The Boys encerrou sua jornada em seu quinto ano com novas adições ao elenco como Daveed Diggs, Jared Padalecki e Misha Collins. A temporada completa está disponível no Prime Video.
Como diria o personagem Verme (Ely Henry) na série, escrever finais sempre é muito difícil…
Esta frase é perfeita para definir o ato final do projeto criado por Eric Kripke, iniciado em 2019 em um mundo que passou por muitas transformações políticas e sociais, algo que foi bastante refletido principalmente nas duas últimas temporadas.
A batalha final entre Os Rapazes e Capitão Pátria se aproxima e a busca por recursos que ajudem a vencer essa guerra deixará muitos corpos pelo caminho.
O quinto ano de The Boys pode ser definido em uma palavra: caótico. Várias ideias foram lançadas, e poucas funcionaram dentro de uma proposta de fazer o marketing do spin-off, Vought Rising, e finalizar os cinco anos da história original.
É engraçado como em alguns momentos a pressa foi a vilã e, em outros, o marasmo e a baixíssima evolução na trama tomaram o antagonismo em um roteiro extremamente bagunçado, sem objetivo e que foi se perdendo a cada episódio.
Ficaram nítidos diversos aspectos problemáticos que destruíram o ritmo do seriado. O primeiro deles foi o baixo orçamento, algo de que Kripke reclamou aos quatro ventos. Sua ideia original seria a de algo épico, grandioso, mas ele teve seus planos frustrados e vimos que as cenas perderam o impacto, uma vez que outros momentos de temporadas anteriores foram mais marcantes. A terceira, por exemplo, teve lutas mais inspiradas e emocionantes do que a última, só precisamos lembrar da Supersuruba/Herogasm.
Entretanto, nós, fãs de The Boys sabíamos que a grana era curta e que tecnicamente não assistiríamos a uma Batalha dos Bastardos de Game of Thrones. Contudo, o que me pega é a questão de um roteiro extremamente pobre e um descaso total com a história da série em geral e de seus personagens.
Os Rapazes mesmos tiveram uma redução absurda de tempo de tela em um ano que era fundamental que eles fossem os principais protagonistas. A jornada e loucura de Billy Bruto (Karl Urban) foi jogada nos dois primeiros episódios e depois para um epílogo de 25 minutos no qual ele tem uma virada de chave brusca. Leitinho (Laz Alonso), Ryan (Cameron Crovetti) e Hughie (Jack Quaid) foram deixados de lado para que Soldier Boy (Jensen Ackles), Profundo (Chace Crawford) e Black Noir (Nathan Mitchell) tivessem momentos constrangedores e sem sentido, com viradas estapafúrdias.
Aliás, falando do personagem de Jensen Ackles, sem dúvidas ele foi a pior coisa da temporada. Soldier Boy foi incoerente, com uma trama confusa e um retcon forçado para ter uma história de amor com Tempesta (Aya Cash) para que Vought Rising embalasse a qualquer custo. Vários elementos do novo programa foram inseridos e The Boys, por vezes, parecia mais um spin-off do que a série principal.
O V1 foi o maior tiro no pé do texto, pois foi tão inútil que só serviu para preencher espaços que deveriam ter sido supridos com outras tramas. O Capitão Pátria (Antony Starr) ficou imortal, todavia, foi nerfado de um jeito ridículo, quase risível. Isso que nem citei os personagens de Gen-V que foram incluídos para serem motoristas de figurantes depois de uma temporada inteira gerando uma grande expectativa em cima de Marie Moreau (Jaz Sinclair) que derrotou um super com V1 com seus poderes e depois foi escanteada.
Dentro do que funciona, pelo menos o final dos protagonistas foi catártico. Capitão Pátria vai deixar saudades como um dos vilões mais marcantes do streaming nos últimos anos. Antony Starr merece mais reconhecimento na indústria por ser um ator extremamente carismático e camaleão, com níveis altos de complexidade. Pátria é um sádico, um monstro e, mesmo assim, conseguimos ter pena dele. Sua jornada foi diminuída por um roteiro preguiçoso, mas Starr deu show e merece indicações.
Os finais de Leitinho, Ryan, Hughie, Kimiko e Annie também foram ótimos, diferente dos quadrinhos. Fica o lamento pelas péssimas escolhas para Bruto. O arco de Ó Pai (Daveed Diggs) e toda a questão da igreja teve momentos de pura genialidade. Queria que Diggs tivesse entrado antes, pois sua presença cênica é contagiante, o ator é extremamente talentoso e foi a melhor adição ao elenco.
Os furos são absurdos, tudo que envolve a Mana Sábia (Susan Heyward) é irritante. A pessoa mais inteligente do planeta sucumbiu aos escritores que não têm o mesmo nível intelectual, sendo enganada com bastante facilidade ou se tornando uma facilitação ambulante. A questão de a Kimiko ganhar os poderes do Soldier Boy aos 45 minutos do segundo tempo também é de doer os olhos. Tudo feito de forma errada e descompromissada, infelizmente.
Veredito
Com pouca objetividade, The Boys se encerra muito menor do que começou, com pouco impacto e um episódio final ok, que entrega bons fechamentos aos seus personagens. Devido à falta de foco e à imensa propaganda de Vought Rising, a série perdeu pontos preciosos com os fãs, o que é uma pena. Não destrói o legado, mas deixa um sentimento de frustração ao fim de tudo.
2.8/5.0
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