Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno é uma adaptação em live-action do jogo Silent Hill 2 e conta com Christophe Gans na direção e roteiro. O filme é protagonizado por Jeremy Irvine.
Uma das temáticas mais utilizadas nos tempos pós-pandemia em Hollywood, sem dúvidas, é o luto. As perdas e a dor tomaram conta da vida das pessoas e, desde então, o cinema e a tv adaptaram obras que elucidassem bem o sofrimento humano como tema central das tramas.
Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno também fala sobre luto, trauma e, principalmente, culpa, de uma forma bastante criativa e visceral, criando uma jornada nada amigável ao espectador.
Na trama, James (Jeremy Irvine) é um pintor inconsequente que acaba conhecendo Mary (Hannah Emily Anderson), uma mulher misteriosa. Os dois se apaixonam e se casam, mas, após ela morrer, James fica desolado e num caminho de autodestruição. Ao receber uma carta de sua amada, três anos após sua morte, ele volta à Silent Hill em busca de respostas.
Adaptações de jogos sempre deram um frio na espinha dos fãs, muito por conta dos realizadores que nunca respeitaram as obras originais, mudando demais a história por achar que não conseguiriam vender para um grande público.
Entretanto, depois de vários sucessos como Sonic, The Last of Us e Detetive Pikachú, as coisas mudaram e os games voltaram com tudo para as telonas, com diversos live-actions lançados. Agora, foi a vez de Silent Hill, um jogo que tem uma lore riquíssima a ser explorada com um bom terror psicológico.
Christophe Gans faz um excelente trabalho de roteiro ao abordar a mente perturbada de um homem traumatizado e em depressão profunda. Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno não é sobre sustos fáceis, tampouco criaturas monstruosas que servem para ser um desafio constante para o protagonista, e sim, sobre a dor humana por conta da morte de uma pessoa amada.
James carrega seu sofrimento em sua forma física, parecendo tão degradado quanto a cidade tema do filme. Sua aparência é de um homem que desistiu de viver, sempre embriagado e com as mesmas roupas, sem cuidado.
Jeremy Irvine faz um ótimo trabalho, uma vez que consegue mostrar todas as facetas de seu personagem, desde a confiança exagerada até as escolhas tortuosas de uma mente sobrecarregada por culpa e angústia.
O protagonista perdeu seu propósito de vida com a morte de Mary (Hannah Emily Anderson) e não consegue mais seguir em frente. A sua volta para Silent Hill seria uma espécie de fechamento necessário para James finalmente seguir em paz com sua jornada e esta é a grande sacada do texto.
Os monstros e desafios do inóspito local são representações de tudo que está na mente do protagonista, desde repreensão sexual até o desejo de automutilação, excelentes analogias que constroem uma trama densa, com uma atmosfera soturna e aterrorizante.
O ritmo do filme é um pouco bagunçado por conta de uma montagem confusa, que atravanca o primeiro ato, mas que consegue resolver a questão após o início do segundo. A direção de Gans também é o grande elefante na sala, visto que puxa Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno para baixo com muletas como jump-scares telegrafados dos terrores de shopping center e efeitos digitais bastante precários, culpa também da fotografia exagerada do longa-metragem que deixa os cenários extremamente artificiais e sem vida, não do jeito certo que a obra realmente gostaria de mostrar.
Veredito

Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno é obscuro e trabalha de forma bastante criativa o luto e a culpa. Com uma boa atuação de Jeremy Irvine e um roteiro excelente, o filme pode agradar bastante quem busca um terror psicológico com várias camadas e analogias interessantes para o sofrimento humano.
3.8/5.0
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