Quase 3 anos depois do lançamento de seu primeiro ano, One Piece: A Série retorna para mais um arco de grandes aventuras. A 2ª temporada conta com 8 episódios e marca o retorno do elenco principal no mundo criado originalmente por Eiichiro Oda.
Tive a oportunidade de maratonar a temporada completa de forma antecipada e devo dizer que é impressionante como, mais uma vez, One Piece acerta na cadência de seus episódios. Mesmo com alguns deles durando mais de uma hora, você realmente não sente o tempo passar e, quando tudo acaba, bate aquela tristeza de ter que abandonar esse mundo por mais algum tempo.
No novo ano, reencontramos nossos heróis na esteira dos acontecimentos da primeira temporada. Eles estão mais centrados, entendendo os seus papéis dentro do grupo, mas também repletos de incertezas sobre como as coisas vão se desenrolar ao chegarem na Grand Line.
As aventuras de ilha em ilha continuam sendo o norte para o desenrolar da história, mas aqui os desafios são ainda mais perigosos. Com a inserção da Baroque Works, o grupo se vê com problemas difíceis de resolver, principalmente pelo fato de que muitos desses vilões também possuem poderes vindos das frutas do diabo, as Akuma no Mi. Esse fato rende até uma piada muito genuína de Usopp (Jacob Romero), que descreve a reação da própria audiência ao ver tantos acontecimentos impossíveis ao longo da trama.
Na primeira temporada, terminamos com uma cena que envolve Buggy (Jeff Ward) e Alvida (Ilia Isorelýs Paulino), antecipando os grandes acontecimentos que virão. E, bom, esse encontro se justifica já no primeiro episódio, mostrando que Luffy (Iñaki Godoy) não vai ter moleza em nenhum momento.
Um ponto positivo bem importante é que One Piece consegue dosar bastante o protagonismo entre todos os personagens. Apesar de Luffy ser o grande protagonista, todo o grupo possui espaço na narrativa, mesmo com a inserção de novas figuras como Miss Wednesday (Charithra Chandran) e Tony Tony Chopper (Mikaela Hoover).
Se na primeira vez que conhecemos esse grupo, Luffy era a grande estrela guia e tinha uma boa parte da história dedicada ao seu passado, à sua família e ao futuro como Rei dos Piratas, aqui ele segue sendo essa “cola” que mantém eles unidos, mas agora é muito mais uma parte de um todo.
A estrutura da primeira temporada contava com episódios dedicados a cada um dos “piratas”, contando sobre seu passado e motivações, e explicando por que fazia sentido eles se tornarem esse bando plural e que se apoia em tempo integral.
Aqui, não há mais necessidade de voltar ao passado, permitindo que o show de Matt Owens e Steven Maeda se mova a passos rápidos para apresentar novas figuras e ampliar a lore do show como um todo.
E como o mundo criado por Oda é incrivelmente interessante! O arco de Tony Chopper será, provavelmente, o favorito de todo mundo e ele já nasce também nessa mídia como um acréscimo icônico à história.
O visual de CGI funciona muito bem para o pequeno médico e, quando você menos esperar, estará emocionalmente abalado com as desgraças que acontecem na vida da rena falante. Aliás, não só ele, mas Laboon também concentra um dos momentos mais queridos e fofos desse segundo ano. Prepare os lencinhos!

E acho que isso é um grande trunfo dessa franquia: a habilidade de contar uma trama fantástica com tanta alma e coração. Inúmeros são os momentos emocionais que acompanham esses episódios, mas todos eles são amarrados com muita ação e o humor próprio que só Luffy e seus amigos conseguem entregar.
Dentre os destaques, acredito que Zoro (Mackenyu) se torna um dos personagens mais bem aproveitados, com grandes cenas de luta atreladas ao seu desenvolvimento em busca da revanche contra Mihawk (Steven John Ward). Ele está ainda mais depressivo e introspectivo, o que acaba afastando aquela parceria contínua com Luffy. A escolha narrativa tem um motivo e é muito bem trabalhada ao longo dos episódios.
Paralelamente, Nami (Emily Rudd) e Sanji (Taz Skylar) se tornam ainda mais próximos e a temporada toma tempo para fazer desses dois uma nova dupla de grandes amigos. Ela também divide bons arcos com Usopp, que é outro destaque dessa temporada. A busca pela grandeza e por superar seus medos se torna ainda mais presente aqui, entregando ótimas reflexões, principalmente no episódio 5.
Dentre as adições deste novo ano, Charithra Chandran merece todos os elogios. A atriz está perfeita em seu papel e consegue encaixar muito bem com o grupo principal. Trabalhar diversos personagens ao mesmo tempo pode ser um problema para a maioria dos realizadores, mas contar com o acompanhamento de Oda me parece ajudar bastante nessa boa distribuição em formato de série.
Além dela, Miss All Sunday (Lera Abova), Mr. 3 (David Dastmalchian), Mr. 5 (Camrus Johnson) e Miss Valentine (Jazzara Jaslyn) também são excelentes adições e inimigos sinistros para Luffy. E a caracterização desses personagens é outro ponto extremamente positivo: ao ser fiel ao que foi construído nos mangás e na animação, One Piece se mantém uma adaptação que prova que é possível manter o melhor do material original, sem perder espaço de adequação para uma nova mídia.
A série é certamente um exemplo a ser seguido por outras adaptações que, rotineiramente, ignoram o que fazem do material base um sucesso por acreditar que não funcionaria em uma mídia diferente. Adaptações podem ser feitas, mas ser fiel a algumas características que tornam os universos especiais e únicos é a grande chave para o sucesso.
A sensação de tristeza é grande ao pensar que não sabemos quando teremos a próxima temporada, principalmente com o excelente final do episódio 8. Mas, quando o momento chegar, estaremos preparados para receber os chapéus de palha de braços abertos.
Veredito
One Piece: A Série se supera mais uma vez e entrega um novo ano tão bom quanto o primeiro. Com ótimos arcos, excelentes novas adições de personagens e ainda mais emoção, a produção da Netflix é um exemplo de adaptação bem feita e que consegue aproveitar o melhor da mídia em que está inserida.
Uma maratona fácil, leve e muito divertida, a série poderia ter o dobro de episódios que ninguém iria reclamar. Agora fica a torcida para a terceira temporada chegar mais rápido, pois todos nós queremos viver mais tempo nesse mundo.
4,5 / 5,0
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