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    Pânico 7 coloca em cheque criatividade e continuidade da franquia

    Sempre que os grandes estúdios anunciam mais uma sequência de uma franquia consagrada do terror, surge aquela mistura de expectativa e desconfiança. Vem algo realmente novo ou apenas a repetição da mesma fórmula reciclada? Essa dúvida fica ainda mais evidente quando falamos de Pânico, uma saga que atravessa gerações e que, até aqui, soube se manter espirituosa e surpreendente. Ainda assim, em meio a tantas continuações, elencos renovados e histórias que insistem em se justificar, fica difícil acreditar que um sétimo filme tenha relevância ou entregue a tão prometida novidade. Não que isso seja exatamente uma surpresa. Depois do terceiro filme, a regra é simples: desconfie de tudo.

    O sentimento de desconfiança causado fora das telas se deve muito às polêmicas recentes que assolam esse universo de assassinos. Em Pânico (2022) e Pânico 6 (2023), existia um certo temor dos fãs pela nova roupagem que a saga adotava, com Melissa Barrera e Jenna Ortega assumindo como protagonistas e Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett na direção do projeto. À medida que a equipe se empenhava, as dúvidas foram diminuindo. Mas, infelizmente, a demissão de Barrera por suas opiniões políticas e a desistência de seus colegas em solidariedade a ela mostram que o controle de uma franquia não depende do sucesso de seus personagens.

    Para segurar as pontas, surge novamente Sidney Prescott (Neve Campbell), mas agora acompanhada de sua filha, Tatum (Isabel May). Na nova trama, ambas precisam sobreviver a mais um ataque de Ghostface em uma nova cidade chamada Pine Grove. O que se sabe de antemão é que Sidney escolheu viver no anonimato e superar seu trauma junto da filha e de seu marido, Mark (Joel McHale). O que aconteceu em Nova York nos dois filmes anteriores vira um mero rodapé na história de Sidney, e os novos ataques têm motivos muito mais ligados ao passado da final girl.

    Quem assume a direção desta vez é Kevin Williamson, roteirista dos dois primeiros filmes, mas nem sua ligação com a franquia salva Pânico 7 de ser um desastre narrativo. Os buracos na trama, adolescentes sem carisma, o pouco caso com a metalinguagem, a aparição sem graça de rostos já conhecidos e a motivação fraca dos assassinatos são alguns dos erros que o filme comete ao querer apenas entregar sem executar. Isso porque, na prática, o filme tem um bom conceito: trazer mãe e filha funciona pelo apelo emocional e pelo legado. Além disso, Campbell e May estão ótimas juntas, com cenas que vão desde o peso da maternidade até a compreensão da relação em meio ao trauma.

    Então, o que realmente deixa a desejar é como o filme parece mais um checklist no quadro de lançamentos da Paramount e Spyglass. É como se o estúdio apenas quisesse cumprir contrato, arrecadando cada vez mais dinheiro em troca de uma nostalgia barata. Nesse sentido, a produção, especialmente em algumas mortes, causa um sentimento de filme B. E nada contra esses projetos, mas estamos assistindo a uma produção de Hollywood com um orçamento considerável. Nada mais justo do que fazer algo à altura.

    Do mesmo modo, os novos personagens são extremamente sem graça e com pouca relevância, entrando e saindo de cena quando convém, e cada novo assassinato não causa nenhum efeito ou peso na trama. O retorno de alguns rostos conhecidos da franquia, como Gale Weathers (Courteney Cox) e Stuart Macher (Matthew Lillard), pode até enganar o espectador. Pânico tem o costume de se autorreferenciar, e isso é muito bem-vindo quando bem feito, mas aqui é apenas um tapinha nas costas.

    Se existe algo de interessante em Pânico 7 é a direção de Williamson, que evoca algo dos primeiros filmes, tornando Ghostface novamente mais ameaçador, mas até esse aspecto vai perdendo impacto ao longo do filme. Do mesmo modo, há uma tentativa de discutir sobre Inteligência Artificial (IA), e o uso da tecnologia é um grande recurso na história, em uma franquia que busca sempre estar atualizada nas tendências. É uma pena que Pânico precise sempre reviver e se auto depreciar com filmes cada vez mais enfadonhos, mas uma coisa é certa: sempre haverá o outono de 1996.

    Veredito

    Pânico 7 é possivelmente o pior filme da franquia não por falta de ideias, mas pela incapacidade de torna-las relevantes. Nem mesmo a volta da maior protagonista, Sidney Prescott, pode salvar um roteiro cheio de buracos e sem vontade de contar uma história. O mote da trama é o uso de IA e a nostalgia tóxica, temas que poderiam ser melhor trabalhados ao longo do filme, mas que são tratados de forma rasa. A sensação que fica é que o filme é apenas para cumprir tabela e contratos na indústria. Sem o peso da trama, o que sobra é um entretenimento barato que pode até divertir o público por uma ou duas horas, mas depois que sobem os créditos, o sentimento é de gol contra.

    Nossa nota

    2.0/5.0

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