Imagine que, na sua vida após a morte, você pode escolher viver em um mundo totalmente temático, em uma praia ou nas montanhas. Outra condição é que seu corpo toma a forma da época em que você foi mais feliz, seja na infância, juventude ou velhice. A comédia romântica Eternidade, dirigida por David Freyne, parte dessa premissa para contar a história de uma mulher que precisa escolher entre dois pretendentes para passar o resto da não-vida juntos.
Eternidade é um filme que se sustenta não somente pelo alto elenco qualificado, que entrega boas atuações, mas também pela capacidade de tratar dilemas e decisões profundas de forma leve, sem perder o peso emocional. Joan (Elizabeth Olsen) é uma mulher que, por duas vezes, perde o marido. No primeiro casamento, Luke (Callum Turner) morre na Guerra da Coreia, quando o casal estava começando sua vida. Ela então se casa com Larry (Miles Teller), com quem constrói uma trajetória longa; ele falece já idoso, quando o casal tem filhos e netos.
Vivendo com a ideia de Luke, Joan nunca imaginou que, após sua própria morte, o encontraria no pós-vida, esperando por todos esses anos para que eles partissem juntos para um dos mundos. Os roteiristas Freyne e Patrick Cunnane não facilitam, pois Joan só pode escolher um deles para viver em um dos mundos temáticos a la Westworld.
Ela está em uma situação impossível, e Elizabeth Olsen dá vida a uma mulher que entende o peso dessa escolha: como abrir mão de uma paixão interrompida ou de um amor de décadas? Joan também é emocionalmente inteligente o suficiente para, pela primeira vez, colocar seus próprios desejos em primeiro lugar.
Do outro lado, Luke é o típico “homem dos sonhos”, atencioso e prestativo, e funciona justamente por representar esse amor interrompido. Callum Turner conduz o personagem com segurança, mas também revela suas fragilidades. Já Larry é o marido comum, mas que não mede esforços para ver a esposa feliz; ainda assim, precisa reconquistar Joan. Miles Teller é quem traz, muitas vezes, o humor para a dinâmica entre os três, o que dá leveza ao conflito.
Um dos principais acertos do filme é, sem dúvida, o elenco. Além dos protagonistas, Da’Vine Joy Randolph e John Early, como agentes competitivos que “vendem” os pós-vidas temáticos para os recém-mortos, estão especialmente divertidos. Funciona bem a escolha de usá-los como um reflexo do público, com reações que muitas vezes espelham as nossas.
A vida após a morte criada por Freyne chama atenção por se aproximar de um aeroporto ou estação de trem: pessoas correndo de um lado para o outro, longe daquela imagem tradicional de céu. Colocar a história nesse espaço tumultuado reforça o caos emocional dos personagens. No fim, é bom ver uma comédia romântica que aposta em uma ideia diferente. O desfecho pode dividir opiniões, e há quem sinta que o filme se estende além do necessário, mas a proposta de um amor que atravessa o tempo sustenta o interesse.
Veredito
Eternidade é uma comédia romântica com um elenco afiadíssimo, que entrega humor, carisma e bons momentos. Em alguns pontos, o ritmo oscila e as escolhas de final podem pesar contra, mas o saldo final é positivo quando pensado como um romance.
3,5 / 5,0
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Eternidade atualmente está disponível no Apple TV. Assista ao trailer:
