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    REVIEW – Cassette Boy traz proposta inusitada de puzzle para um RPG de ação que não te pega pela mão

    Cassette Boy é o novo jogo do desenvolvedor solo Kiyoshi Honda, responsável pelo estúdio indie Wonderland Kazakiri, que até hoje focou em criar games no estilo pixel art e tem em seu portfólio os títulos Dungeon and Gravestone e BQM – BlockQuest Maker.

    A nova empreitada de Honda foi lançada no dia 15 de janeiro para PC e macOS com o apoio do selo de publisher da Pocketpair (a criadora de Palworld) e consoles Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X|S. Para essas plataformas, a publicação foi feita pela Forever Entertainment.

    A versão que analiso neste review é a de Cassette Boy para Nintendo Switch.

    O jogo é inspirado por uma questão de mecânicas quânticas que inclusive foi provocada por Albert Einstein: a lua está lá quando ninguém está olhando para ela?

    Partindo dessa premissa, Cassette Boy é um RPG de Ação em que tudo que não estiver visível em tela não existe. A aventura ocorre num mundo de pixel art 2D com estrutura em 3D para dar profundidade e trabalhar os elementos de puzzle utilizando a mecânica assinatura da experiência criada por Kiyoshi Honda. O objetivo da jornada é, justamente, recuperar fragmentos da lua, que não está mais no seu devido lugar.

    Na prática, a inspiração vinda das mecânicas quânticas ocorre da seguinte maneira: se um adversário que está te atacando ficar fora do campo de visão, ele simplesmente não existirá até que você rotacione a tela e o faça reaparecer. O mesmo vale para objetos como as flechas atiradas pelo arco do nosso protagonista, que ao ressurgirem irão seguir o curso normal que estavam fazendo antes de sumir.

    Então os quebra-cabeças usando essa dinâmica são muito interessantes. Existem alguns que realmente exigem bastante atenção para que você visualize bem o cenário e pense cuidadosamente para aproveitar a trajetória de algum item (como as flechas) e a movimentação da câmera no momento certo para conseguir solucionar os puzzles.

    O combate não se vale tanto dessa lógica de fazer inimigos e objetos não existirem, mas há momentos em que é prudente sim tirar proveito dessa mecânica, agregando elementos de puzzle à ação do combate. Aliás, o jogo em si não é difícil, visto que poucas batalhas são um pouco mais exigentes, mas a gameplay tranquila se devem também ao fato de que a experiência não é nada punitiva (mas é importante lembrar de salvar nas fogueiras espalhadas pelo game, pois não há salvamento automático).

    As mecânicas de combate envolvem o uso de fitas cassete (daí o nome do jogo), que são liberadas gradualmente na aventura. Uma é a fita cassete da verdade, capaz de mostrar o que não aparece “a olho nu”; outra é a cassete do novo, que diminui o personagem; e a terceira é a cassete da tranquilidade, que recupera vida.

    Além dessas, também será desbloqueado em determinado momento o chip que desbloqueia a habilidade passiva de ficar invisível por pouco tempo. Essa mecânica tem uma contrapartida que é morrer e te fazer voltar do último ponto de salvamento, caso o rápido contador chegue a zero.

    Outro aspecto bem relevante, e que certamente vai ser positivo principalmente para quem sente saudade das dificuldades impostas pelos games da década de 1990, é que Cassette Boy raramente te diz o que fazer. É fundamental conversar com todos os NPCs, explorar áreas sem saber se está indo no caminho certo e ter atenção às descrições dos itens, pois nem sempre a resposta estará no comando para utilizá-los.

    Confesso que nem lembro a última vez que um jogo moderno me deixou tão à deriva como foi aqui. Um exemplo muito legal da agradável sensação de descobrir o que fazer é quando retornamos ao vilarejo principal após pegar um fragmento da lua. O que fazer a seguir? Às vezes a resposta aparece rapidamente, mas pode ser necessário falar com vários NPCs, entrar em diferentes casas e até mesmo sair da vila para saber qual é o próximo destino.

    Outro exemplo positivo é no momento do jogo em que nos deparamos com uma floresta misteriosa que confunde o viajante, da mesma maneira como acontece no labirinto criado para Lost Woods em diversos jogos da franquia Zelda.

