Super Mario Galaxy: O Filme chegou aos cinemas neste dia 1º de abril. A produção é uma continuação direta do primeiro longa lançado em 2023, que ultrapassou US$ 1 bilhão de bilheteria e consolidou a franquia como um sucesso também no cinema.
Nessa nova produção, Mario (Chris Pratt) e Luigi (Charlie Day) já são lendas para as criaturas de diversos mundos, uma realidade bem diferente de quando os encontramos pela primeira vez. A dupla segue trabalhando com encanamentos, mas agora estão focados nos grandes canos verdes que são portais interdimensionais.
É assim que eles encontram Yoshi (Donald Glover), que logo repassa o que aconteceu com ele desde os eventos do primeiro filme. O pobre dinossaurinho ficou perdido no mundo real e acabou entrando pelo cano e saindo em uma das famosas fases de Super Mario Odyssey. Os três logo se tornam grandes amigos, e Yoshi passa a fazer parte das aventuras dos irmãos.
E, bom, daqui pra frente, o filme se torna uma grande soma de histórias paralelas. Como plot principal está a princesa Rosalina (Brie Larson), personagem que é uma das grandes adições nessa continuação. Há também Bowser Jr. (Benny Safdie), que tem como plano principal libertar o seu pai, Bowser (Jack Black), agora prisioneiro de Peach (Anya Taylor-Joy) no Reino Cogumelo.
A princesa, por sua vez, se une a Toad (Keegan-Michael Key) em uma jornada separada de Mario e Luigi, tentando encontrar Rosalina. No fim, mesmo divididos, todos estão em busca de chegar ao mesmo lugar: o planeta onde Bowser Jr. está.
Para chegar lá, acompanhamos uma série de cenas focadas em pequenos fan services. Seja com a participação especial de um personagem muito querido pelos fãs da Nintendo, seja com a representação visual de fases clássicas dos jogos na tela, Super Mario Galaxy: O Filme guarda pequenos momentos para aqueles que amam a franquia, do fã hardcore ao jogador casual.
E o universo se expande consideravelmente nesse sentido. Se no primeiro filme temos um foco maior na história de Mario e Luigi e em como eles se tornam importantes para Peach e os Toad, aqui temos uma trama descentralizada que faz pouco esforço para amarrar seus arcos.
O grande problema é que não há um desenvolvimento das ótimas ideias que o filme apresenta. Ao contrário do que foi feito com Donkey Kong (Seth Rogen) anteriormente, em Super Mario Galaxy poucos são os personagens que realmente conseguem ter algum tipo de história para além de sua simples existência.
A própria Rosalina é um claro exemplo disso. A personagem tem uma boa introdução, algumas informações sobre sua história e é, basicamente, isso. Mesmo em seu encerramento, a produção não tenta pelo menos criar algum tipo de laço afetivo ou permitir que ela ganhe um pouco mais de espaço dentro da trama.
Mario, Luigi e Peach também não possuem grande aproveitamento. Apesar das cenas de ação visualmente incríveis, mal há diálogos que sejam realmente profundos entre eles, algo que seria muito valioso aqui.
É neste ponto fica impossível não comparar com o primeiro filme, quando, por exemplo, Peach conta para Mario a sua história de origem e eles criam uma forte amizade a partir disso. Aqui, tudo é resolvido com muita ação em grandes sequências gamificadas, e acaba faltando tempo de cutscene, se você me permite o trocadilho.
Se no primeiro filme Bowser foi um bom destaque, tendo até viralizado uma das músicas da trilha sonora, aqui o personagem de Jack Black passa despercebido, mais silencioso e sem grandes momentos. Seu arco com Bowser Jr. é divertido, mas não parece muito efetivo quando olhamos para a trama como um todo.

A expansão do universo é extremamente válida, e não é como se precisasse de um plot muito profundo, mas esse tipo de conexão simples, com pequenos momentos de interação e desenvolvimento, são sim importantes para a construção de algo coeso.
Apesar de achar que tanto o primeiro filme, quanto o segundo, pecam nesses pontos em diferentes proporções, ainda assim as duas produções são muito divertidas. Existem bons momentos aqui, principalmente na dupla Yoshi e Luigi. E talvez seja isso que cause uma certa frustração: existia espaço para explorar mais, aproveitar melhor e tornar a produção em algo mais marcante.
Isso atrapalha a experiência? Provavelmente não. Paradoxalmente, mesmo com pouco desenvolvimento, os personagens são muito cativantes, e isso é um mérito também das outras mídias que criaram uma base importante pra eles.
E, num geral, o humor e o entretenimento estão ali. Acredito que o segundo filme confirma o caminho que a franquia quer seguir: ser uma animação divertida, para a família toda e que entregue uma trama sem muita complexidade.
Como já mencionei, além de divertido, Super Mario Galaxy: O Filme tem um visual muito bem executado. A Illumination já havia acertado muito no primeiro filme e aqui repete o feito, criando ótimos designs não só para os personagens, mas para os mais diferentes cenários explorados ao longo das missões. Uma das cenas mais bonitas é certamente a do cassino, onde encontramos Birdo e Wart em suas aparições relâmpago.
Mesmo com os deslizes, Super Mario Galaxy: O Filme mantém o que fez o primeiro longa tão especial: o carisma de seus personagens. A dublagem brasileira é simplesmente maravilhosa e torna a experiência mais cativante. Um entretenimento simples, mas efetivo e que provavelmente vai levar muita gente ao cinema.
Veredito
Super Mario Galaxy: O Filme enxuga a sua trama para preencher a tela com momentos de ação e nostalgia. Com uma duração um tanto curta, a produção perde a oportunidade de desenvolver alguns novos personagens e entregar um resultado mais marcante. Ainda assim, é um bom entretenimento para toda a família e certamente vai cativar o coração do público.
3,8 / 5,0
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