Paradise teve em sua primeira temporada uma proposta bastante ousada, terminando com um gancho que abriu um leque de possibilidades para todos os personagens da história.
Uma produção que não tem medo de fazer sacrifícios e dar passos confiantes rumo ao desconhecido, o seriado chega ao seu segundo ano com grandes expectativas por parte do público.
Os 3 primeiros episódios já estão disponíveis no Disney+, com o restante sendo liberado semanalmente. Por aqui, já tivemos a oportunidade de conferir 7 dos 8 episódios que contemplam esse novo ano.
O primeiro capítulo, chamado Graceland, já começa apresentando uma nova personagem: Annie, interpretada por Shailene Woodley. Mostrando os eventos que antecederam o fim do mundo e como a personagem sobreviveu a essa catástrofe, temos aqui uma forma diferente de dar continuidade para a história, tirando o foco de Xavier (Sterling K. Brown) e do início de sua missão no mundo externo.
É nesse episódio também que conhecemos Link (Thomas Doherty), um jovem sobrevivente misterioso que se torna parte importante da trama. Ou seja, os primeiros momentos da segunda temporada já nos apresentam duas figuras que irão complementar o emaranhado de situações que ficaram para trás.
Essa escolha é, no mínimo, curiosa e mostra como Dan Fogelman busca subverter a expectativa já de início, pedindo que o espectador repare no cenário macro. Além disso, há uma mudança no clima da série, pois o mundo fora do bunker é mais sombrio e com muitos perigos inesperados.
Como tudo na vida, mudanças tem prós e contras e, a meu ver, essa expansão fez com que a série perdesse um elemento que era seu grande diferencial: a relação íntima que tínhamos com Xavier e o fator de mistério que rondava o assassinato no bunker.
O fato da primeira temporada ter uma escala menor, e que usava de flashbacks de uma forma mais fluida, tornava tudo bem coreografado. É claro que o elenco era, também, um grande ponto forte que elevava o resultado final. Aqui o casting continua ótimo, mas as coisas fogem um pouco de uma estrutura bem cadenciada.
Se tem algo que Fogelman sabe fazer muito bem é escrever sobre relações entre pessoas, seus sentimentos, medos e angústias. Entretanto, ter que lidar com mais núcleos é algo que consome tempo de tela e torna as explicações um tanto quanto apressadas. É perceptível que há mais para ser revelado, mas muitos detalhes acabam ficando soterrados em meio a diversas tramas paralelas.

Como a história fora do bunker precisa tomar forma, tudo o que acontece lá dentro acaba também murchando um pouco. Com a perda de Xavier como motor desse núcleo, tudo parece meio desconectado, sendo Samantha/Sinatra (Julianne Nicholson) o ponto mais interessante nesse arco.
Samantha, a meu ver, é uma das grandes forças em Paradise. Uma personagem centrada, cheia de segredos e que parece irredutível a conseguir o que tanto almeja. Depois de tudo o que aconteceu na primeira temporada, ela se tornou ainda mais complexa e surpreendente. Julianne Nicholson domina a cena, gerando simpatia mesmo nos momentos mais controversos.
Sterling K. Brown segue sendo o principal ponto para o desenrolar de toda a trama de Paradise. O carisma do ator segue inigualável e há pequenos detalhes em sua atuação que tornam assistir à série ainda mais intrigante. Ouso dizer que Paradise seria outra produção não fosse a presença dele na história.
Mesmo com essa divisão de atenção entre as tramas, a produção parece estar caminhando para criar um momentum em seu encerramento. Até onde assisti, não é possível saber completamente para onde a série está indo, mas parece ser algo ousado e que vale a pena acompanhar.
E eu estou muito animada para saber como tudo vai acabar neste novo ano, pois mesmo com algumas mudanças que eu não gosto, sinto que a temporada ainda é muito envolvente e mais maratonável do que a primeira.
Veredito
A segunda temporada de Paradise mostra que ainda tem muita história para contar e segredos que valem a pena ser acompanhados. Mesmo com um mundo externo para explorar, a força do casting e das relações criadas entre os personagens segue sendo o motor que impulsiona a trama para frente. Apesar de não ter visto o episódio final ainda, acredito que o encerramento possa ser um grande momentum tal qual como vimos na primeira temporada.
4 / 5
Receba um resumo das principais notícias do entretenimento e uma curadoria de reviews e listas de filmes, séries e games todas as quartas-feiras no seu e-mail. Assine a Newsletter da Emerald Corp. É grátis!
Assista ao trailer:
