Os fãs de Bridgerton já podem respirar aliviados. Após quase dois anos, uma das séries de maior sucesso da Netflix voltou para sua 4ª temporada, ainda que, estranhamente, dividida em duas partes. Um método que quebra o ritmo, diluindo uma série que funciona muito bem semanalmente, mas, convenhamos, estamos falando da Netflix.
Desta vez, a história gira em torno do segundo irmão Bridgerton, um rosto já conhecido e querido pelo público, famoso por sua postura libertina e nenhuma aspiração ao casamento.
Depois de três temporadas acompanhando os encontros amorosos de Benedict (Luke Thompson), com mulheres e homens, diga-se de passagem, é no mínimo curioso vê-lo solteiro em uma busca casamenteira.
Ainda assim, a série da Shondaland se mostra perspicaz ao adaptar fielmente o material original, apostando em uma narrativa que dialoga com o conto de fadas de Cinderela. Apesar de ser uma história já conhecida, a escolha traz um frescor ao universo da série ao abordar também as relações de classe e poder do século XIX.
Para dar início à temporada de casamentos, é Violet Bridgerton quem promove o primeiro baile, com tema de fantasias, em uma noite inspirada nas obras de William Shakespeare, especificamente no universo de Sonho de uma Noite de Verão. É ali que Benedict vê Sophie Baek (Yerin Ha) pela primeira vez, a quem passa a chamar de Dama de Prata.
Sophie, nossa nova protagonista, é bem diferente das mulheres da alta sociedade. Mais sincera, mas ainda assim encantadora. Os dois têm uma conexão instantânea, mas, antes da meia-noite, Sophie deixa o baile sem se revelar a Benedict. A verdade é que a jovem é uma criada, filha bastarda de um lorde que, ao morrer, a deixa sob os cuidados da madrasta, vivida de forma surpreendentemente maléfica por Katie Leung. De protegida, Sophie passa a serviçal.
A relação entre o casal principal floresce aos poucos. Não há dúvida de que Luke Thompson e Yerin Ha são excelentes em seus papéis. Mas, ao contrário de seus antecessores, aqui a química precisa de mais lapidação. Há momentos genuínos, como na casa de campo ou na intensa cena da escada, onde Bridgerton reafirma seu compromisso tanto com cenas quentes quanto com o romance.
Ainda assim, falta sentido em alguns pontos, especialmente quando Benedict pede que Sophie seja sua amante enquanto segue procurando a Dama de Prata que, convenhamos, é ela o tempo todo. Querendo ou não, isso enfraquece o arco romântico: Benedict se mantém fiel à imagem idealizada de uma mulher que ele fantasiou, mesmo tendo essa mesma mulher diante de si, só que fora do molde que ele imaginava.
Do outro lado, a série continua expandindo seu universo com cenas dedicadas aos serviçais dessa sociedade rica e exuberante. É um bom passatempo observar como os criados lidam com as exigências de lordes e ladies, além de aprofundar o ambiente em que Sophie vive. Talvez um dos pontos mais interessantes seja o despertar de Violet após anos de viuvez. A matriarca da família desenvolve um interesse romântico por Lorde Marcus (Daniel Francis), em uma construção iniciada na temporada anterior que aborda o tema do amor maduro, com todas as dúvidas e dádivas que isso envolve.
Além disso, Penelope (Nicola Coughlan) se sente sufocada pelas exigências da realeza em seu trabalho como Lady Whistledown. Eloise (Claudia Jessie) ainda se mostra relutante em relação ao casamento, mas surge um pouco mais agradável. Já Francesca (Hannah Dodd) e seu marido, John Stirling (Victor Alli), ganham mais destaque ao explorar o que realmente significa a vida a dois.
Com tantas narrativas paralelas, fica difícil manter o foco no casal principal, e esse é o grande erro dessa primeira parte. Muitas dessas histórias funcionariam melhor como spin-offs, o que acende um alerta vermelho: Benedict e Sophie precisam de mais espaço para realmente desabrocharem.
Veredito

A primeira parte da 4ª temporada de Bridgerton coloca o libertino Benedict, o segundo irmão, no centro da narrativa, em uma história com toques de Cinderela. Após conhecer Sophie, uma criada, os dois desenvolvem uma paixão que avança a passos lentos, mas com potencial. É um início cheio de promessas, porém excessivamente carregado de tramas paralelas que, por vezes, empurram o casal principal para o escanteio.
3.0/5.0
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