Este novo capítulo da franquia de tirar o fôlego Predador se passa no futuro, num planeta distante. Um jovem predador, Dek (Dimitrius Schuster-Koloamatangi), expulso de seu clã, forma uma aliança improvável com Thia (Elle Fanning) e embarca numa jornada perigosa em busca de seu maior adversário. Dirigido por Dan Trachtenberg (O Predador: A Caçada) e roteirizado por Patrick Aison a partir de uma história de Patrick Aison e Dan Trachtenberg, Predador: Terras Selvagens tem produção de John Davis, Dan Trachtenberg, Marc Toberoff, Ben Rosenblatt e Brent O’Connor. A produção está disponível no catálogo do Disney+.
Predador: Terras Selvagens traz uma nova perspectiva da franquia. Em vez de termos os humanos sendo os alvos dos predadores, aqui é explorada a cultura dos clãs dos predadores de modo autêntico e impulsionando o desenvolvimento do enredo.
Desse modo, a obra consegue dar um frescor à franquia assim como já havia sido feito no ótimo O Predador: A Caçada. Diante dessa proposta, minhas expectativas com esse novo filme eram razoáveis, visto que a classificação é de PG-13 ou 14 anos.
Mesmo diante dessa sua classificação o projeto se sobrepõe muito bem e traz excelentes cenas de ação com muita carnificina e acabou me surpreendendo profundamente.
No enredo, acompanhamos um jovem predador expulso de sua tribo por não se provar forte o suficiente para pertencer a ela. Com isso, ele parte em uma jornada até um planeta distante em busca de um alvo que, caso consiga eliminar, o tornará digno de retornar e voltar a fazer parte de seu clã. Nesse planeta, ele terá que contar com a ajuda improvável da androide Thia, que busca desenvolver seu lado companheiro e afetivo diante dos perigos que o planeta lhes impõe.
Confesso que, inicialmente, ao ver o enredo tentando humanizar o predador, não achei isso adequado, ainda preso às minhas memórias dos outros filmes da franquia, que sempre o retrataram como uma verdadeira máquina de extermínio.
No entanto, conforme a narrativa foi se desenvolvendo, passei a aceitar — e até gostar — dessa nova perspectiva explorada, já que seu desenvolvimento se assemelha ao da primeira temporada de O Mandaloriano: começa com um personagem aparentemente sem emoções e estritamente focado com sua cultura, que aos poucos vai quebrando esse lado frio, mas sem perder a essência cultural que o define.
Além desse novo tom explorado no filme, outro ponto que gostei foi o alívio cômico de um determinado personagem, que acaba se encaixando perfeitamente e promovendo essa quebra de tons mais sérios em pontos cruciais, mas sem ser utilizado de forma exacerbada.
É justamente nesse ponto que a direção de Dan Trachtenberg se destaca, ao manter um ótimo ritmo narrativo e ao mesmo tempo acolher outros tons que nunca haviam sido explorados antes em outros longas da franquia, mas sem perder a essência do personagem, ao incluir conexões que jamais imaginaria ver desenvolvidas de modo tão interessante. Além disso, o filme traz novos elementos da mitologia do Predador a serem explorados de forma muito eficiente.
Em relação à estética e ao visual do longa, esse acaba sendo outro ponto de destaque, apresentando um excelente acabamento tanto no planeta quanto no design das armaduras do protagonista, que mesclam o visual tribal com tecnologia de maneira muito bem trabalhada. As cenas de ação são de tirar o fôlego e se mostram bem construídas, mesmo nas partes em CGI que, apesar de bem realizadas, em alguns momentos acabam deixando a desejar.
Em sintonia com a proposta visual, a trilha sonora de Sarah Schachner e Benjamin Wallfisch é simplesmente de alto nível e transmite muito bem toda a essência selvagem que o universo de Predador exige. A trilha acaba sendo uma mescla de rituais tribais com elementos tecnológicos presentes em outros personagens do longa.
Em relação à violência apresentada, o filme se sobressai muito bem dentro de sua classificação indicativa, transmitindo essas cenas de forma explícita, bem definidas e que, ainda assim, não suavizam a brutalidade característica da franquia.
No âmbito do desenvolvimento de personagens, Predador: Terras Selvagens trabalha esse aspecto de forma eficiente e também se aprofunda nos personagens secundários, como Thia, que além de servir para o desenvolvimento do herói, traz uma história profunda que se assemelha à dele, ao buscar aceitação diante de sua tribo.
Veredito

Predador: Terras Selvagens dirigido por Dan Trachtenberg se consolida como mais um acerto na construção da mitologia do universo do Predador. Assim como em O Predador: A Caçada, ele conduz a franquia por uma nova direção, até então inexplorada, abrindo espaço para que outros aspectos desse universo sejam brilhantemente explorados.
4.0/5.0
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