    A resposta para saber qual é o caminho certo está num item que recebemos em determinado momento, mas não no fato de utilizá-lo, e sim na sua descrição no inventário. E mesmo essa descrição não é completa, pois deixa de fora uma informação essencial, impondo um desafio a mais para que você consiga se desvencilhar do labirinto.

    Desenvolvido unicamente por Kiyoshi Honda, Cassette Boy revive RPGs clássicos do Game Boy e mantém a essência de não guiar muito quem joga
    Puzzle num santuário desafiador | Créditos: Emerald Corp

    O jogo ainda conta com santuários espalhados ao longo da aventura e são momentos em que os quebra-cabeças são mais exigentes. É um ponto positivo que Cassette Boy avise que explorá-los é opcional e não afetam a história, pois quem preferir uma gameplay mais tranquila poderá evitar todos sem prejuízo. Da mesma forma, se você quebrar a cabeça demais e não conseguir resolver um, também poderá sair da área e voltar para o objetivo principal numa boa.

    Trabalho técnico desafiador e com saldo positivo

    A mobilidade da câmera para fazer inimigos e objetos existirem ou deixarem de existir é algo que me parece bastante desafiador, mesmo eu não sendo um desenvolvedor de jogos. Isso porque a programação poderia se perder, ou o game quebrar, dependendo da velocidade da mudança no ângulo de visão, colocando por água abaixo a proposta criativa pensada para os quebra-cabeças.

    Não é o caso em Cassette Boy. O jogo é tecnicamente bem desenvolvido e foram poucos momentos que percebi algum bug.

    O único notável foi no chefe final, que justamente por essa movimentação contra um inimigo grande (e que em certo momento usa um ataque que exige mudar o ângulo de visão) acabou que o personagem principal agiu como se estivesse caindo num precipício inexistente. Depois de cair para o nada, a tela ficou toda branca, mas os sons continuaram tocando como se a batalha ainda estivesse acontecendo.

    Como havia um ponto de salvamento pouco antes de entrar na batalha final, não tive prejuízo.

    Aliás, o Cassette Boy inclusive brinca com bug e reserva uma curiosa surpresa na reta final, justamente antes desse confronto contra a grande ameaça. O jogo finge estar passando por um bug que, talvez por um minuto, possa te fazer acreditar de que realmente deu algum problema.

    Também é importante elogiar o trabalho de som do jogo. A trilha sonora realmente parece saída dos jogos em pixel art dos anos 1990, com sons e efeitos em 8 bit super agradáveis para embalar essa aventura nostálgica e criativa.

    Por fim, convém destacar que o português disponível no jogo atualmente é o de Portugal. Não há grandes prejuízos para nós brasileiros entendermos o essencial do jogo, mas haverá termos como “miúdo” para se referir a uma criança que podem pegar muita gente de surpresa.

    Veredito

    Cassette Boy traz uma proposta criativa e diferente ao RPG de ação, entregando uma experiência que exige bastante atenção para resolver puzzles e um combate agradável sem ser punitivo. A palavra-chave aqui é exploração, pois o game não te pega pela mão e raramente te diz o que fazer, o que é um aspecto positivo principalmente para quem sente falta desse tipo de experiência que baseou praticamente todos os jogos dos anos 1990.

    Nossa nota

    4 / 5

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    Assista ao trailer:

    Ficha técnica de Cassette Boy

    Lançamento: 15 de janeiro de 2026

    Desenvolvido por: Wonderland Kazakiri inc.

    Publicado por: Pocketpair Publishing (PC), Forever Entertainment (consoles)

    Plataforma: PC e macOS (via Steam), Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X|S

    Número de jogadores: 1

    Gêneros: Aventura, RPG de Ação, Puzzle

    Idiomas: Japonês, Francês, Alemão, Espanhol, Português (Portugal), Chinês Simplificado, Chinês Tradicional, Inglês Americano

    Preços: R$ 38,99 (PC), R$ 62,95 (Xbox), R$ 69,00 (Nintendo Switch) e R$ 73,90 (PlayStation)

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