Mario Tennis Fever. Todos eles são importantes para desbloquear personagens, arenas, dificuldades e medalhas. O fato de necessitar a liberação de conteúdos é algo que considero positivo, pois estimula a jogar para além do passatempo. E, no caso de conquistar todas medalhas, a experiência é mais demorada e realmente desafiadora.
A sensação de progresso é bem agradável, pois há desbloqueios que ocorrem naturalmente com base no número de partidas de tênis disputadas na maioria dos modos, mas há também personagens que exigem um pouco mais para serem liberados. Por exemplo, vencer todas as copas.
Os torneios são divididos em 3 copas para o modo solo e o modo em dupla. As duplas não precisam ser necessariamente com outra pessoa jogando no mesmo console, podendo ser jogado ao lado da CPU que controlará bem o personagem que entrará em quadra com o seu.
As copas do modo torneio são relativamente curtas por durarem apenas 3 partidas (sendo duas de 3 sets, e a final com 5 sets), mas na Copa Estrela elas podem durar um pouco mais, pois os adversários equivalem ao nível difícil.
No modo missões é preciso enfrentar 10 partidas em sequência disponíveis em 3 níveis diferentes de dificuldade. A dinâmica de progressão se dá por uma torre de desafios, de modo que você só pode perder 3 vezes e, ao chegar a essa marca, é preciso recomeçar do zero.
As missões são definitivamente o estilo de jogo mais difícil de Mario Tennis Fever, pois além dos 3 níveis de dificuldade, após superar todos é desbloqueado um modo secreto com mais 100 desafios, cada um com 1 objetivo principal e mais 2 opcionais que contarão para a conclusão considerada perfeita.
As gincanas também são bem divertidas, pois transformam as quadras em ambientes bastante dinâmicos. Há a fase do Pinball do Waluigi em que a bola e o próprio personagem são rebatidos quando determinadas áreas estão ativas, tal qual ocorre num pinball de verdade.
Há também a quadra inspirada por Super Mario Bros. Wonder, em que os pontos se transformam em Sementes Fenomenais. A pontuação é obtida pela maneira tradicional do tênis, mas também ao acertar as sementes que surgem na quadra, tornando a experiência muito diferente do que acontece nas quadras tradicionais do esporte e também nas demais presentes no jogo com elementos típicos da franquia.

Apesar do modo gincana ser muito criativo e divertido, sinto que poderia haver mais variedade de quadras e desafios. Penso que havia espaço para ter mais fases temáticas na gameplay do modo aventura, com quadras inspiradas em biomas, e também em outros jogos da franquia Super Mario, pois certamente não faltaria repertório para oferecer mais algumas opções viciantes na gincana.
Por sua vez, o modo online é bem tradicional e típico do que os jogos esportivos de Super Mario oferecem, sendo plenamente funcional e com boa conectividade, mas não arriscando muito para tentar se consolidar como uma opção relevante no cenário de eSports. Até poderia, arrisco dizer, pois a gameplay é prazerosa e teria potencial para ser ainda mais viciante com um incentivo maior à competividade. Também não há sinal até o momento de que a Nintendo vá investir em eventos sazonais para trazer mais atrativos a esse modo de jogo.
Modo realista: o ponto fraco de Mario Tennis Fever
Admito que nutri uma expectativa alta para o modo realista, pois percebo que a Nintendo tem uma grande expertise em jogos usando o sensor de movimento dos Joy-Con, especialmente os voltados para esportes, como o Nintendo Switch Sports lançado em 2022 para o Nintendo Switch anterior.
No entanto, fiquei um pouco frustrado com a jogabilidade. Existem movimentos típicos do tênis disponíveis na jogabilidade tradicional de Mario Tennis Fever, entre eles topspins, slices e lobs, mas o modo realista parece não conseguir identificar adequadamente os movimentos dos Joy-Con.
Então você vai com a intenção de acertar a bola de determinada maneira, mas o resultado em tela é algo aleatório. Mais do que isso, muitas vezes o jogo avisa que você fez o movimento com atraso, fazendo com que a jogabilidade se torne truncada, pois nitidamente o game de certa forma “te ajudou” a realizar um movimento que nem daria mais tempo de fazer na gameplay tradicional.
Os comandos não são responsivos o suficiente para o que uma partida de tênis exige, inclusive o botão X que precisa ser pressionado para usar o golpe da raquete eufórica. Há apenas 6 opções de raquetes eufóricas nesse modo, e mesmo assim não é agradável e é comum o seu personagem ficar parado e não usar o ataque, especialmente quando o adversário usa a raquete fantasma, fazendo com que o timing da bola se perca por completo porque ela fica visível no campo do adversário e invisível quando passa pro seu. Assim, é nítido que muitas vezes o jogo inventa que você acertou.
Acreditava que a movimentação realista do tênis seria muito divertida com o incremento das raquetes eufóricas, mas infelizmente a experiência acabou sendo bem menos agradável e responsiva em comparação ao que a própria Nintendo já entregou em outros jogos que utilizam sensores de movimento.
Veredito
Com Mario Tennis Fever, a Nintendo mostra que aprendeu com a pouca quantidade de conteúdo presente em alguns jogos esportivos do encanador bigodudo, entregando uma experiência bem recheada para quem busca uma gameplay casual de tênis e também para quem espera uma jogabilidade estratégica e intensa. O modo aventura é um dos grandes destaques, assim como as novas raquetes eufóricas que agregam uma boa dose de estratégia e possibilidades divertidas ao combiná-las com os 38 personagens disponíveis.
4,4 / 5,0
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Assista ao trailer:
Ficha técnica de Mario Tennis Fever
Lançamento: 12 de fevereiro de 2026
Desenvolvido por: Camelot
Publicado por: Nintendo
Plataforma: Nintendo Switch 2
Número de jogadores: 1 a 4 (local e online)
Gêneros: Esportes, Tênis
Idiomas: Japonês, Inglês britânico, Francês, Alemão, Italiano, Espanhol, Coreano, Holandês, Chinês Simplificado, Espanhol Latino-americano, Francês Canadense, Português Brasileiro, Chinês Tradicional, Inglês Americano
Preço: R$ 439,90
