More

    REVIEW – Cairn é a jornada mais crua e desafiadora que você irá enfrentar em um jogo de alpinismo

    No último dia 25 de janeiro, o alpinista americano Alex Honnold escalou o edifício Taipei 101, em Taiwan, sem o uso de cordas, com a façanha sendo transmitida ao vivo pela Netflix. Acompanhar essa transmissão me deixou com os nervos à flor da pele e, a cada novo andar que Alex alcançava, vinha um imenso alívio: a certeza de que ele superaria aquele desafio.

    Durante toda a transmissão, me peguei pensando se o jogo Cairn conseguiria transmitir a adrenalina que um alpinista sente ao escalar uma montanha, reproduzindo o altíssimo risco, seja pelas condições climáticas, seja pelas circunstâncias íngremes que cada montanha apresenta.

    Dias depois do desafio superado por Alex foi a minha vez de experimentar Cairn, game lançado em 29 de janeiro para PC e PlayStation 5, e viver uma experiência simulada do que escaladores profissionais costumam encarar em montanhas pelo mundo, porém no conforto do meu lar e no PS5.

    Cairn se mostra o jogo ideal para esse tipo de simulação, pois traz todos os elementos de forma realista, sem esquecer que se trata de uma experiência que se propõe a desafiar o jogador a escalar o monte Kami. Dessa forma, minha vivência com o game acabou sendo extremamente desafiadora, exigindo a todo momento planejamento e atenção aos riscos presentes em cada escolha, na crueza íngreme da montanha.

    No jogo assumimos o comando de Aava, uma escaladora profissional que encara o desafio de escalar uma montanha nunca conquistada. Ao longo dessa escalada, é preciso ter bastante sagacidade no gerenciamento de recursos, como também ter atenção aos batimentos cardíacos, temperatura do corpo e à alimentação de nossa protagonista. Pois, além desse imenso desafio, o jogo se apoia totalmente nas dificuldades reais que um alpinista enfrenta durante uma escalada.

    Todos esses elementos voltados à realidade e ao gerenciamento de recursos me agradaram muito, mas o que realmente se destacou foi a jogabilidade de escalada. Nela, você tem controle total dos membros (braços e pernas), sendo que cada um é utilizado individualmente.

    Não se trata de um jogo de plataforma em que a escalada acontece de forma automática: aqui você comanda um braço por vez e uma perna por vez, posicionando-se na montanha sem qualquer auxílio da jogabilidade ou da interface, como indicativos em cor amarela que apontem onde se apoiar. Esse aspecto torna a experiência fascinante e ainda mais desafiadora, pois cada escolha precisa ser feita de forma sagaz.

    Apesar de ter agido com cautela durante a escalada, em diversos momentos me peguei em pânico, seja por estar sem mantimentos ou alimentos capazes de melhorar o desempenho de Aava, seja por quase concluir uma escalada e perceber que havia esquecido um dos meus pitons cravados na montanha, o que resultou em uma queda, pois não imaginava que cada membro da protagonista se cansaria individualmente.

    Todas essas falhas acabaram me deixando em estado de alerta constante, pois percebi que o jogo segue uma lógica muito semelhante à de Death Stranding.

    O simulador de alpinismo Cairn se destaca também pelo lindo estilo gráfico que adapta muito bem o trabalho artístico de Mathieu Bablet para uma experiência no videogame
    Aava durante tempestade pelos traços de Mathieu Bablet | Créditos: The Game Bakers / Divulgação

    Desse modo, Cairn entrega uma experiência crua e de perigo constante para jogadores desavisados, assim como eu, que imaginava encontrar algo mais relaxante e logo fui surpreendido por um verdadeiro soulslike do alpinismo. Isso acontece apesar (ou talvez por causa) do belíssimo design de mundo e personagens do quadrinista francês Mathieu Bablet, cujo traço é transposto com primor para o jogo, traduzindo de forma excelente os universos que ele já criou.

    Apesar de o jogo ter me agradado bastante em praticamente todos os aspectos, o único ponto que acredito que poderia ser melhor trabalhado está na transposição do peso da personagem enquanto ela caminha ou quando despenca da montanha. Diferente do que acontece durante a escalada, em que sentimos claramente o peso do corpo de Aava, essa sensação não é transmitida quando ela se movimenta em terra firme. Fora isso, o jogo não me desagradou em nenhum outro aspecto.

    Veredito

    Se fosse para definir em uma única palavra a minha experiência com Cairn, ela seria persistência, pois o jogo demonstra com primor que, independentemente das irregularidades enfrentadas no monte Kami, é preciso encarar o cansaço e os perigos constantes para alcançar objetivos que, muitas vezes, parecem inalcançáveis. Ainda assim, o jogo reforça de forma crua que nada é impossível quando há preparo e planejamento para lidar com os riscos que os “montes Kami” nos impõem no dia a dia.

    Nossa nota

    4,5 / 5,0

    Receba um resumo das principais notícias do entretenimento e uma curadoria de reviews e listas de filmes, séries e games todas as quartas-feiras no seu e-mail. Assine a Newsletter da Emerald Corp. É grátis!

    Assista ao trailer:

    Ficha técnica de Cairn

    Lançamento: 29 de janeiro de 2026

    Desenvolvido e publicado por: The Game Bakers

    Plataforma: PC (via Steam) e PlayStation 5

    Número de jogadores: 1

    Gêneros: Atmosférico, Aventura, Esportes, Exploração, Simulação, Sobrevivência

    Idiomas: Português (Brasil), Inglês, Francês, Italiano, Alemão, Espanhol (Espanha), Japonês, Russo, Chinês simplificado, Coreano, Chinês tradicional

    Preços: Versões a partir de R$ 88,99 (PC) e R$ 169,90 (PlayStation 5)

    spot_img

    Artigos relacionados